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Mato Grosso

Elefanta do Beto Carrero já está no Santuário de Elefantes de Chapada dos Guimarães

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A elefanta Baby, antiga atração do zoológico do parque Beto Carrero World, chegou neste sábado (20) ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, iniciando uma nova fase de vida em um ambiente desenhado para sua reabilitação e bem-estar, longe da rotina de cativeiro e da exposição ao público.

A chegada de Baby ao santuário, o primeiro e único da América Latina voltado exclusivamente ao acolhimento de elefantes resgatados, encerra um longo processo de logística e adaptação. O transporte, que atravessou milhares de quilômetros, exigiu um protocolo rígido de segurança e monitoramento veterinário contínuo para minimizar o estresse de uma espécie cuja sensibilidade emocional é um dos pontos mais destacados pela biologia.

Recuperação e autonomia

Diferente da estrutura de zoológicos ou do passado de Baby em circos — ambiente onde a disciplina e a interação forçada restringiam sua autonomia —, o santuário oferece vastas áreas de cerrado e mata preservada. No local, o objetivo principal não é a exposição, mas a reabilitação física e psicológica.

“A transição respeita o ritmo do animal. Ela não será forçada a interagir, mas incentivada a retomar comportamentos naturais, como forragear e interagir com o ambiente de forma independente”, explica a equipe do santuário. Nesta fase inicial, Baby permanece em uma área de adaptação monitorada, onde especialistas avaliam sua saúde, adaptação à nova dieta e a integração gradual com o ecossistema local.

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O desafio do bem-estar animal no Brasil

O caso da elefanta Baby traz à tona um debate crescente no país sobre o papel das instituições de manejo de fauna. Especialistas em bem-estar animal apontam que, apesar dos cuidados básicos em zoológicos, a complexidade biológica dos elefantes — animais de vida social intensa e que demandam grandes extensões territoriais — torna o confinamento tradicional cada vez mais questionado pela comunidade científica.

O Santuário de Elefantes Brasil, que hoje se tornou referência mundial em reabilitação, consolidou-se a partir de uma rede internacional de proteção animal, inspirado em modelos de sucesso na Ásia e Estados Unidos. O sucesso do projeto em Chapada dos Guimarães tem provocado uma mudança de paradigma no país, forçando autoridades e gestores de parques a repensarem o destino de animais que, ao envelhecerem ou diante da proibição de uso em espetáculos, encontram na “aposentadoria” em santuários a única alternativa para uma vida digna.

Para Baby, o futuro em Mato Grosso representa mais do que uma mudança de endereço; é a chance de, pela primeira vez, ter o controle sobre o próprio tempo em um ambiente projetado para sua espécie, e não para o olhar humano.

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Mato Grosso

Sinfra rescinde contratos de obras da MT-170 e aplica multas de R$ 7,2 milhões

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A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) rescindiu os contratos com dois consórcios responsáveis pelas obras de asfaltamento da MT-170, antiga BR-174, no trecho entre Castanheira e Juruena, na região noroeste do estado. A decisão foi motivada por falhas na execução dos projetos e publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (17).

Os contratos encerrados são referentes ao Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MTSUL, responsável pelo lote 1 da rodovia, e ao Consórcio Construtor Agrimex, que executava as obras do lote 2.

Além da rescisão unilateral, as empresas foram condenadas ao pagamento de multas moratórias e compensatórias que totalizam R$ 7,2 milhões. Também ficam impedidas de licitar e contratar com o Governo de Mato Grosso pelo prazo de dois anos e deverão ressarcir integralmente os cofres públicos pelos prejuízos decorrentes da execução considerada defeituosa.

Com o encerramento dos contratos, a Sinfra-MT finaliza os projetos necessários para a reconstrução do trecho. As obras deverão ser licitadas novamente. Enquanto a solução definitiva não é implantada, empresas responsáveis pela manutenção regional das rodovias atuarão na MT-170 para corrigir os pontos danificados.

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As obras foram contratadas em 2014, quando a rodovia ainda estava sob responsabilidade federal e era denominada BR-174. A contratação ocorreu por meio de um convênio entre o Governo de Mato Grosso e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A licitação foi realizada pelo Regime Diferenciado de Contratação Integrada, modelo em que as empresas vencedoras ficam responsáveis pela elaboração dos projetos básico e executivo, além da execução completa dos serviços.

Parte das obras permaneceu paralisada por anos. Em dezembro de 2021, a rodovia foi estadualizada, permitindo que o Governo de Mato Grosso assumisse a responsabilidade pela continuidade do asfaltamento.

No ano seguinte, em julho de 2022, foi instaurada uma Mesa Técnica junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para discutir a repactuação técnica e financeira do contrato. A medida foi necessária porque o empreendimento havia sido concebido com base em premissas técnicas do Dnit.

Na ocasião, o TCE-MT e o consórcio concordaram formalmente com as alterações realizadas, sem apontar inviabilidade para a execução das obras.

Mesmo após a repactuação, a Sinfra-MT passou a registrar falhas nos serviços. Em 2023, foram emitidas quatro notificações relacionadas a problemas na base da rodovia e à execução inadequada. No ano seguinte, outras 16 notificações apontaram novas irregularidades. Em 2025, foram registradas mais seis ocorrências.

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Diante dos problemas, a secretaria abriu processo administrativo para analisar a rescisão contratual e a aplicação das penalidades, assegurando às empresas o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Também foi instaurada uma apuração técnica independente para verificar possíveis omissões e falhas na fiscalização realizada pela empresa supervisora do contrato, a Consol. Além disso, um processo para mapear a conduta de servidores públicos envolvidos foi encaminhado à Unidade Setorial de Correição.

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