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Luta contra o fogo no Pantanal na maior Reserva Natural do Brasil vira documentário

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Foto: Jeferson Prado | Sesc Pantanal

Nesta quinta-feira (12.11), Dia do Pantanal, será lançado o documentário que relata a luta contra o fogo na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, durante esta que foi a pior temporada das últimas décadas no bioma.

O registro histórico traz depoimentos de quem estava na linha de frente do combate, imagens dos animais sobreviventes, além da fauna e flora atingidas pelo fogo nos 98 mil hectares, da área de 108 mil, conservada há 23 anos. 

Foto: Jeferson Prado | Sesc Pantanal

 As cenas são impactantes e mostram o caminho da destruição causado pelo fogo, que entrou pela primeira vez este ano na RPPN, no dia 2 de agosto. Foram várias frentes de incêndio, combatidas simultaneamente ao longo de 50 dias e um intenso trabalho dos brigadistas do polo Socioambiental Sesc Pantanal, que somaram esforços a Operação Pantanal II, formada pelas Forças Armadas, Bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Ibama e ICMBio.  

 Embora o fogo tenha alcançado 91% da unidade de conservação, localizada em Barão de Melgaço (MT), muita vida foi preservada. Em meio às imagens de carcaças e bichos feridos vistos em todo o Pantanal, as cenas dos animais vivos e saudáveis chamam a atenção para o trabalho da brigada Sesc Pantanal. Existente há 20 anos, ela retardou o avanço dos incêndios, dando tempo de fuga para os animais migrarem para áreas ainda não queimadas ou já atingidas há dias. 

 De acordo com a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano, o documentário de 20 minutos é um registro histórico de um fato inédito na RPPN Sesc Pantanal e o seu lançamento no Dia do Pantanal é um marco na temporada do fogo em 2020. “As primeiras chuvas e o verde que surgem apagam momentaneamente as marcas do fogo, que são muito profundas e têm impactos que vão durar anos. Não queremos que tudo o que houve seja esquecido e, principalmente, o objetivo deste registro é ser um alerta para o que não queremos viver novamente. Para isso, é preciso união, estratégia e ação para os próximos anos”, destaca.  

 Pesquisas pós-fogo 

 Imediatamente, após o fim dos incêndios na unidade de conservação, teve início o levantamento de dados com pesquisadores de diversas partes do país. A partir de pesquisas desenvolvidas ao longo de 20 anos será possível realizar um comparativo com o atual momento, para encontrar soluções que beneficiem todo o Pantanal, seja para a recuperação da flora, reestabelecimento da fauna e atendimento às comunidades afetadas por este evento. 

 Pesquisador da RPPN Sesc Pantanal há 20 anos, o biólogo da Fiocruz, José Luís Cordeiro, que faz parte do documentário, acompanhou várias transformações que a região sofreu, como o aumento das populações animais (anta, cervo-do-pantanal, queixadas e catetos), a recuperação da paisagem para uma condição mais próxima da paisagem pantaneira original, com a implantação da Unidade de Conservação, e a redução do impacto humano, bem como a regeneração da vegetação após queimadas, secas ou cheias severas. Mas, nunca havia visto nada com tamanha capacidade destrutiva como neste ano. “Todos que respeitam a vida, e em especial o Pantanal, tem uma longa jornada pela frente, no suporte à recuperação da biodiversidade do Pantanal”, avalia. 

 Nada foi igual nas últimas décadas, em relação à seca, baixa umidade, altas temperaturas e fogo, na maior área alagável do planeta e Patrimônio Natural da Humanidade, ressalta o diretor-geral do Departamento Nacional do Sesc, Carlos Artexes, e, apesar de todos os esforços, a RPPN Sesc Pantanal foi muito atingida. “Diante disso, seguimos nossa missão de conservar e estudar essa importante área, que representa 2% do bioma em Mato Grosso. O que aconteceu jamais será esquecido, deixa diversos aprendizados e a certeza de que o Sesc Pantanal sempre estará cuidando de gente, planta e bicho”, conclui.  

 RPPN Sesc Pantanal 

 A criação da RPPN Sesc Pantanal se deu após a Eco-92, como iniciativa do Sesc Nacional, em desenvolver um projeto de conservação no Pantanal. Em duas décadas de existência, mais de 70 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal foram realizadas. Da abundante biodiversidade da Bacia do Alto Paraguai, com 1.059 espécies de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, a Reserva detém 630. Isso significa que 60% destas espécies estão presentes na RPPN. 

 Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Além de ser a maior RPPN do país, a reserva do Sesc Pantanal ainda é Zona Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, faz parte da terceira maior Reserva da Biosfera do planeta e é um Sítio Ramsar. Entre os benefícios que a RPPN presta à humanidade estão a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas. 

 O documentário será lançado nas redes sociais e canal do Youtube do Sesc Pantanal. 

 

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Fotógrafo mexicano filma onça atacando jacaré no Pantanal de Mato Grosso; veja o vídeo

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O fotógrafo mexicano Diego Rodriguez filmou o ataque de uma onça-pintada a um jacaré durante uma expedição no Pantanal mato-grossense.

Veja vídeo:

Apesar de viajar o mundo registrando a vida selvagem, Rodriguez disse que foi a primeira vez que conseguiu gravar um ataque como esse.

Nas imagens, é possível ver a onça tentando levar o jacaré, ainda vivo, para a mata. O jacaré consegue escapar em determinado momento, mas é pego pelo felino novamente.

Segundo o fotógrafo, as imagens foram feitas nas margens do Rio Cuiabá, na região de Porto Jofre. A área é conhecida por ter a maior concentração de onças-pintadas do mundo. A reserva tem 108 mil hectares. Turistas do país e do exterior procuram o parque para ver as onças-pintadas, durante passeios de barco.

O melhor período para observar a onça é entre julho e final de setembro, período da seca. Nesses meses, as onças ficam mais próximas das margens dos rios em busca de água e caça, então, é mais fácil se deparar com o animal.

Em 2013 o fotógrafo americano Justin Black flagrou cena semelhante e publicou as seguintes fotos:

 

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