POLÍTICA NACIONAL
Aprovado uso de veículos do transporte escolar rural por professores
O Senado aprovou nesta quarta-feira (2) projeto que permite a professores e outros estudantes ocupar vagas disponíveis em veículos do transporte escolar rural, desde que não seja prejudicado o atendimento aos alunos da educação básica pública que vivem no campo. A proposta, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), volta à Câmara dos Deputados, porque foi modificada pelos senadores.
O Projeto de Lei (PL) 743/2023 foi aprovado na forma do substitutivo (texto alternativo) da relatora, senadora Jussara Lima (PSD-PI), que havia recebido o aval da Comissão de Educação (CE) em agosto.
Pelo texto, o compartilhamento também poderá ocorrer em veículos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e de outras escolas federais. A versão aprovada pelo Senado mantém e atualiza dispositivo da Lei 12.816, de 2013, que trata do uso desses veículos, em vez de revogá-lo, como previa o texto aprovado pela Câmara.
Nos casos previstos no texto, estados, Distrito Federal e municípios deverão regulamentar a medida e definir os trechos em que o uso compartilhado será permitido.
Otimização da frota
O projeto altera a Lei 10.880, de 2004, que dispõe sobre o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate). Na avaliação de Jussara, a mudança pode facilitar o deslocamento de professores que trabalham em comunidades rurais e de estudantes de localidades com pouca oferta de transporte regular.
A relatora argumenta que a medida também pode reduzir a necessidade de frotas paralelas e permitir melhor aproveitamento dos veículos já disponíveis, sem desvirtuar a finalidade social do programa.
Uma emenda do senador Camilo Santana (PT-CE) incluiu expressamente os estudantes dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia entre os possíveis beneficiários. Jussara ampliou o alcance da medida para toda a rede federal de educação profissional, científica e tecnológica.
Conforme o relatório, a rede reúne 39 institutos federais, dois centros federais de educação tecnológica, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o Colégio Pedro II e 22 escolas técnicas, entre elas colégios agrícolas vinculados a universidades federais.
POLÍTICA NACIONAL
CCJ do Senado aprova PEC que prevê fim da escala 6×1
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (2), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da jornada de trabalho no regime 6×1. A proposta estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas.
A matéria foi aprovada por votação simbólica e agora será encaminhada ao plenário do Senado, onde precisará ser analisada em dois turnos antes de uma eventual aprovação definitiva.
O texto prevê ainda uma transição de 14 meses para a implementação da nova jornada. Para ter o direito de discutir a proposta no plenário, o candidato deverá observar as regras regimentais aplicáveis à tramitação de propostas de emenda à Constituição.
Dos 27 senadores presentes na reunião da CCJ, quatro se posicionaram contra a PEC: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição; Hamilton Mourão (Republicanos-RS); Tereza Cristina (PP-MS); e Jaime Bagattoli (PL-RO).
Relator da proposta, o senador Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou as 36 emendas apresentadas ao texto. Entre as sugestões recusadas estavam a manutenção da escala 6×1, a possibilidade de jornadas superiores a 40 horas semanais, a ampliação do período de transição para até quatro anos e a criação de compensações fiscais para as empresas.
“Até porque todas as emendas que foram apresentadas, as 36 emendas, nenhuma pede mais benefício para o trabalhador”, justificou o relator.
Durante a sessão, Rogério Marinho criticou o tempo destinado à discussão da proposta e afirmou que a redução da jornada poderia provocar efeitos negativos na economia, como aumento da inflação, do desemprego e da informalidade.
“Nós vamos gerar, sem dúvida nenhuma, inflação, desemprego e informalidade em nome da perpetuação do projeto de poder”, declarou o senador.
O parlamentar defendeu uma proposta alternativa, que prevê um regime de trabalho por hora, além de negociações individuais entre empregadores e trabalhadores para definir as escalas. Marinho também apresentou um destaque para limitar o descanso remunerado a apenas um dia por semana, mas a sugestão foi rejeitada pela comissão.
Segundo o senador, a PEC poderia reduzir a competitividade do país e elevar os custos para as empresas. Ele também questionou como os empregadores conseguiriam manter o mesmo nível de produção com a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) rebateu os argumentos da oposição e afirmou que críticas semelhantes são apresentadas sempre que o Congresso discute a ampliação de direitos trabalhistas.
Para ela, o fim da escala 6×1 contribuirá para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente das mulheres que acumulam jornadas profissionais e domésticas.
“Toda vez que o Congresso Nacional busca assegurar direitos trabalhistas, o discurso é o mesmo, a economia vai quebrar, o desemprego vai imperar, a inflação vai ocorrer. Isso é um discurso simplesmente para atender os grandes empresários deste país”, afirmou.
Eliziane também defendeu que a redução da jornada poderá proporcionar mais dignidade, melhorar a saúde mental e aumentar a produtividade no país.
O senador Jaime Bagattoli declarou que há dificuldades para contratar trabalhadores e defendeu a adoção de jornadas flexíveis, com pagamento por hora trabalhada. Apesar de afirmar que os empregadores desejam oferecer melhores condições de vida aos funcionários, ele disse não apoiar a PEC por considerar que a mudança poderia comprometer a produção e elevar os custos das empresas.
O relator Omar Aziz contestou a possibilidade de que a proposta provoque o colapso da economia. Ele lembrou que argumentos semelhantes foram utilizados em discussões anteriores, como na criação do 13º salário e na redução da jornada máxima de 48 para 44 horas semanais.
Aziz também criticou a possibilidade de acordos individuais para definir a jornada de trabalho. Na avaliação dele, patrões e empregados não negociam em condições de igualdade, principalmente quando o trabalhador depende da manutenção do emprego.
“O assédio ao trabalhador é quando você faz o contato individual. Ou é desse jeito ou ele está fora. Aí uma pessoa que está precisando desesperadamente daquele trabalho vai aceitar. Acordo individual é assédio ao trabalhador, sim! Acordo coletivo, não!”, declarou.
Estudos sobre os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 apresentam avaliações diferentes em relação aos impactos sobre a inflação e o Produto Interno Bruto (PIB). A PEC ainda será submetida à análise do plenário do Senado e, caso seja aprovada, seguirá para as demais etapas previstas no processo legislativo.
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