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BRASIL E MUNDO

Mãe do menino Henry Borel recebeu perdão judicial; MP vai recorrer da decisão

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Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel

Por Agência Brasil

A mãe do menino Henry Borel, a professora Monique Medeiros, deixou na tarde desta quinta-feira (4) o presídio feminino Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó, após ter recebido o perdão judicial da juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri.

Por decisão do Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri do Rio, Monique teve o crime desclassificado de homicídio doloso (com intenção de matar) para homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e recebeu o perdão judicial. Ela foi condenada a um ano e quatro meses de prisão pelo crime de omissão em relação à tortura sofrida pelo filho. Como Monique já cumpriu tempo de prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada.

A sentença, no entanto, será objeto de recurso por parte da Promotoria.

“A sentença será objeto de recurso, uma vez que, em uma primeira quesitação, Monique foi considerada responsável pela morte dolosa de Henry. Assim, entendemos que ela também deveria ter sido condenada pelo homicídio doloso”, afirmou o promotor de Justiça Fábio Vieira, que atuou no júri.

Brasília -DF- 04/06 /2026 - Caso Henry Borel: Justiça condena Jairinho e concede perdão a Monique. Foto: Brunno Dantas/TJRJ
Justiça condenou Jairinho e concedeu perdão a Monique – Foto: Brunno Dantas/TJRJ

Já o padrasto de Henry, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela morte do menino de 4 anos, ocorrida em março de 2021. O ex-vereador foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação.

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Fábio Vieira ressaltou, em sua sustentação aos jurados, que o ex-vereador tinha histórico de agressões contra mulheres e crianças. Como exemplo, citou episódio mencionado pela própria Monique durante seu interrogatório, quando afirmou que “Jairo teria pulado o muro de sua casa e a enforcado por ciúmes”. Em relação à mãe de Henry, o promotor destacou que ela ignorou diversos sinais de alerta sobre o risco que Jairo representava para ela e para o filho.

“Monique, consciente e voluntariamente, enquanto mãe da vítima e garantidora legal de Henry Borel, omitiu-se de sua responsabilidade, concorrendo eficazmente para a consumação do crime de homicídio de seu filho, uma vez que, sendo conhecedora das agressões que o menor sofria por parte do padrasto e estando presente no local e no dia dos fatos, nada fez para evitá-las ou afastá-lo do nefasto convívio com o denunciado Jairo”, relatou o promotor.

Defesa de Monique

Os advogados Florence Rosa e Hugo dos Santos Novais, que atuam na defesa de Monique ressaltaram que “o Tribunal do Júri constitui uma das mais importantes garantias constitucionais do Estado Democrático de Direito, sendo a soberania dos veredictos um princípio expressamente assegurado pela Constituição da República de 1988”.

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Em nota, eles avaliam que o julgamento foi pautado pela análise das provas produzidas na instrução processual, dentro das regras que regem o procedimento do júri popular. Ao longo de todo o processo, a defesa de Monique sustentou que “ela não praticou qualquer agressão contra seu filho e que seu maior erro foi não conseguir perceber, a tempo, a violência que ela e seu filho sofriam. A morte de Henry representa uma tragédia irreparável para todos os envolvidos neste caso”.

No texto, a defesa diz que o processo também convida a sociedade à reflexão sobre a necessidade de evolução da compreensão dos fenômenos relacionados à violência doméstica, psicológica, de gênero, às relações abusivas e a exposição desmedida da mulher como vítima, pois nem sempre ela consegue identificar imediatamente os sinais da violência a que está submetida.

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BRASIL E MUNDO

Congresso dos EUA desafia Trump e aprova resolução pelo fim da guerra contra o Irã

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Em uma reviravolta política a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, na noite desta quarta-feira (3), um texto que exige a retirada das tropas americanas do conflito contra o Irã. O movimento representa a primeira vitória legislativa contra a guerra desde o seu início, em fevereiro, e expõe uma fissura inédita na base de apoio do presidente Donald Trump.

A votação terminou em 215 a 208, consolidada por uma aliança rara: quatro deputados republicanos romperam com a orientação da Casa Branca e votaram ao lado da bancada democrata. O gesto é visto como um reflexo das eleições de meio de mandato (midterms) marcadas para novembro. Com a crescente impopularidade do conflito no Oriente Médio, parlamentares conservadores moderados começam a se distanciar do apoio incondicional ao presidente para evitar o desgaste junto aos eleitores independentes.

Pressão sobre a Casa Branca

Embora o voto tenha caráter simbólico e o texto ainda dependa do Senado e do provável veto presidencial, a aprovação surpreendeu Washington. Os democratas já haviam tentado barrar a guerra em três ocasiões anteriores, todas sem sucesso. Desta vez, o Comitê de Relações Exteriores classificou o resultado como uma “mensagem firme e inequívoca” de que o país deseja encerrar uma guerra considerada “ilegal e impopular”.

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O debate também gira em torno do papel de fiscalização do Congresso. Pela legislação americana, após 60 dias de conflito, a Casa Branca é obrigada a solicitar autorização parlamentar para manter as operações militares — o que não ocorreu. O governo Trump, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, sustenta que as hostilidades cessaram desde o acordo de 8 de abril, argumento utilizado para evitar o controle do Legislativo sobre os recursos e estratégias da guerra.

Cenário Eleitoral Delicado

A pressão sobre Donald Trump é crescente. Além da decisão da Câmara, o Senado já havia se manifestado de forma similar em 19 de maio, e uma aprovação final na câmara alta pode ocorrer ainda nesta semana. Caso os textos avancem, o presidente será forçado a usar seu poder de veto, uma manobra politicamente arriscada às vésperas de uma eleição.

A opinião pública americana tem demonstrado sensibilidade especial ao aumento de preços e à instabilidade econômica gerada pelo prolongamento do conflito. Sem uma solução diplomática à vista, Trump enfrenta o risco de chegar ao período eleitoral sob a pecha de um líder incapaz de conter os custos de uma guerra que o próprio Congresso agora rejeita formalmente.

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*Com Agências

 

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