Mato Grosso
Mauro retorna de férias com foco em “ritmo acelerado” e olhos no futuro político
O governador Mauro Mendes (União) reassumiu o comando do Palácio Paiaguás na manhã desta segunda-feira (05.01), após um período de dez dias de férias. Em sua primeira manifestação pública de 2026, Mendes declarou que o Governo de Mato Grosso inicia o ano em “ritmo acelerado”, projetando continuidade aos avanços e à prosperidade do estado.
“Começando o ano de 2026 acelerando bastante, cuidando do nosso Mato Grosso. Graças a Deus, terminamos muito bem o ano de 2025, com muitas realizações importantes por parte do Governo do Estado”, afirmou o governador em uma publicação, reforçando o otimismo para o novo ciclo.
Apesar do entusiasmo com a gestão, o retorno de Mendes ocorre em meio a intensas especulações sobre seu futuro político. Embora ainda não tenha confirmado oficialmente, é amplamente esperado que o governador se desincompatibilize do cargo em abril para disputar uma cadeira no Senado Federal. O prazo mencionado, segundo a Justiça Eleitoral, é o limite para que chefes de executivo ingressem na corrida eleitoral.
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Mendes expressou grande orgulho pelos resultados obtidos, citando o cenário de prosperidade de Mato Grosso no ano anterior. Segundo ele, uma série de obras cruciais está sendo entregue ou encontra-se em execução, impactando diretamente o desenvolvimento socioeconômico do estado. “O Estado está indo muito bem, muita coisa boa acontecendo, obras importantes sendo entregues e sendo executadas. Isso dá muito orgulho para mim como cidadão e como governador”, destacou.
Entre os feitos de sua administração, o governador fez questão de sublinhar a conclusão e o início das operações do Hospital Central, um projeto que permaneceu paralisado por mais de três décadas. Ele elogiou a qualidade da estrutura e o impacto positivo no atendimento à saúde pública. “A conclusão e o início da operação do Hospital Central, que ficou parado por 34 anos, é uma obra de altíssima qualidade e está deixando todo mundo muito impressionado, tanto pela estrutura quanto pelo atendimento”, pontuou.
Mato Grosso
Violência contra menores dispara 125% em cinco anos
Dados consolidados pelo Ministério da Saúde, referentes ao período entre 2020 e 2025, apontam que as notificações de violência contra crianças e adolescentes mais que dobraram em cinco anos, passando de 73.635 para 165.413 registros anuais — uma alta expressiva de 125%.
Em Mato Grosso, a realidade acompanha a tendência nacional, mas esbarra em desafios operacionais específicos, como a vasta extensão territorial e a dispersão dos serviços de atendimento em municípios de pequeno porte.
O levantamento, que soma mais de 685 mil ocorrências no período, consolida uma inversão de expectativas sobre o perfil da violência: o ambiente doméstico, que deveria ser o local de proteção, figura como o cenário principal das agressões. A mãe aparece como autora em 34% dos casos, seguida pelo pai (26%), confirmando que a violação de direitos é, majoritariamente, um problema intrafamiliar.
O cenário estadual e o gargalo da rede de proteção
Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e os Conselhos Tutelares municipais enfrentam o desafio crônico da subnotificação. Especialistas apontam que o aumento nos números nacionais não reflete apenas o crescimento da violência, mas também uma maior — embora ainda insuficiente — capacidade do sistema de saúde e da rede de assistência em identificar e registrar os casos.
A dificuldade de acesso a serviços de proteção em municípios distantes da capital agrava a situação, permitindo que casos de negligência, que representam 33,3% das notificações nacionais, permaneçam invisíveis por longos períodos.
Perfil das vítimas e tipos de agressão
O perfil das vítimas reflete desigualdades estruturais profundas. Meninas são as principais alvos, compondo 62% dos registros. Sob a ótica racial, a prevalência recai sobre crianças e adolescentes pardos (49,1%). A violência sexual, que lidera as estatísticas nacionais com 34% dos casos, é um desafio complexo para o sistema de saúde mato-grossense, que precisa oferecer acolhimento multidisciplinar e, muitas vezes, realizar a interrupção legal da gestação, procedimento que exige logística sofisticada em regiões remotas do estado.
A infância sob constante ameaça
A distribuição por faixa etária revela que a primeira infância (até 6 anos) é o segundo grupo mais vulnerável, com 37,5% dos casos, perdendo apenas para os adolescentes (43%). Este dado é considerado o mais alarmante por órgãos de proteção, pois crianças nessa faixa etária possuem dependência absoluta dos cuidadores, o que dificulta a denúncia externa.
A violência física (32,9%) completa o tripé de agressões mais comuns. Para o Ministério Público estadual, a prioridade para o próximo biênio é o fortalecimento das varas especializadas e a integração entre os Conselhos Tutelares e as forças de segurança.
Dados do cenário nacional (2020-2025):
| Categoria | Percentual de Ocorrências |
| Violência Sexual | 34,0% |
| Negligência e Abandono | 33,3% |
| Violência Física | 32,9% |
Fonte: Dados do Sinan/Ministério da Saúde.
O enfrentamento desse cenário exige, segundo especialistas, uma política de Estado que vá além da repressão. A estratégia envolve a busca ativa em territórios rurais e periféricos, a capacitação contínua das equipes de saúde da família e, fundamentalmente, a desestigmatização do ato de denunciar, garantindo que o Sistema de Garantia de Direitos seja capaz de intervir antes que a violência atinja níveis irreversíveis.
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