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Mato Grosso

Defensoria garante que neta seja reconhecida como filha após 46 anos

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Com o apoio da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), a monitora escolar Kelly Benedita Carvalho da Luz, de 46 anos, conseguiu retificar sua certidão de nascimento para incluir os nomes de sua mãe biológica, Vanda Maria de Carvalho Luz, e do pai socioafetivo, José da Luz. A decisão judicial, homologada em 11 de março, corrige um registro feito em 1980, quando os avós maternos, Lísia Fermina dos Santos Carvalho e José Paes de Carvalho (falecido em 2009), foram listados como pais para proteger a família do estigma social da época.

“Era uma coisa que eu tinha muita vontade. Tive que comprovar, foi muito burocrático, mas contei com o apoio da Defensoria. Estou ansiosa para receber logo a certidão atualizada”, revelou Kelly, que agora passa a assinar oficialmente o sobrenome “da Luz”.

Uma história de afeto e proteção

Nascida em Cuiabá em 1980, Kelly teve a mãe biológica, Vanda, com apenas 16 anos, em situação de vulnerabilidade e sem apoio do pai biológico. Para resguardar a jovem e a recém-nascida, os avós maternos registraram a neta como filha deles – uma prática comum na época. Dentro de casa, porém, a verdade afetiva sempre prevaleceu: Vanda e, logo após, José da Luz, que assumiu Kelly como filha desde o primeiro ano de vida, foram seus verdadeiros pais.

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“Ele escolheu ser meu pai quando minha mãe estava desamparada por ser uma menina jovem com um bebê e sem nenhum apoio. Eu até esqueço que ele não é (o pai biológico). Sempre chamei ele de pai. Ele que entrou no meu casamento. Sou mais apegada com ele do que com minha mãe”, declarou Kelly, sem mágoas pela decisão dos avós. “Minha mãe e meus avós também não foram culpados. Minha avó agiu de boa-fé. Minha mãe conta que sofreu muito.”

O desejo de retificação ganhou força com o envelhecimento da avó, hoje com 96 anos e saúde frágil, e o crescimento dos filhos de Kelly – uma menina de 6 anos e um menino de 13. “Se acontecer algo, no papel minha mãe é tia dos meus filhos. Meu filho já é grande, ele já entende”, explicou.

Atuação humanitária da Defensoria

Em novembro de 2025, o defensor público Gonçalbert Torres de Paula ingressou com a ação para desconstituir a paternidade dos avós e reconhecer a maternidade biológica e a socioafetiva. O caso avançou rapidamente por meio de um acordo homologado em audiência de conciliação em 25 de fevereiro. José da Luz, 67 anos, confirmou: “Eu sempre a tratei como minha filha. Participei do batizado dela. Estou decidido a ter meu nome como pai da Kelly.”

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O defensor Diogo Madrid Horita, que atuou no caso, destacou a sensibilidade da abordagem: “Por meio de uma atuação sensível e humanitária, a Defensoria Pública, valendo-se de procedimento simplificado de autocomposição, não apenas auxiliou na regularização de uma situação que perdurava por mais de quatro décadas, como também assegurou a devida orientação quanto aos direitos envolvidos e, sobretudo, restabeleceu a verdade biológica, cicatrizando uma ferida histórica no seio familiar e produzindo efeitos que transcendem a esfera íntima, ao recompor a ordem legítima da sucessão hereditária.”

A sentença, proferida pelo juiz Ricardo Nicolino de Castro, determinou a retificação imediata do registro civil, devolvendo a “dignidade” à história de Kelly. “Precisava muito regularizar minha vida afetiva com a minha vida jurídica. Meus pais ocupam o lugar mais sagrado no meu coração”, concluiu a monitora escolar de uma escola pública em Lucas do Rio Verde (331 km de Cuiabá).

