POLÍTICA NACIONAL
Debate sobre mudanças no Código de Trânsito reforça foco em educação e segurança
Trinta e sete mil pessoas morrem anualmente em acidentes de trânsito no Brasil, que são a principal causa de mortes entre quem tem entre 5 e 29 anos de idade. Há mais de dez anos, um projeto (PL 8085/14) vem sendo discutido na Câmara para mudar o Código de Trânsito Brasileiro para tentar reduzir esses números.
Audiência pública realizada pela comissão especial que analisa o projeto de lei contou com a presença de especialistas em trânsito, psicologia do tráfego e mobilidade urbana, além de representantes de autoescolas e ciclistas.
Originalmente, o texto do PL 8085/14 trata das aulas práticas de direção em vias públicas na formação de condutores. Mas, ao longo dos anos, diversos temas passaram a entrar no debate, como os pedágios free flow, que são automáticos, sem barreiras.
Ansiedade
Eduardo Moita, especialista em psicologia do trânsito, defendeu a união da engenharia com a educação e a psicologia, que traga mudança no hábito da “pressa desnecessária”.
“A Organização Mundial da Saúde colocou o Brasil como sendo um dos países mais ansiosos do mundo. Então, isso não está em um único campo, não está só na sua casa, na minha casa, está na hora em que a gente se movimenta”, disse. Para Eduardo Moita, “mesmo não estando atrasado, a gente, às vezes, vai numa celeridade desnecessária, e a gente precisa entender que a vida está em primeiro lugar.”
Segundo Moita, o aumento do valor de multas não provocou redução no número de acidentes e de mortos no trânsito. A alta velocidade é responsável pela metade das mortes no trânsito em países com média e baixa renda. A 70 km/h, uma pessoa atropelada tem apenas 2% de chance de sobreviver, mas a 50 km/h a chance aumenta para 15%.

Limites
A gerente de mobilidade urbana da WRI Brasil, Paula Santos, defende o limite de 50 km/h no espaço urbano, por causa da maior presença de pedestres e ciclistas.
O representante da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, Ricardo Machado, lembra que, para quem anda de bicicleta, o risco é grande. “A velocidade em que os carros trafegam, principalmente nas avenidas, nos centros urbanos, em vias onde tem um alto índice de pedestres, dos próprios ciclistas, escolas, não é uma velocidade que é compatível com a vida, não é uma velocidade que o corpo humano pode suportar em caso de um sinistro”, observou.
Mais educação
O relator da proposta, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), um dos autores do pedido de audiência pública, ressaltou a evolução do trânsito e a entrada de novos elementos, como bicicletas elétricas e pedágios free flow. Para ele, refletir sobre essas mudanças deve passar longe do aumento da punição a infratores.
“O que tem que aumentar é a educação. O Brasil é um dos países que mais têm mortes no trânsito, então tem algo errado, porque o Brasil também é o que mais pune no trânsito, então a punição não é a solução, mas campanhas educativas, qualidade na sua formação, melhoria para quem quer tirar uma CNH, preparar esse jovem com 12, 13, 14 anos para receber educação de trânsito nas escolas”, disse Ribeiro.
Desde 2018 está em vigor o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões (Lei 13.614/18), que tem o objetivo de reduzir pelo menos em 50% as mortes e lesões graves no trânsito brasileiro até 2030. O plano tem cono foco: gestão da segurança, vias seguras, segurança veicular, educação, atendimento às vítimas e fiscalização.
Aureo Ribeiro deve apresentar seu relatório ainda neste semestre e espera que o projeto que muda o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97) seja aprovado ainda em 2026. O Maio Amarelo 2026 começa com o alerta de que dados preliminares indicam aumento de 13% nas mortes no trânsito nas rodovias federais nos primeiros dois meses de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Sob articulação de Fávaro, comissão aprova MP do frete mínimo e garante avanços a transportadores e contratantes
A Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou, nesta quarta-feira (17), o relatório da Medida Provisória 1343 de 2026, que trata do valor mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. A proposta, encaminhada pelo Governo Federal, avança com medidas importantes para valorizar caminhoneiros e transportadores, reforçar a fiscalização e garantir mais segurança nas relações entre transportadores e contratantes.
O senador Carlos Fávaro teve participação direta na articulação para a construção de um texto de equilíbrio, capaz de atender a uma pauta histórica dos transportadores sem deixar de ouvir os setores envolvidos na economia do transporte. Para o senador, o resultado representa um avanço concreto para quem vive da estrada e movimenta a produção de Mato Grosso e do Brasil.
“Participei da articulação para chegarmos a um bom termo. Tivemos a prudência de ouvir os transportadores, os caminhoneiros, os contratantes e os setores produtivos. O texto aprovado preserva o essencial que é fazer justiça com quem transporta a riqueza do nosso país”, afirmou Fávaro.
Entre os principais pontos aprovados está a obrigatoriedade de cadastramento das operações de transporte rodoviário de cargas e da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT. O código deverá reunir informações como origem e destino da carga, contratante, transportador e valor do frete, fortalecendo o controle sobre as operações e ajudando a impedir a contratação abaixo do piso mínimo.
O relatório também mantém medidas administrativas para reforçar o cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Na prática, a medida amplia a capacidade de fiscalização e cria instrumentos para dar mais efetividade à tabela do frete mínimo, uma reivindicação antiga dos caminhoneiros.
Outro ponto positivo aprovado foi a previsão de piso salarial de R$ 5 mil para motoristas profissionais contratados por transportadoras. A medida representa mais reconhecimento para a categoria e fortalece a valorização dos profissionais que atuam diretamente no transporte de cargas em todo o país.
Fávaro destacou que a aprovação na Comissão Mista é um passo importante, mas afirmou que seguirá acompanhando a tramitação da MP no Congresso Nacional para garantir que os avanços sejam preservados.
“Essa medida é importante porque valoriza uma categoria essencial. Os caminhoneiros e transportadores fazem o Brasil andar. Vou continuar trabalhando para que o frete mínimo seja respeitado e para que essa pauta avance com equilíbrio, responsabilidade e justiça”, disse o senador.
Após a aprovação na Comissão Mista, a medida segue para análise do plenário da Câmara dos Deputados e, depois, do plenário do Senado Federal.
-
esportes7 dias atrásRaphinha exalta Ancelotti e se diz mais maduro para a Copa do Mundo de 2026
-
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT6 dias atrás2ª Expedição Justiça Sem Fronteiras começa nesta quinta-feira
-
AGRO & NEGÓCIO3 dias atrásSenado aprova uso do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas do agro
-
AGRO & NEGÓCIO3 dias atrásEl Niño ameaça safra de grãos e trava a logística nacional
-
esportes6 dias atrásMéxico vence África do Sul no Estádio Azteca em abertura marcada por cartões vermelhos
-
esportes6 dias atrásAlisson iguala marca histórica de Gylmar e Taffarel ao iniciar sua terceira Copa como titular
-
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT5 dias atrásJustiça condena homem a 16 anos por tentativa de homicídio brutal
-
esportes3 dias atrásCuiabá vence o Vila Nova e encosta no pelotão de cima da Série B




