cultura
Italo Rocha: A voz que canta a alma sertaneja do oeste mato-grossense
Em um Brasil de dimensões continentais, onde a cultura se ramifica em múltiplas expressões, a música sertaneja emerge como uma das mais autênticas representações da identidade nacional, especialmente no coração do país. Na vasta região oeste de Mato Grosso, um nome tem se destacado por traduzir em canções o espírito e o cotidiano de seu povo. É Italo Rocha. Mais que um cantor, ele se tornou um cronista da vida no interior, levando música, alegria e uma poderosa mensagem de valorização dos costumes locais.
Com o carisma que lhe é característico, Italo Rocha percorre os municípios da região, de Cáceres a Vila Bela da Santíssima Trindade, com a missão de celebrar a cultura sertaneja. Sua música é um espelho da vida de quem lida com o campo, mas também de quem vive nos espaços urbanos dessas cidades, que florescem ao ritmo da agricultura familiar ao agronegócio, passando pela mineração. É um som que fala diretamente à alma de uma população que encontra no trabalho a sua dignidade, na família o seu alicerce e nos amigos o seu porto seguro.
Uma das frases que se tornou marca registrada de Italo Rocha é “respeita a turma da botina”. O bordão, aclamado em seus shows, é um recado direto e orgulhoso sobre a valorização do homem do campo e de suas tradições. A “turma da botina” representa a força de trabalho que move a economia da região, pessoas que, com os pés fincados na terra, constroem o futuro sem jamais esquecer suas raízes.
As letras de Italo são crônicas musicadas desse universo. Elas narram o dia a dia, as alegrias simples, os desafios do trabalho e, acima de tudo, a importância dos laços afetivos. Ele canta sobre o prazer de uma roda de viola, aquela turma que encontra no posto de combustível ou na conveniência pra se divertir, a importância de um abraço apertado e a certeza de que “o melhor da vida é estar com a família e os amigos”. Sua obra reflete os pilares da cultura sertaneja, que se baseia no tripé fé, família e trabalho .
Residente de Mirassol d’Oeste, um município com pouco mais de 26 mil habitantes, Italo Rocha faz questão de manter uma conexão genuína com seu público. E é dessa proximidade que o artista extrai a essência de sua arte. “Eu não tenho fãs, tenho amigos que me fortalecem em cada trabalho”, afirma o cantor, revelando uma humildade que cativa e fideliza quem o acompanha.
Essa filosofia se reflete em sua presença de palco e na forma como interage com todos. Para Italo, cada show é um grande encontro de amigos, uma celebração da vida e da cultura que os une. Ele garante já ter percorrido todos os municípios da região, levando sua música a cada canto do oeste mato-grossense e construindo uma base sólida de admiradores que se sentem parte de sua jornada.
O som do interior em um mundo conectado
A região oeste de Mato Grosso, onde Italo Rocha construiu sua carreira, é um celeiro da cultura sertaneja. A vida rural, com suas tradições e saberes, coexiste com a modernidade da tecnologia no campo. A música de Italo navega por esses dois mundos, honrando o passado e dialogando com o presente. Ele prova que é possível ser moderno sem perder a autenticidade, que a bota e o chapéu combinam perfeitamente com o smartphone e as redes sociais.
Ele não apenas entretém, mas também educa, reforça identidades e inspira um sentimento de pertencimento. Em um mundo cada vez mais globalizado, sua música é um lembrete caloroso de que a verdadeira riqueza está nas coisas simples, nos costumes que passam de geração em geração e no calor humano que só um encontro de amigos pode proporcionar. A turma da botina agradece e aplaude.
cultura
Fotógrafo mato-grossense representa o Pantanal em mostra dos biomas brasileiros na China
José Medeiros integra exposição realizada em Pequim no Ano Cultural Brasil-China 2026 representando o Pantanal.
O fotógrafo e documentarista José Medeiros representa o Pantanal na mostra fotográfica dedicada aos seis biomas brasileiros apresentada em Pequim, na China, como parte da programação do Festival Brasil – Turismo, Arte e Cultura, realizado no âmbito do Ano Cultural Brasil-China 2026. Suas fotografias constituem a apresentação visual do Pantanal dentro de um conjunto que reúne trabalhos de seis fotógrafos, cada um associado a um dos biomas do país.
A exposição apresenta Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal por meio da fotografia e de outras experiências expositivas, com ênfase nas relações entre paisagens, modos de vida, manifestações culturais e territórios. A proposta curatorial parte da conexão entre os biomas brasileiros e utiliza o fenômeno dos chamados “rios voadores” como fio condutor do percurso.
Além de José Medeiros, que apresenta o Pantanal, participam João Marcos Rosa, com a Amazônia; André Pessoa, com a Caatinga; Zig Koch, com a Mata Atlântica; André Dib, com o Cerrado; e Tadeu Vilani, com o Pampa. A seleção reúne fotógrafos com trajetórias vinculadas à documentação de paisagens, biodiversidade, comunidades e transformações territoriais em diferentes regiões brasileiras.
No caso do Pantanal, a escolha de Medeiros está relacionada a uma trajetória de mais de três décadas de documentação da região. Seu trabalho acompanha tanto as paisagens submetidas aos ciclos de cheia e vazante quanto os modos de vida das populações pantaneiras e as transformações ambientais e sociais ocorridas no território.
A participação insere a fotografia produzida em Mato Grosso em uma ação de apresentação internacional da diversidade ambiental e cultural brasileira. A mostra integra uma programação que apresenta ao público chinês os seis biomas do país e associa fotografia, cultura, biodiversidade e experiências imersivas. Segundo a Embratur, o Festival Brasil ocorre em Pequim entre 2 e 6 de setembro de 2026 e integra a agenda do Ano Cultural Brasil-China.
Para José Medeiros, a presença de seu trabalho na exposição também leva ao exterior uma produção documental construída a partir do próprio território. Em sua obra sobre o Pantanal, a paisagem aparece relacionada às pessoas que vivem na planície, às formas de trabalho, aos ciclos das águas, à cultura e às mudanças que atravessam a região ao longo do tempo.
Sobre José Medeiros
Fotógrafo e documentarista mato-grossense, José Medeiros desenvolve há mais de três décadas uma obra dedicada ao Pantanal. Sua produção reúne fotografia, audiovisual e projetos documentais voltados às paisagens, às comunidades e às transformações sociais e ambientais da região. Na exposição realizada em Pequim, seu trabalho integra a representação brasileira do Pantanal entre os seis biomas apresentados ao público chinês.
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