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A barragem do pudor

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Thiago Bergamasco | TCE-MT

luiz henrique lima tce

Conselheiro Interino do TCE-MT, Luiz Henrique Lima

A cruenta polarização entre extremismos ideológicos produziu, entre outros, um fenômeno trágico: o rompimento da barragem do pudor, da polidez e do bom senso na vida pública. 

 

A exemplo dos criminosos rompimentos de barragens de empresas mineradoras, que despejaram milhares de toneladas de lama tóxica sobre cidades, rios, matas e campos, ceifando a vida humana, animal e vegetal, o rompimento da barragem do pudor tem despejado sobre os brasileiros um impressionante volume de ressentimentos, ódio, preconceitos, calúnias e agressões de toda espécie.

 

Todavia, diferentemente do que ocorreu em Mariana e Brumadinho, em que a responsabilidade do crime se circunscreveu às empresas que não cumpriram as condicionantes do licenciamento ambiental e aos agentes públicos que não as fiscalizaram como deveriam, no caso da barragem do pudor, observa-se que ela é alvejada diariamente dezenas de milhares de vezes, em especial nas redes sociais. 

Ela é impiedosamente demolida por declarações de algumas autoridades incapazes de controlar os seus piores instintos, bem como por fake news fabricadas com esmero por bem remuneradas usinas do ódio; tanto umas como outras multiplicadas ao infinito por milícias digitais e até por pessoas bem-intencionadas que não percebem que, ao compartilhar infâmias, estão alimentando um monstro faminto e insaciável que poderá devorar a democracia e a boa convivência entre brasileiros de diferentes opiniões, credos e sonhos

No caso das barragens dos rejeitos da mineração, já se sabe que serão necessárias décadas para que ocorra a descontaminação do ambiente e a recuperação do que for possível dos ecossistemas atingidos. O rompimento da barragem do pudor vitimou a beleza, o respeito e a qualidade do debate pluralista e democrático entre os brasileiros sobre tantas graves questões que afetam nosso país e cujo deslinde é crucial para o nosso futuro e o das novas gerações. Todo esse esgoto polui e envenena os relacionamentos sociais e até familiares. Quanto tempo será necessário para estabelecermos um patamar civilizatório mínimo na nossa vida pública?

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Quando criança, contaram-me uma história que impressionou profundamente minha imaginação infantil: a de um menino que com seu dedo salvou um país. Havia um garoto de oito anos que, ao perceber um pequeno vazamento no dique que protegia a Holanda (Países Baixos) e compreendendo que se o vazamento não fosse imediatamente interrompido o dique se romperia e as águas destruiriam o país, colocou o seu dedo para bloquear o fluxo de água e ali permaneceu por muitas horas, resistindo ao cansaço e ao frio, até que viesse alguma ajuda e o dique fosse reparado. No parque de Madurodam, próximo a Haia, há hoje uma estátua que homenageia o pequeno herói.

 

Está mais do que na hora de todos os brasileiros de bem, quaisquer que sejam as suas preferências e opções político-ideológicas, colocarem os seus dedos para restabelecer em nossa vida pública a barragem do pudor, da polidez e do bom senso.

 

Luiz Henrique Lima é conselheiro dubstituro e vice-presidente do TCE-MT, Graduado em Ciências Econômicas, Especialização em Finanças Corporativas, Mestrado e Doutorado em Planejamento Ambiental, Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia.

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O dever da Religião

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Por Paiva Netto

Declarei ao ilustre jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016), na entrevista concedida a ele em 10 de outubro de 1981, que é dever da Religião proclamar a existência do Espírito imortal e efetivar os resultados práticos desse indispensável conhecimento na reforma do planeta.

Eis o pragmatismo que, por força da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, o Brasil oferece à humanidade, pois tais noções amadurecerão a consciência dos povos para a realidade espiritual de que ninguém consegue permanentemente escapar. Não se pode eternamente impedir a manifestação daquilo que nasce com o ser humano,

mesmo quando ateu: o sentido de Religiosidade que se expressa das mais variadas formas. Para além do debatido determinismo histórico, trata-se, acima de tudo, do Determinismo Divino, de que nos falava Alziro Zarur. Antes que fatalmente a Ciência conclua, em laboratório, sobre a perenidade da vida, cumpre à Religião não só abordar com maior objetividade a existência do Espírito após a morte, mas concomitantemente pesquisar o Mundo ainda Invisível.

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Parceria Céu e Terra

Ora, a morte não deve ser motivo de assombro nem ser tratada com desdém ou negligência. Diante da eternidade da vida, é essencial extrair seus preciosos aprendizados, que ajudaram a moldar os destinos da humanidade, contribuindo para sua continuação até aqui. Esse intercâmbio entre Terra e Céu, Céu e Terra, quando estabelecido com as forças do Bem, nos dá confiança na vida. Contar com a cooperação bendita daqueles que nos antecederam na jornada espiritual, sabendo que estão mais vivos do que nunca, incentivando-nos a boas ações, no cumprimento de nossas tarefas prometidas antes de aqui renascer, é parceria infalível.

Há décadas, preconizo que o ser humano não é somente sexo, estômago e intelecto, isto é, um saco de sangue, ossos, músculos e nervos, apenas jungido às limitadoras perspectivas do plano material. Reduzi-lo a isso é promover a cultura do fedor. A morte não é o fim; a vida é perpétua. E o Espírito é suprema realidade.

 

José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor – [email protected] — www.boavontade.com

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