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Auditoria do Tribunal de Contas revela falhas no combate à violência infantil em Mato Grosso

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Presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública, conselheiro Waldir Teis | Foto: Alex Praeiro

Mato Grosso está entre os estados brasileiros com maiores índices de violência contra crianças e adolescentes, mas a maioria dos municípios ainda não possui estrutura adequada para enfrentar o problema. O alerta consta no relatório preliminar da auditoria operacional sobre as Políticas de Prevenção e Enfrentamento da Violência Infantil apresentado pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), nesta quinta-feira (9), que identificou fragilidades no planejamento, na articulação institucional e na execução de políticas públicas voltadas à proteção da infância.

O levantamento, realizado em 2025 no âmbito estadual e municipal, integra o Projeto Infância Segura e avaliou aspectos como planejamento, orçamento, ações preventivas e capacitação de profissionais. Os resultados apontam a necessidade urgente de fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA), sendo que a reunião teve como objetivo validar os resultados e alinhar diretrizes para o aprimoramento das políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes.

Relator do processo, o vice-presidente do TCE-MT e presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública, conselheiro Waldir Júlio Teis, destacou a urgência do tema diante dos dados levantados.

“Mato Grosso está entre os 10 estados do país com maiores indicadores, como mortes violentas de crianças, maus-tratos e estupro de vulnerável. A proteção das crianças precisa ser uma prioridade. Essa auditoria evidenciou níveis alarmantes de violência infantil e a necessidade de reforçar as políticas públicas. Nos reunimos hoje para apresentar o resultado e ouvir as instituições envolvidas em âmbito estadual e de alguns municípios, pois é urgente resolver esse problema”, afirmou.

A auditoria integra o Projeto Infância Segura, desenvolvido nacionalmente, e teve como foco avaliar aspectos essenciais como planejamento e orçamento, articulação intersetorial, ações estruturadas de prevenção e capacitação de profissionais. O trabalho apontou desafios relevantes e oportunidades de aprimoramento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA).

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Entre os principais achados, destaca-se a ausência de planejamento estruturado. Apenas seis municípios mato-grossenses possuem plano vigente de prevenção e enfrentamento da violência infantil, além de falhas na priorização orçamentária, contrariando o princípio da prioridade absoluta previsto na legislação.

O relatório técnico preliminar da auditoria operacional sobre as Políticas de Prevenção e Enfrentamento da Violência Infantil foi apresentado nesta quinta-feira.
O relatório técnico preliminar da auditoria operacional sobre as Políticas de Prevenção e Enfrentamento da Violência Infantil foi apresentado nesta quinta-feira.

Responsável técnico pela auditoria, o auditor público externo e secretário da 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex), Felipe Favoreto Groberio, explicou que o encontro marca uma etapa importante do processo.

“Hoje apresentamos um painel de referência, que consiste em uma apresentação aos gestores que atuam no combate à violência infantil, com os principais achados da auditoria operacional e as recomendações dela decorrentes. Após esta apresentação e a validação dos achados pelos gestores, será elaborado um relatório técnico preliminar, que será encaminhado aos gestores para manifestação sobre as recomendações”, esclareceu o auditor.

Outro ponto crítico identificado foi a fragilidade na articulação entre os órgãos que compõem o SGDCA. No âmbito estadual, as instâncias formalmente instituídas não apresentam efetividade. Já nos municípios, 77% não possuem Comitê de Gestão Colegiada e 86% não contam com protocolos integrados de atendimento, o que aumenta o risco de revitimização institucional.

Para a vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, o fortalecimento da rede é essencial para mudar esse cenário. “A rede de apoio é fundamental, e este projeto do TCE se torna especialmente relevante diante do alarmante número de casos de violência contra crianças e adolescentes. É crucial não apenas punir os agressores, mas também implementar medidas preventivas. A capacitação de professores, por exemplo, é essencial para que possam identificar sinais de sofrimento e atuar em favor das vítimas.”

