cultura
Do Quênia à Coreia, passando pelo rasqueado; “Akane Canta Mundo” em celebração à diversidade musical global
Apresentação que reúne repertório com canções de vários países interpretada pela imigrante será no dia 19 de setembro, às 19h, com entrada gratuita
Com devoção pela MPB e bossa nova, há 11 anos, a cantora japonesa Akane Iizuka partiu da terra do sol nascente em direção à calorosa Cuiabá. E mesmo cumprindo agendas de shows em grandes metrópoles brasileiras, especialmente, em festas privadas regadas a city pop, é por aqui que decidiu ficar. De um extremo a outro, seu repertório inclui ainda, o rasqueado. Agora, a cantora que já vivenciou outros projetos como solista da Cia Sinfônica e que hoje integra a Orquestra do Sesi, decidiu enfim, protagonizar seu próprio espetáculo.
No dia 19 de setembro ela revisita sua trajetória reunindo, além do ritmo mato-grossense, músicas de diversos países que dialogam com suas vivências, resultando no show “Akane canta mundo”, que conta muito da sua história. A apresentação será no Teatro da UFMT, às 19h e com entrada gratuita. Para o repertório a intérprete e compositora selecionou música da terra natal, o Japão, da Coreia, Quênia, Venezuela e até canção em língua curda e também, em inglês. “Com certeza é um grande desafio uma japonesa cantar na língua de todos esses países”, sorri. Por fim, o público também vai conhecer “Canta Mundo”, composição própria com arranjos de Jhon Stuart. Canção esta, que dá nome ao espetáculo.
“Acho que a melhor maneira de eu me comunicar, é com a música. Para mim, ela desconhece fronteiras geográficas. Tanto essas canções, quanto a minha interação com músicos, muitas vezes se dá por meio da linguagem da melodia. E me alegra muito o diálogo musical. Na Canta Mundo, por exemplo, canto em japonês e português”, adianta Akane.
Mais cedo, para uma plateia repleta de crianças e adolescentes da rede pública de ensino, realiza concerto didático às 9h. Ao final, Akane, banda e público participam de uma roda de conversa. Neste caso, por se tratar de uma ação com incentivo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o público convidado tem direito a um certificado de participação, emitido pela Pró-Reitoria de Cultura, Esporte e Vivências (Procev), como parte de projeto de extensão. “Akane canta mundo” tem patrocínio do edital Viver Cultura – Expressões Artísticas, realizado pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), com recursos da Lei Paulo Gustavo.
A seu lado na construção do projeto, a produtora executiva, Yndira G Villarroel destaca que o projeto, por ter um repertório tão plural, reúne uma ampla diversidade de swings, melodias e ritmos. O artista visual Fred Gustavos e Thayana Bruno, especialista em recursos de audiodescrição arrematam a equipe.
Yndira, artista venezuelana que também escolheu Cuiabá para viver, destaca que a iniciativa de Akane deve ser celebrada. “Ela é uma mulher imigrante, japonesa, tentando se colocar no mercado e que pensou um encontro maravilhoso do público com a música de diversos países”.
Repertório
Em “Antagata dokosa”, canção tradicional muito popular no Japão, Akane revisita memórias de infância. Já “Jambo bwana”, era uma canção que costumava compartilhar com amigos músicos do Japão. Tradicional do Quênia, é uma música vibrante com influências de benga e música costeira suali.
Akane canta música do povo curdo também, com “Keça kurda”, que quer dizer no portugués, “menina curda”, exaltando a mulher como símbolo de força e resistência. “Essa era uma canção que ensaiei com um amigo curdo que tocava o instrumento típico desse povo, o sazo, um tipo de viola de cocho. Mas infelizmente, no dia em que nos apresentaríamos sua familia foi vítima de uma bomba em um atentado terrorista”, lamenta.
Já “Arirang”, é como um “hino não-oficial” da Coreia, que simboliza o povo coreano. “Eu tenho identidade 25% coreana, porque o pai da mina mãe era coreano”. A música em inglês, “Orange colored sky”, de Milton DeLugg e Willie Stein a fascinou nos altos dos seus 16 anos. “Ouvi com interpretação do Nat King Cole e foi então que conheci o jazz, outra paixão que tenho. Essa vai ser a primeira vez que vou cantá-la em um espetáculo”.
