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Governança educacional sob liderança feminina
Por Márcia Amorim Pedr’Angelo
A robustez de uma instituição de ensino se manifesta na qualidade das decisões que ela sustenta. Cultura organizacional, metas acadêmicas, estabilidade do corpo docente e a confiança das famílias não são acasos; são subprodutos diretos de uma governança sólida. E governar, em sua essência, é a arte de decidir com responsabilidade e visão de futuro.
Neste Dia Internacional da Mulher, proponho uma reflexão que emerge da prática. Nas instituições que fundei e conduzo, as posições estratégicas são majoritariamente ocupadas por mulheres. São diretoras, coordenadoras e gestoras administrativas que não apenas ocupam espaços, mas ditam o ritmo da eficiência institucional e assumem o protagonismo em instâncias decisórias complexas.
Historicamente, a presença feminina na educação foi relegada ao ambiente da sala de aula. O cenário contemporâneo, contudo, consolida nossa atuação na alta gestão. Liderar uma escola hoje exige muito mais que vocação; demanda análise rigorosa de indicadores, precisão no planejamento orçamentário, domínio do arcabouço regulatório e uma nitidez pedagógica inegociável. Exige método. Exige preparo técnico de excelência.
Em minha trajetória, aprendi que liderança educacional não admite improvisos. Ela é forjada na formação contínua e no compromisso com resultados perenes. Instituições resilientes não orbitam em torno de uma figura centralizadora; elas se sustentam em equipes estrategicamente capacitadas para a tomada de decisão autônoma e fundamentada.
Testemunho, diariamente, mulheres à frente de equipes complexas, decifrando dados, mediando conflitos e mantendo o padrão institucional com um equilíbrio entre firmeza e sensibilidade estratégica. Não se trata de uma presença simbólica, mas de uma ocupação executiva de alto impacto. Cada diretriz administrativa reverbera, em última instância, na qualidade do aprendizado do aluno.
Celebrar o 8 de março é reconhecer essa contribuição pragmática para a governança educacional. A liderança feminina, quando alicerçada em competência técnica e visão de longo prazo, não apenas fortalece as instituições, mas eleva o rigor da formação humana.
A educação é um projeto de continuidade. E projetos que pretendem atravessar gerações exigem direção lúcida, decisões baseadas em evidências e lideranças preparadas para arquitetar o futuro.
Agradeço e presto uma sincera e linda homenagem a todas as mulheres que dedicam sua vida à educação
Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em MS e MT
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A construção civil precisa parar de normalizar atrasos
Por Leandro Guimarães
A construção civil brasileira segue demonstrando resiliência mesmo diante de um cenário econômico desafiador. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para o setor em 2026, impulsionado principalmente pelo crédito imobiliário e pelos investimentos em infraestrutura. Nesse ambiente cada vez mais competitivo, um problema ainda persiste: os atrasos tratados como normalidade.
Em Mato Grosso, por exemplo, onde o crescimento econômico acelerou a demanda por moradia, eficiência operacional deixou de ser apenas diferencial competitivo. Passou a ser necessidade estratégica.
O avanço do setor acompanha um mercado imobiliário em expansão. Em Cuiabá, o segmento movimentou R$ 5,7 bilhões em 2025, segundo dados do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT). Ao mesmo tempo, aumentaram as cobranças por previsibilidade, capacidade de entrega e controle de custos.
Durante décadas, consolidou-se no setor a ideia de que uma obra possui data para começar, mas não necessariamente para terminar. Esse modelo, porém, já não se sustenta em um ambiente que exige produtividade, planejamento e gestão eficiente.
Existe uma percepção equivocada de que processos tornam as operações mais burocráticas e lentas. Na prática, acontece justamente o contrário. Empresas que investem em padronização, acompanhamento técnico e integração operacional conseguem reduzir desperdícios, minimizar retrabalho e aumentar produtividade sem comprometer a qualidade.
Velocidade não significa correria. Velocidade é consequência de organização. Obras excessivamente longas quase sempre revelam falhas ocultas, ausência de planejamento, desalinhamento entre equipes, baixa integração operacional e dificuldade na tomada de decisão. Já operações estruturadas conseguem manter ritmo produtivo elevado com previsibilidade e estabilidade.
E existe um fator central nessa discussão. O tempo também representa o resultado financeiro. Na construção civil, reduzir o ciclo de execução impacta diretamente a liquidez e a sustentabilidade das empresas. Quanto maior a eficiência operacional, menor tende a ser a exposição a custos indiretos, oscilações econômicas e aumentos sucessivos de insumos.
Esse cenário ganhou ainda mais peso nos últimos anos. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acumulou alta de 6,28% em 12 meses, refletindo a pressão sobre materiais, logística, combustíveis e mão de obra.
Em um ambiente de custos elevados, obras demoradas deixam de representar apenas atraso operacional e passam a comprometer competitividade. Por isso, eficiência operacional não deve ser tratada apenas como pauta técnica da engenharia. Trata-se de estratégia de negócio.
A construção civil vive uma necessária evolução nos métodos executivos, nos sistemas construtivos e nos modelos de gestão. A busca por industrialização, inovação e novas tecnologias deixou de ser tendência e passou a ser requisito para empresas que desejam crescer de forma sustentável.
A construção civil possui papel fundamental no desenvolvimento econômico e social do país. E quanto mais eficiente e preparada ela for, maior será sua capacidade de entregar não apenas empreendimentos, mas confiança e estabilidade para milhares de famílias.
No fim, construir vai muito além da execução de uma obra. Construir é transformar planejamento em realidade, e isso só acontece de forma consistente quando existe excelência operacional sustentando cada etapa do processo.
Leandro Guimarães é diretor operacional da GRF Incorporadora, empresa mato-grossense que constrói moradias populares no Brasil e tem como um dos pilares de valor a agilidade.
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