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No mesmo sentido, a defensora pública Cleide Regina Ribeiro Nascimento reforçou a necessidade de integração entre as instituições. “Para combater a violência contra crianças e adolescentes, é imprescindível fortalecer as instituições e, principalmente, promover a integração entre os órgãos públicos. A auditoria do TCE-MT serve como ponto de partida para a implementação de ações concretas”, afirmou.

A importância da atuação conjunta também foi destacada pela coordenadora de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Vulneráveis da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), Ana Paula Reveles Carvalho. “O trabalho intersetorial, discussões como a de hoje, são fundamentais para que cada instituição compartilhe suas ações e identifique os desafios a serem superados. Dessa forma, podemos, em conjunto, alcançar resultados ainda mais expressivos no combate à violência.”

Encaminhamentos

Alex Praeiro/TCE-MTResponsável técnico pela auditoria, o secretário da 2ª Secex, Felipe Favoreto Groberio, explicou que o encontro marcou uma etapa importante do processo.
Responsável técnico pela auditoria, o secretário da 2ª Secex, Felipe Favoreto Groberio, explicou que o encontro marcou uma etapa importante do processo.

Diante dos achados, o TCE-MT propôs uma série de encaminhamentos ao Estado e aos municípios, com foco no fortalecimento do planejamento, garantia de prioridade orçamentária, ampliação da articulação intersetorial e investimento em ações de prevenção e capacitação.

Entre as recomendações ao governo, estão a elaboração do Plano Estadual de Prevenção e Enfrentamento da Violência Infantil, sua vinculação ao orçamento e a instituição de uma política contínua de formação dos profissionais da rede, além de estudo para implantação de Centros de Atendimento Integrado (CAIs) em Cuiabá e Várzea Grande.

Já aos municípios, foi recomendada a elaboração de planos municipais, criação de comitês de gestão colegiada, implantação de fluxos integrados de atendimento, inclusão do tema nos currículos escolares e ampliação de campanhas de conscientização.

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Tribunal de Contas inicia diagnóstico de maturidade digital para modernizar gestão dos 142 municípios de Mato Grosso

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Conselheiro Alisson Alencar

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), por meio da Comissão Permanente de Transformação Digital e Disrupção (CPT2D), presidida pelo conselheiro Alisson Alencar, deu início à etapa de coleta de informações do Diagnóstico de Maturidade Digital dos Municípios de Mato Grosso. O link de acesso ao questionário eletrônico foi encaminhado às 142 prefeituras do Estado nesta quarta-feira (15).

O diagnóstico integra a estratégia de orientação e modernização da gestão pública desenvolvida pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, e é o maior levantamento já realizado sobre o nível de transformação digital dos municípios.

De acordo com Alisson, a coleta de informações é a fase mais importante do trabalho. “As informações revelarão como os municípios estão utilizando a tecnologia para melhorar os serviços oferecidos ao cidadão. Nosso objetivo não é estabelecer rankings, mas conhecer essa realidade para apoiar os gestores na construção de administrações mais modernas, eficientes e conectadas às necessidades da população”, destaca.

Cada prefeitura deverá indicar um servidor responsável pelo preenchimento do questionário, que estará disponível até o dia 29 de agosto. O preenchimento leva de 20 a 25 minutos, quando as informações já estão reunidas.

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O que será avaliado

A iniciativa vai reunir informações sobre governança digital, infraestrutura tecnológica, serviços públicos digitais, transparência, proteção de dados, participação social e uso estratégico da tecnologia na gestão pública. A partir disso, o TCE-MT poderá subsidiar ações baseadas nos desafios, potencialidades e oportunidades de evolução identificados.

Alisson reforça que o Diagnóstico de Maturidade Digital possui caráter institucional, colaborativo e orientativo, sem finalidade punitiva. Os resultados servirão como base para futuras ações de orientação, capacitação e disseminação de boas práticas, fortalecendo a inovação e a transformação digital nos municípios mato-grossenses.

O trabalho reforça a atuação da CPT2D, criada para estimular a inovação no setor público e apoiar os municípios na adoção de soluções tecnológicas que contribuam para uma gestão mais eficiente, transparente e centrada no cidadão.

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