E então, com a descoberta do jazz, na adolescência teve seu primeiro encontro com a música brasileira. “Então, incluo nesse show ‘Travessia’, de Milton Nascimento e ‘Minha Vida’, de Caetano Veloso, que me marcaram muito”.
Num giro pelos países, ela canta também, “Venezuela”, de Pablo Herrero e José Luiz Armenteros, com música de Luis Silva. “Essa lembra muito o meu encontro com a amiga Yndira, que está totalmente engajada no projeto. Conheci essa música ao participar do projeto dela, o Multiculturas, e me encantei”.
E, além de “Canta Mundo”, que nasce em solo cuiabano, ela aproveita para homenagear sua terra-lar com “Pixé”, música de Pescuma. “Porque eu sou uma feliz japonesa-cuiabana. O destino me guiou para o lugar certo nesta terra quente, de povo acolhedor e alegre”, se diverte.
Serviço
Show Akane Canta Mundo
Dia 19 de setembro, às 19h
Teatro da UFMT
Entrada gratuita
cultura
Exposição em homenagem à Osvaldina dos Santos segue em cartaz na Galeria Lava Pés
Segue em cartaz na Galeria Lava Pés, em Cuiabá, a exposição coletiva em homenagem à artista e professora Osvaldina dos Santos, falecida em 2010 e amplamente reconhecida por sua significativa contribuição à cultura e às artes no Estado de Mato Grosso. A visitação é gratuita e pode ser realizada de segunda a sexta-feira (exceto feriados), das 8h às 12h e das 14h às 18h.
Com pinturas inspiradas no legado, na sensibilidade e na trajetória da homenageada, a exposição é composta por obras de Albina dos Santos, Adão Domiciano, Ari Carvalho, Bia Pinheiro, Cam Pére, Carlos Bosquê, Carlos Pina, Cleiton Matos, Clóvis Moura, Day Trindade, Elieth Gripp, Ellém Pelliciari, Gervane de Paula, Marcela Lopes, Nana, Linalva Alves, Marlene Kirchesch, Rimaro, Roberto Jorge, Rosylene Pinto, Rita Ximenes, Sofia Pinheiro, Télio Fernandes, Thelma Foster, Valdecy Feliciano, Vicente Paulo e Victor Hugo dos Santos.
Os trabalhos dos 27 artistas promovem um diálogo entre a produção contemporânea e a memória artística de Osvaldina, demonstrando sua importância como referência para novas gerações.
Com curadoria de Ari Carvalho, Bia Pinheiro e Albina dos Santos, filha da artista, a exposição propõe uma abordagem sensível que articula memória, história e criação artística atual. A participação de Albina na curadoria contribui para o fortalecimento do vínculo entre a obra de Osvaldina e sua permanência no cenário cultural mato-grossense.
A visitação é gratuita durante todo o período expositivo e inclui ações de mediação cultural, produção de catálogo e atividades educativas voltadas ao público. Além de valorizar a trajetória da artista homenageada, a iniciativa incentiva a produção artística contemporânea e fortalece o circuito das artes visuais em Mato Grosso.
Sobre a artista
Osvaldina dos Santos teve uma trajetória relevante nas artes visuais. Em Cuiabá, iniciou sua produção artística em 1978, ao frequentar o Ateliê da Fundação Cultural, espaço em que também atuou como orientadora na década de 1980, contribuindo para a formação de novos artistas.
Sua trajetória inclui a participação em importantes exposições, como o Jovem Arte Mato-Grossense, o Salão Nacional de Artes Plásticas, o Salão de Artes Plásticas de Mato Grosso do Sul, a Bienal de Maringá, entre outras.
Galeria Lava Pés
A Galeria de Artes Lava Pés é um equipamento cultural da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Sece-MT), localizado no piso térreo da sede da Pasta Estadual, na Rua José Monteiro de Figueiredo (Lava Pés), 510, Duque de Caxias, em Cuiabá.
O espaço possui 350 metros quadrados de área e está equipado para receber exposições nos mais variados suportes, de telas a esculturas e videoinstalações, entre outros. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h.
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