Cuiabá
Justiça suspende obra da Orla do Porto; MPE cita descaso com meio ambiente
Conforme requerimento do MP, a suspensão deve valer até que o Município dê início à execução das medidas compensatórias e mitigadoras estabelecidas na primeira fase da obra; conclua o Estudo de Impacto de Vizinhança e Relatório de Impacto de Vizinhança.
Marcos Bergamasco | Portal Mato Grosso
Justiça suspende obra da Orla do Porto; MPE cita descaso com meio ambiente
A Vara Especializada do Meio Ambiente de Cuiabá deferiu o pedido de liminar ajuizado pelo Núcleo de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística para que “se impeça o início ou para que se suspenda a realização da segunda etapa das obras de ampliação da Orla do Rio Cuiabá, no trecho compreendido entre o término da Avenida XV de Novembro/Ponte Júlio Muller e a estrutura do antigo Cais do Porto”, sob pena de multa de R$ 20 mil por dia.
Conforme requerimento do Ministério Publico, a suspensão deve valer até que o Município dê início à execução das medidas compensatórias e mitigadoras estabelecidas na primeira fase da obra; conclua o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV), inclusive levando-se em conta os impactos da continuidade das obras na segunda etapa; e promova as adequações necessárias no licenciamento ambiental para que as medidas mitigadoras e compensatórias fixadas guardem correlação com as adotadas na fase anterior dos trabalhos.
MPE
Promotor de Justiça, Gerson Barbosa
A ação com pedido de liminar em detrimento do Município de Cuiabá é assinada pelos promotores de Justiça Carlos Eduardo Silva, Gerson N. Barbosa, Joelson de Campos Maciel e Marcelo Caetano Vacchiano. Conforme a incial, as Promotorias de Justiça de Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística da Capital foram comunicadas pela Prefeitura Municipal de Cuiabá da intenção de realização de obras de revitalização da Orla do Rio Cuiabá, ao longo da Avenida Beira Rio, em 2013.
Na época, a Prefeitura Municipal encaminhou ao Ministério Público cópia do projeto básico elaborado e que previa intervenção em área de preservação permanente no trecho compreendido entre a Avenida Miguel Sutil e a Praça Luís de Albuquerque, bem como de requalificação urbanística e paisagística de parte do bairro do Porto.
Diante do impacto das obras ao meio ambiente natural e construído, a estratégia das Promotorias de Justiça foi a de atuação conjunta. Assim, recomendaram que o licenciamento ambiental fosse promovido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que decidiu pela dispensa da realização de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA).
Contudo, o Ministério Público “recebeu reclamação de alguns cidadãos contrários a forma como o Município de Cuiabá vinha elaborando a intervenção na Orla do Porto, sem consulta pública, com a desnecessária supressão de vegetação de APP e com a ausência de avaliação mais aprofundada dos impactos sociais, paisagísticos e na mobilidade urbana da obra de requalificação na região”.
Diante desses fatos, o MPMT articulou diversas reuniões com o Poder Público municipal e técnicos da Sema e acordou quanto à necessidade de realização de EIV/RIV, a readequação do estudo florístico e a redefinição das medidas compensatórias ecológicas previstas no licenciamento. A prefeitura ainda apresentou um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) com a previsão de medidas mitigadoras e compensatórias, além de demais estudos ambientais.
Entretanto, conforme a ação, “as providências do Poder Público resumiram-se à apresentação de tais documentos, provavelmente com o intuito de impedir que o Ministério Público promovesse qualquer medida judicial para interrupção das obras”. Nada mais teria sido realizado e sequer havia sido concluído o EIV/RIV e a execução do Prad.
A segunda etapa de obras é vista pelo MPMT como “um novo complicador nesse cenário de descaso do Poder Público municipal para com o meio ambiente”. Ante a essas informações, o Núcleo de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística viu a necessidade de obter uma tutela imediata “para impedir o início ou suspender a segunda etapa das obras da Orla do Porto, sem que, antes, sejam adotadas medidas que realmente levem em consideração o contexto global de intervenção no local, impedindo sucessivas intervenções fragmentadas sobre as margens do Rio Cuiabá”.
Cuiabá
Indea promove em Cuiabá a principal conferência brasileira sobre defesa agropecuária
Mato Grosso vai sediar, entre 16 e 18 de junho, a 9ª Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária (CNDA). Organizado pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), o evento será realizado no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. São esperados cerca de 1,5 mil participantes, entre produtores rurais, profissionais e entidades ligadas ao agronegócio de todo o Brasil.
Para a presidente do Indea, Emanuele Gonçalina de Almeida, a conferência é o maior evento nacional sobre defesa agropecuária do país e serve de oportunidade para que produtores rurais e profissionais da área tenham acesso ao que há de mais novo e recente no assunto.
“Eventos como esse ajudam a aprimorar, atualizar e a progredir os serviços que o setor realiza e que, no final, resultam em oferta de alimentos mais saudáveis, com práticas e manejos mais sustentáveis, de forma que todo o processo envolvendo a agropecuária obtenha avanços a partir de encontros como o que iremos realizar”, explica.
Nos três dias de eventos serão abordados 28 eixos temáticos em 201 palestras técnicas, com a participação de todas as entidades estaduais e nacionais que envolvem o agronegócio. Realizado pela primeira vez em Mato Grosso, a Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária é realizada a cada dois anos. O último foi realizado em Goiás, em 2024.
A 9ª CNDA terá a abertura às 8h de terça (16.06) com realização simultânea de encontros nacionais de Saúde Animal (Ensan), Inspeção Animal (Enimal), Fiscalização de Agrotóxicos (Enfisa), Sanidade Vegetal (Ensave), Educação Sanitária (Enesa), Inspeção Vegetal (Enive) e Encontro Nacional de Sementes e Mudas (Enasem). Confira aqui a programação.
No segundo dia de evento, as atividades dos encontros nacionais seguem com debates e apresentações técnicas, e, no terceiro dia, haverá mesas-redondas e oportunidades de troca de informações.
A 9ª Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária (CNDA) reunirá profissionais das mais diversas regiões do país. Confirmaram participação palestrantes de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul e Rondônia, além de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e de agências estaduais de defesa sanitária.
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