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O tempo de cada coisa 12 de junho é o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil

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Por José Leão Portela

Conta a história de um menino que queria crescer rápido. Ao observar os adultos que trabalhavam, ele acreditava que a vida começava quando se conseguia um emprego, recebia um salário e assumia responsabilidades. O que ele ainda não compreendia era que, antes de tudo isso, existia uma etapa igualmente importante: o tempo de aprender, estudar, desenvolver valores e construir o caráter que o acompanharia por toda a vida.

Essa história simples nos ajuda a refletir sobre uma data que, para muitos brasileiros, é lembrada principalmente pelo Dia dos Namorados. No dia 12 de junho, o comércio ganha movimento, as vitrines recebem destaque e milhões de pessoas celebram seus relacionamentos. Mas existe uma segunda reflexão associada a esse mesmo dia que merece nossa atenção: o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil.

Como diretor financeiro da Fundação CDL, tenho a oportunidade de acompanhar iniciativas voltadas ao desenvolvimento de jovens e à preparação para o primeiro emprego. Essa experiência reforça uma verdade cada vez mais clara: o debate sobre o trabalho infantil não deve começar pelo trabalho; deve começar pela formação humana.

Há mais de dois mil anos, Aristóteles ensinou que uma sociedade justa é aquela capaz de criar condições para que as pessoas desenvolvam plenamente suas potencialidades. Em outras palavras, uma boa sociedade não é apenas aquela que gera riqueza, mas aquela que forma cidadãos preparados para exercer suas responsabilidades com liberdade, virtude e propósito.

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Essa reflexão continua extremamente atual. Existe um tempo para aprender e um tempo para ensinar. Existe um tempo para ser cuidado e um tempo para cuidar. Existe um tempo para estudar e um tempo para trabalhar. Quando respeitamos essas etapas, ajudamos crianças e adolescentes a desenvolverem as competências para enfrentar os desafios da vida adulta. Quando as antecipamos, muitas vezes comprometemos oportunidades que dificilmente serão recuperadas no futuro.

Por isso, combater o trabalho infantil não significa afastar os jovens do mundo do trabalho. Significa garantir que sua entrada ocorra no momento adequado, de forma protegida, orientada e compatível com seu desenvolvimento. Essa é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, empresas, poder público e organizações da sociedade civil.

É justamente nesse espaço que a Fundação CDL busca contribuir. Por meio do programa Capacita Jovens, trabalhamos para aproximar adolescentes e jovens do mercado de trabalho de forma responsável, oferecendo orientação, desenvolvimento e preparação para o primeiro emprego. Mais do que ensinar habilidades técnicas, buscamos fortalecer competências que acompanharão esses jovens por toda a vida: disciplina, responsabilidade, comunicação, trabalho em equipe e visão de futuro.

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Porque o primeiro emprego não começa quando alguém assina um contrato. Ele começa quando um jovem passa a acreditar em seu potencial. Começa quando uma família incentiva seus sonhos. Começa quando uma escola desperta sua curiosidade. Começa quando uma empresa decide investir na formação de novos talentos. E começa quando uma comunidade compreende que preparar seus jovens é uma das formas mais inteligentes de investir no próprio futuro.

Neste 12 de junho, enquanto celebramos os laços que unem as pessoas, vale lembrar também do compromisso de toda a sociedade: oferecer às novas gerações oportunidades para aprender, crescer e construir seu próprio caminho. Afinal, uma sociedade realmente desenvolvida não é aquela que exige mais cedo de seus filhos; é aquela que prepara melhor seus jovens para quando chegar a hora de trabalhar.

Porque, como nas coisas mais importantes da vida, existe um tempo certo para cada coisa.

José Leão Portela é Diretor Financeiro da Fundação CDL*

 

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Menopausa: quem disse que namorar tem prazo de validade?

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Por Giovana Fortunato

Com a chegada do Dia dos Namorados, é comum vermos campanhas e mensagens voltadas para casais jovens, como se o amor, a paixão e a vida sexual tivessem data para começar e idade para terminar.

Mas a realidade é bem diferente.

Todos os dias, em meu consultório, encontro mulheres que estão vivendo uma das fases mais transformadoras da vida feminina: a menopausa. E, junto com ela, surgem dúvidas, inseguranças e muitos mitos. Um dos mais comuns é a ideia de que o desejo sexual e a vida afetiva chegam ao fim quando a menstruação se despede.

A ciência mostra exatamente o contrário.

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada principalmente pela redução da produção dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio. Essa mudança pode provocar sintomas físicos e emocionais importantes, como ondas de calor, alterações do sono, irritabilidade, cansaço, ressecamento vaginal e desconforto durante as relações sexuais.

O problema é que muitas mulheres acreditam que precisam simplesmente aceitar esses sintomas como parte inevitável do envelhecimento.

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Não precisam.

Hoje sabemos que qualidade de vida também é uma questão de saúde. E isso inclui bem-estar emocional, autoestima, relacionamentos saudáveis e uma vida sexual satisfatória, se essa for a escolha da mulher.

O ressecamento vaginal, por exemplo, é uma das queixas mais frequentes após a menopausa. Além de causar desconforto, pode levar à diminuição da intimidade do casal e afetar a autoconfiança feminina. Felizmente, existem tratamentos seguros e eficazes que ajudam a restaurar o conforto e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Outro ponto importante é compreender que o desejo sexual não depende apenas dos hormônios. Sentir-se bem consigo mesma, cuidar da saúde física, manter vínculos afetivos e preservar a autoestima também influenciam diretamente a forma como a mulher vivencia sua sexualidade.

A menopausa não representa o fim da feminilidade, da sensualidade ou do amor. Pelo contrário. Para muitas mulheres, ela pode marcar o início de uma fase de maior maturidade, autoconhecimento e liberdade.

Neste Dia dos Namorados, o convite é para uma reflexão: será que você está cuidando da sua saúde com a mesma atenção que dedica às pessoas que ama?

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Se os sintomas da menopausa têm interferido no seu bem-estar, no seu relacionamento ou na sua qualidade de vida, procure orientação médica. Cuidar da saúde feminina não é apenas tratar doenças. É permitir que cada mulher viva plenamente todas as fases da sua história.

Porque namorar não tem prazo de validade. E a sua qualidade de vida também não deveria ter.

Dra. Giovana Fortunato, ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade, professora da UFMT.
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