Saúde
Auditoria do DenaSUS verifica o extravio de prontuários médicos em Campo Grande
O Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) instalou um processo para verificar o extravio de prontuários médicos do Centro de Atenção Psicossocial III (Caps III) Aero Rancho, localizado em Campo Grande. O órgão recebeu a denúncia em outubro de 2024 e prontamente acatou o pedido de admissibilidade pela abertura de uma auditoria. O DenaSUS já solicitou à Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande um conjunto de documentos, como a relação de todos os prontuários físicos dos pacientes atendidos no CAPS Aero Rancho entre 2009 e 2024.
A iniciativa do DenaSUS contribuiu para a operação SOS Caixa Preta conduzida pela Polícia Civil do estado, na manhã desta segunda-feira (7). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois endereços residenciais de servidoras públicas investigadas e nas dependências da sede do Caps.
Rafael Bruxellas, diretor do DenaSUS, está hoje em Campo Grande para uma reunião com a secretária de Saúde do município, Rosana Leite. Foi preciso esperar a operação policial para dar início à auditoria local, explica o diretor. “A partir da documentação, analisaremos qualquer indício de fraude”, aponta.
A investigação teve início a partir de representação formal da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, que relatou a destruição sistemática de prontuários físicos de pacientes em tratamento psiquiátrico. Os documentos devem ser preservados por, no mínimo, 20 anos conforme legislação.
Os Caps precisam comprovar atendimentos e ações com registros documentais para manter a habilitação como serviço de saúde mental, além de incentivos financeiros do Ministério da Saúde e da gestão estadual e municipal. Sem os prontuários, podem haver auditorias negativas e a suspensão de verbas.
Prontuários
O prontuário médico é um documento que contém informações sobre a saúde de uma pessoa – incluindo histórico médico, medicamentos, alergias, exames e diagnósticos – e deve ser mantido por, no mínimo, 20 anos conforme a Lei nº 13.787/2018. O descumprimento da legislação pode resultar em multas aplicadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Além de conter o histórico clínico completo do paciente, o prontuário garante que os profissionais saibam dos tratamentos anteriores, medicações usadas, evoluções, crises, entre outras informações, e facilitam intervenções mais seguras e eficazes, especialmente de equipes multidisciplinares. “Pacientes com transtornos mentais muitas vezes retornam ao serviço. Ter o prontuário arquivado permite compreender possíveis recaídas, padrões de comportamento, além de fornecer dados essenciais à formulação de políticas públicas na área da saúde”, destaca Rafael Bruxellas.
Levantamento feito pelo DenaSUS mostra que o município utiliza um sistema pago para alimentar os dados de atendimento junto ao SUS. “Esse sistema se mostrou incapaz de atender as necessidades de saúde, o que é exigido para essa população em específico. O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a todos os municípios do país o PEC-Esus, que é um prontuário eletrônico com alta interface com o ministério e amplas possibilidades de uso”, afirma o diretor
Sobre o DenaSUS
O DenaSUS é responsável pela auditoria do Sistema Único de Saúde e atua como um instrumento estratégico de gestão para o fortalecimento do sistema de saúde. Além das auditorias realizadas diretamente, o DenaSUS busca fortalecer os componentes estaduais e municipais do Sistema Nacional de Auditoria (SNA), promovendo a padronização de práticas, a melhoria organizacional e o aprimoramento dos normativos que regem a atuação dos órgãos auditados.
Rafael Ely
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Agosto Cinza alerta para diagnóstico precoce e tratamento da catarata
O Agosto Cinza é uma campanha dedicada à conscientização sobre a catarata, doença considerada a principal causa de cegueira reversível no Brasil. A iniciativa busca alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para evitar a perda da visão e preservar a qualidade de vida, especialmente entre os idosos.
De acordo com pesquisas epidemiológicas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a catarata afeta cerca de 14 milhões de brasileiros. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima ainda que aproximadamente 550 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente no país.
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural dos olhos responsável por focalizar as imagens, perde sua transparência de forma progressiva. Com isso, a visão se torna embaçada, semelhante à sensação de olhar através de um vidro fosco. Entre os sintomas mais comuns estão a dificuldade para enxergar à distância, sensibilidade à luz, necessidade frequente de troca dos óculos e alterações na percepção das cores.
Segundo o oftalmologista Dr. Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá (HOC), a catarata faz parte do processo natural de envelhecimento, mas não deve ser encarada como uma consequência inevitável da idade. “A catarata é uma condição muito comum, principalmente após os 60 anos, mas hoje contamos com diagnóstico preciso e tratamento seguro. O mais importante é que o paciente não espere a perda importante da visão para procurar avaliação oftalmológica”, afirma.
Embora o envelhecimento seja o principal fator de risco, a catarata também pode estar associada a doenças como diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares e exposição excessiva à radiação ultravioleta.
O especialista destaca que o tratamento é altamente eficaz e pode devolver qualidade de vida aos pacientes. “A cirurgia de catarata evoluiu muito nos últimos anos. Atualmente utilizamos técnicas modernas, com anestesia local e rápida recuperação. Trata-se de um procedimento seguro, que permite restaurar a visão comprometida pela opacificação do cristalino e devolver autonomia ao paciente”, ressalta.
A cirurgia consiste na retirada do cristalino opaco e na implantação de uma lente intraocular. Em muitos casos, o procedimento dura poucos minutos e o paciente já percebe melhora visual nos primeiros dias após a operação.
Dr. Antônio Sardinha reforça que a avaliação oftalmológica periódica é fundamental para identificar a doença precocemente e indicar o melhor momento para a cirurgia. “Cada paciente deve ser analisado de forma individual. A indicação do tratamento não depende apenas da presença da catarata, mas principalmente do impacto que ela causa nas atividades do dia a dia e na qualidade de vida”, conclui.
A campanha Agosto Cinza reforça que consultas regulares com o oftalmologista são essenciais, especialmente após os 50 anos. O diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado permitem identificar alterações visuais ainda nas fases iniciais e garantem melhores resultados no tratamento.
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