Saúde
“Ele não aceita ajuda”, diz estudante sobre familiar viciado em apostas online
Luiz Fernando de Oliveira, estudante de Direito e morador de Rondonópolis, convive há dois anos com uma angústia que tem se tornado cada vez mais comum dentro das famílias brasileiras. Um familiar próximo, segundo ele, passou a se envolver com jogos de aposta online, como o chamado “jogo do tigrinho”, e desde então a rotina da casa mudou. O que começou como algo aparentemente ocasional se transformou em dívidas, isolamento e negação do problema.
“No começo, ele ainda falava que jogava, mas o tempo foi passando e foi ficando pior. Fez dívidas que não consegue pagar e não adianta falar mais, até porque ele não admite que joga”, relata o estudante. Preocupado, Luiz Fernando conta que já tentou conversar com o familiar para que ele buscasse ajuda, mas sem sucesso. “Falei pra ele pedir ajuda, procurar um tratamento, mas ele zanga comigo. Fico muito preocupado. Ele mora sozinho e não aceita ajuda pra sair dessa”, afirmou.
Histórias como essa motivaram o seminário realizado pelo senador Carlos Fávaro, em Rondonópolis, neste sábado (23), na sede da União Rondonopolitana de Associações de Moradores de Bairros, a URAMB. O encontro reuniu moradores, lideranças comunitárias e representantes da sociedade civil para debater problemas que impactam diretamente as famílias, especialmente os jovens, como o vício em apostas, a dependência química, o adoecimento mental e o endividamento provocado por novas formas de compulsão.
Para Fávaro, o papel do seminário é ouvir a realidade das pessoas antes de propor leis e políticas públicas. Segundo o senador, não é possível enfrentar problemas tão complexos apenas a partir dos gabinetes, sem compreender o drama vivido dentro das casas.
“Quando uma mãe, um pai, um filho ou um irmão relata que perdeu a paz dentro de casa por causa das apostas, das drogas ou do adoecimento emocional, nós estamos diante de um problema que deixou de ser individual e passou a ser social. Muitas famílias hoje enfrentam verdadeiras pragas dentro de casa, que destroem renda, convivência, saúde mental e perspectiva de futuro. O nosso compromisso é ouvir essas pessoas, entender a realidade e transformar essa escuta em leis, prevenção, tratamento e proteção para as famílias”, afirmou Fávaro.
A médica e pré-candidata ao Governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko, também participou do seminário e chamou atenção para os efeitos do problema na saúde pública. Segundo ela, o vício em apostas e outras formas de compulsão já aparecem nos consultórios, nas unidades de saúde e nos relatos de familiares que não sabem como agir.
“Esse é um problema que já chegou à saúde pública. O vício em apostas pode provocar ansiedade, depressão, insônia, endividamento, conflitos familiares e até situações extremas. Muitas vezes, a pessoa não procura ajuda porque sente vergonha ou porque sequer reconhece que está doente. Por isso, é fundamental tratar esse tema com seriedade, sem preconceito, mas também sem omissão”, afirmou Natasha.
O seminário de Rondonópolis integra uma série de encontros realizados por Fávaro em Mato Grosso. A iniciativa já passou por Cuiabá e Várzea Grande, e a próxima edição está prevista para ocorrer em Lucas do Rio Verde. A proposta é construir, a partir da escuta da população, um diagnóstico mais próximo da realidade das famílias mato-grossenses e reunir subsídios para projetos de lei e ações de enfrentamento.
Cuiabá
Cuiabá registra queda de 88% nos casos de Covid-19 e alta de 75% nas notificações de influenza
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá divulgou, na sexta-feira (31), o Boletim Epidemiológico de Vigilância dos Vírus Respiratórios, que reúne dados das semanas epidemiológicas 1 a 29 de 2026, compreendendo o período de 4 de janeiro a 25 de julho. O levantamento aponta uma queda expressiva nos casos de Covid-19 na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, enquanto as notificações de influenza A e B apresentaram crescimento, comportamento considerado esperado para esta época do ano.
Segundo o documento, foram confirmados 121 casos de Covid-19 na capital, sendo 96 em moradores de Cuiabá e 25 em pacientes de outros municípios. No período, a doença causou cinco óbitos, dois deles de residentes da cidade e três de outras localidades. A taxa de mortalidade entre os moradores da capital permaneceu classificada como muito baixa, com 0,29 óbito por 100 mil habitantes.
Na comparação com as semanas epidemiológicas 1 a 29 de 2025, quando foram notificadas 1.043 ocorrências, a capital registrou uma redução de 88,39% nos casos de Covid-19.
Influenza em alta
Por outro lado, o boletim mostra aumento das notificações de influenza A e B. Foram contabilizados 2.386 casos no período, sendo 1.858 entre residentes de Cuiabá e 528 em pacientes de outros municípios. Também foram confirmados 21 óbitos relacionados à doença, dos quais 16 ocorreram entre moradores da capital.
O crescimento é de 74,95% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 1.062 casos entre residentes. A Vigilância Epidemiológica atribui o cenário à maior circulação dos vírus respiratórios, à baixa cobertura vacinal e à ampliação da oferta de exames em 2026. O boletim destaca ainda que boa parte das notificações vem da rede privada de saúde.
Diante do quadro, a SMS reforça que a vacina contra a influenza está disponível nas 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) de Cuiabá. A imunização é destinada aos grupos prioritários: idosos com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde e professores. A vacinação é a principal forma de prevenção contra as complicações provocadas pelo vírus e contribui para reduzir internações e óbitos.
As crianças de até 6 anos seguem como o grupo mais afetado pela influenza, com 966 casos registrados. Em seguida aparecem pessoas de 15 a 59 anos, com 673 casos, e crianças e adolescentes de 7 a 14 anos, com 572 notificações. Entre idosos com 60 anos ou mais, foram registrados 175 casos.
SRAG
O levantamento também traz dados sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Entre as semanas epidemiológicas 1 e 29, foram registrados 1.463 casos hospitalizados, dos quais 1.043 eram residentes de Cuiabá. Desse total, 970 pacientes receberam alta hospitalar, 373 permaneciam em investigação e foram contabilizados 120 óbitos.
Em relação às internações por Covid-19, foram registrados 27 casos de SRAG, com cinco óbitos. Já a influenza foi responsável por 332 internações por SRAG, resultando em 21 mortes, sendo 16 entre moradores de Cuiabá. A maioria dos óbitos ocorreu entre idosos com mais de 60 anos.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que pessoas com sintomas gripais mantenham os cuidados para evitar a transmissão dos vírus respiratórios, como higienizar frequentemente as mãos, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e procurar atendimento médico em caso de sinais de agravamento, como falta de ar, febre persistente e dificuldade para respirar. A população pertencente aos grupos prioritários também deve aproveitar a disponibilidade da vacina nas USFs para garantir proteção contra a influenza.
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