Mato Grosso
Elefante Sandro chega a santuário em Chapada dos Guimarães após mais de 40 anos em zoológico
O elefante Sandro chegou nesta sexta-feira (18.09) ao Santuário dos Elefantes do Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães, a 67 quilômetros de Cuiabá, após uma viagem de dois dias. O animal deixou o Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), na quarta-feira (16).
A chegada foi registrada e divulgada nas redes sociais do santuário. Nas imagens, Sandro aparece desembarcando no local e sendo recebido pela equipe responsável pelo espaço.
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Após permanecer por mais de quatro décadas no zoológico paulista, o elefante passará a viver em Mato Grosso ao lado de Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina. As cinco elefantas também são asiáticas e foram resgatadas de situações de cativeiro.
Nascido por volta de 1971, Sandro foi capturado ainda filhote na Ásia e levado para o Zoológico de Cauberg, na Holanda. Conforme informações divulgadas pelo santuário, ele passou por treinamento antes de ser trazido ao Brasil pelo circo Orlando Orfei, acompanhado de outros dois elefantes.
Depois de aproximadamente dez anos participando de atividades em circos itinerantes, o animal foi encaminhado ao Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. Sandro permaneceu sozinho no local até 1995, quando a elefanta Haisa chegou do zoológico Beto Carrero.
Os dois viveram juntos durante 25 anos. Haisa morreu em 18 de novembro de 2020, em decorrência de complicações relacionadas à artrose, uma doença degenerativa e incurável.
Após a morte da companheira, Sandro voltou a viver sozinho. A transferência para o santuário mato-grossense foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em meio a uma disputa judicial entre o Ministério Público de São Paulo e a Prefeitura de Sorocaba.
Na ação, o Ministério Público apontou a viuvez do animal e as condições do recinto onde ele vivia como fatores relevantes para justificar a transferência. O órgão também ressaltou que elefantes são animais sensíveis e inteligentes e poderiam sofrer com a solidão e a ausência da companheira.
Outro argumento apresentado foi o tamanho reduzido do espaço disponível no zoológico, considerado incompatível com os hábitos naturais da espécie.
Ao aceitar o pedido do Ministério Público, o juiz Alexandre de Mello Guerra destacou que o local de origem não oferecia as condições mais adequadas para garantir uma vida digna ao animal e que o santuário representava uma alternativa apropriada para sua transferência.
Mato Grosso
Rede de proteção discute aprimoramento do monitoramento eletrônico de agressores
Representantes do sistema de Justiça e das forças de segurança de Mato Grosso se reuniram nesta quarta-feira (16), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), para discutir medidas voltadas ao aprimoramento do monitoramento eletrônico de agressores de mulheres. O encontro também teve como objetivo construir um fluxo integrado para acompanhar homens submetidos a medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica no Estado.
A reunião contou com a participação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), do Poder Judiciário, do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, das secretarias de Estado de Segurança Pública e de Justiça, da Polícia Judiciária Civil, da Polícia Militar e de outras instituições que integram a rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Os trabalhos foram conduzidos pela desembargadora Vandymara Galvão Ramos Paiva Zanolo, presidente da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT). Durante a reunião, a delegada Mariell Antonini Dias, chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Governo de Mato Grosso, apresentou pontos considerados fundamentais para garantir a efetividade do monitoramento, especialmente em municípios de pequeno porte.
Entre os assuntos debatidos estiveram o acompanhamento dos agressores monitorados, a fiscalização das medidas protetivas, a atuação da Patrulha Maria da Penha, o compartilhamento de informações entre os órgãos e os procedimentos que devem ser adotados quando houver alertas ou situações de risco.
Para a desembargadora Vandymara, a integração entre as instituições é necessária para que os protocolos de proteção sejam adaptados às diferentes situações enfrentadas no atendimento às vítimas.
“A violência doméstica apresenta desafios que exigem uma atuação permanente e articulada. Os protocolos precisam ser atualizados e aprimorados à medida que novas situações surgem. Por isso, é tão importante reunir Judiciário, forças de segurança e os demais integrantes da rede, compartilhar o que cada instituição vivencia e, a partir dessas experiências, construir soluções conjuntas”, afirmou.
Protocolo e capacitação
Durante o encontro, o Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher anunciou que vai articular, por meio da Rede Estadual de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher, a criação de um grupo de trabalho para elaborar um protocolo específico sobre o monitoramento eletrônico.
Segundo a delegada Mariell Antonini, a proposta também prevê a realização de capacitações para orientar juízes, promotores, delegados e demais profissionais que atuam no atendimento às vítimas.
“Nos comprometemos a discutir de forma mais célere esse protocolo em rede e trazer uma solução, além de uma grande capacitação sobre o monitoramento, para tratarmos toda essa problemática e apresentarmos aos juízes, promotores, delegados e a todos que trabalham no atendimento e precisam de orientação sobre o monitoramento”, declarou.
Representando o MPMT, a procuradora de Justiça Elisamara Portela destacou o Protocolo de Intenções firmado em setembro de 2025 pelo Governo do Estado, pelas secretarias de Segurança Pública e de Justiça, pelo TJMT e pelo Ministério Público. O documento estabelece diretrizes para aperfeiçoar a monitoração eletrônica, integrar os fluxos institucionais e garantir respostas mais rápidas em casos de descumprimento de medidas protetivas.
A procuradora ressaltou que a atualização dos procedimentos é necessária diante das mudanças na legislação e dos desafios encontrados na rotina operacional. Ela defendeu o fortalecimento da resposta aos alertas, a melhoria do sistema e a capacitação permanente das equipes envolvidas no atendimento às mulheres.
Elisamara também chamou atenção para a necessidade de ampliar as informações repassadas às vítimas sobre o funcionamento da tornozeleira eletrônica e da Unidade Portátil de Rastreamento (UPR). Entre os pontos que precisam ser explicados estão a retirada dos equipamentos, os alertas emitidos e as providências que devem ser tomadas em cada situação.
“É fundamental que a mulher compreenda como a tecnologia funciona e se sinta segura para utilizá-la, para que o instrumento cumpra efetivamente sua finalidade de proteção”, afirmou.
A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do Núcleo das Promotorias de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar da Capital — Espaço e Observatório Caliandra — também defendeu o reforço das orientações às vítimas.
“Temos que voltar o olhar quando houver essas medidas que beneficiam a vítima, com o cuidado de explicar o funcionamento. Mais de 70% dos feminicidas têm antecedentes criminais e, por isso, o monitoramento é muito importante”, declarou.
Integração entre sistemas
A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho, destacou a importância da integração dos sistemas utilizados pelas instituições para acelerar o compartilhamento de dados sobre os agressores monitorados.
De acordo com a secretária, um termo de cooperação firmado recentemente entre a Secretaria de Estado de Justiça e a Sesp prevê a participação dos agentes de segurança pública no desenvolvimento das ações de monitoramento.
“Tivemos um termo de cooperação recente da Sejus com a Sesp, para que o monitoramento também seja desenvolvido pelos agentes de segurança pública da Sesp”, explicou.
Susane também citou a utilização da Cabine Lilás como uma ferramenta de acompanhamento e resposta às ocorrências de violência contra a mulher. A expectativa é que a integração tecnológica permita que os alertas sejam recebidos com mais rapidez pelas equipes policiais.
Ao final, os participantes reforçaram a necessidade de manter uma atuação conjunta entre os órgãos do sistema de Justiça e da segurança pública. O objetivo é aperfeiçoar o monitoramento eletrônico, agilizar a resposta aos alertas e ampliar a proteção de mulheres que possuem medidas protetivas.
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