 

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Mato Grosso

Proposta conduzida por Gilberto Figueiredo é aceita e destrava acordo de R$ 30 milhões para Santa Casa

Oferta do Governo de MT, formalizada em março, avança no TRT e pode destravar pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas há anos

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Santa Casa de Cuiabá, (no detalhe) ex-secretário Estadual de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo

A proposta de R$ 30 milhões apresentada pelo Governo de Mato Grosso, conduzida pelo então secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, foi aceita pelos credores da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá e pode representar um avanço decisivo na quitação de dívidas trabalhistas que se arrastam há anos.

A informação consta no processo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, nesta terça-feira (14.04), onde a Comissão de Credores manifestou concordância com a proposta do Estado, destacando que o pagamento à vista foi determinante para a decisão.

A proposta foi formalizada por meio de ofício encaminhado ao TRT no dia 17 de março de 2026, após reunião entre representantes do governo e credores. No documento assinado por Figueiredo, o Estado elevou a oferta inicial de R$ 25 milhões para R$ 30 milhões, acatando contraproposta apresentada pelos trabalhadores, consolidando um entendimento construído ao longo das negociações.

Ao comentar o desfecho, Gilberto Figueiredo detalhou a evolução da proposta e o processo de negociação. “Nós fizemos uma proposta inicialmente de R$ 20 milhões, depois avançamos para R$ 25 milhões. A comissão de credores pediu uma reavaliação, e foi quando levamos para R$ 30 milhões. Eu mesmo assinei o ofício encaminhando essa proposta ao TRT”, afirmou.

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Segundo ele, o diferencial da proposta do Estado foi justamente o pagamento imediato. “Havia outras propostas com valores maiores, mas parceladas por muitos anos. Quando os credores trouxeram isso para valor presente, entenderam que a nossa proposta, à vista, era mais vantajosa”, explicou.

“Os trabalhadores já esperam desde 2019. Não faria sentido estender isso por mais oito anos. Por isso, a proposta à vista foi a melhor solução”, reforçou.

HISTÓRICO

O processo trata da venda judicial do imóvel da Santa Casa para pagamento de dívidas trabalhistas, que ultrapassam R$ 47 milhões. O prédio foi avaliado em cerca de R$ 78 milhões, o que gerou debate sobre os valores apresentados.

A decisão no TRT considerou que a proposta do Estado atende ao objetivo principal da execução trabalhista: garantir efetividade no pagamento aos credores. Pela legislação, o valor da venda não é analisado apenas em relação à avaliação do imóvel, mas também pela sua capacidade de quitar os débitos.

Na proposta, Gilberto Figueiredo também destacou que o Estado já desembolsou mais de R$ 33 milhões pela utilização da estrutura da Santa Casa desde 2019, período em que a unidade está sob requisição administrativa.

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Somando esse valor às indenizações mensais e à proposta atual de aquisição, o montante total envolvido chega a cerca de R$ 66 milhões, reforçando a continuidade da atuação do Estado na manutenção da unidade.

Para ele, o acordo representa não apenas uma solução financeira, mas também estratégica para a saúde pública. “Não é apenas a compra de um prédio. Nós apresentamos um plano para manter a unidade em funcionamento, ampliando serviços e garantindo atendimento à população”, disse.

Figueiredo ressaltou ainda que a intenção é manter e fortalecer os atendimentos essenciais. “A ideia é continuar com serviços como oncologia e hemodiálise e ampliar a oferta dentro do nosso plano operativo”, pontuou.

Com a aceitação pelos credores, o processo avança para a fase de formalização da venda judicial. O TRT ainda deve notificar oficialmente o Estado e seguir com os trâmites legais, incluindo a publicação de edital.

Há ainda etapas formais, como a consulta a outros entes públicos, mas a expectativa é de que a proposta do Governo de Mato Grosso seja consolidada.

“Esse é um momento de comemoração. Estamos muito próximos de resolver um problema histórico, garantindo o pagamento aos trabalhadores e a continuidade dos serviços de saúde”, concluiu Gilberto Figueiredo.

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