arqueologia
Patrimônio Arqueológico, um bem a ser preservado
Saiba mais sobre o trabalho de preservação arqueológica no Estado e no mundo
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Mario Friedlander |
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Inscrição rupestre |
“Um trabalho científico em arqueologia só está terminado quando pode ser apresentado ao grande público, que não seja formado apenas por um círculo fechado de especialistas. A finalidade do trabalho dos arqueólogos não é a felicitação mútua pelas descobertas realizadas, mas a divulgação útil para o público.” (MOBERG, Carl-Axel. 1986 p. 45)
Nas duas últimas décadas o estado de Mato Grosso passou a receber maior atenção dos pesquisadores da arqueologia brasileira. Não que não despertássemos interesse no campo da arqueologia, ao contrário, temos um vastíssimo leque de opções para as mais variadas pesquisas.
O século XVI representa para as questões étnicas brasileiras a reacomodação espacial, tanto pela história como arqueologia. Esta foi a época do início da colonização européia vindo através de frentes dominadoras no Rio da Prata infletindo para a região onde hoje se encontra o estado de Mato Grosso. Esta pressão exercida pelas frentes colonizadoras ensejou o desaparecimento de inúmeras tribos indígenas e fusão de processos culturais em novos sistemas. A partir dos séculos XVII e XVIII, a ação implacável de preadores indígenas e bandeirantes paulistas gerou um descontrole e descompasso ocupacional dos territórios habitados por dezenas de grupos indígenas das mais diferentes culturas, idiomas e troncos.
A captura de povos indígenas com fins de escravização permitiu o vazio demográfico, pois as tribos atingidas pela violência da preia foram empurradas a pontos nem sempre condizentes com sua cultura forçando a fusão interétnica. A descoberta do ouro em terras cuiabanas colaborou para o agravamento do quadro conflituoso, permitindo o extermínio de povos indígenas em áreas de interesse de prospecção de metais preciosos. Esta luta iniciada ainda no século XVIII, durou ate meados da década de 1950, diminuindo de forma considerável a população indígena.
Abnegáveis arqueólogas e arqueólogos, através de pesquisas científicas, muitas das quais em caráter preliminar, informam que todo o estado de Mato Grosso possui formas de atestar a presença humana há mais de 25 mil anos atrás através de esboços de modelos explicativos genéricos sobre o processo arqueológico de povoamento da região. Estudos parciais indicam uma predominância de ação em áreas do cerrado, onde se verifica que é incerta a origem da cerâmica e da agricultura, sendo que algumas evidências determinam a datação a momentos anteriores a 2 mil atrás como se atesta com as pesquisas da missão Franco-Brasileira (MAE-USP/São Paulo – MNHN/Paris) na Cidade de Pedra em Rondonópolis.
O tema patrimônio arqueológico está bastante presente em diferentes discussões, científicas ou não, no que diz respeito à proteção de bens culturais materiais ameaçados ou já devidamente estudados. Como forma de esclarecimento pode-se indicar as formulações da Convenção Européia para a Proteção do Patrimônio Arqueológico – CEPPA 2002 e, também, a Carta de Lausanne, que versa sobre proteção e gestão de patrimônio arqueológico. Convencionou-se que o patrimônio arqueológico é todo produto material que tenha relação com a memória humana, esteja na superfície, no subsolo ou sob as águas, assim como qualquer vestígio, bens e indícios cuja preservação e estudo determinem sua relação com a história da humanidade. O patrimônio arqueológico pode ser dividido em pré-histórico e histórico, sendo que no Brasil a data base é 1500 entre os períodos pré e histórico. A partir da pesquisa arqueológica se pode reconstituir ou reinterpretar a história e pré-história, e, com escavações e estudos transformadores e conformadores vamos conhecer melhor o que foi a vida da gente mato-grossense bem antes de sermos os maiores produtores de grãos do nosso país.
Quem teria sido o primeiro homem a ocupar a América? De onde teria vindo? Qual a rota que seguiu? Seria parente próximo dos aborígines australianos, dos asiáticos? As teorias apresentadas são obscuras e geram controvérsias entre cientistas e pesquisadores do tema. Um fato consistente é que toda a América do Sul é um grande sítio arqueológico a céu aberto.
A ocupação humana do continente americano tem sido constantemente discutida pelas ciências que se dedicam a conhecer as origens históricas e suas propriedades ontológicas, da dispersão do “homo sapiens” pelo planeta. Para os estudiosos do assunto o homem americano veio das Ilhas do Pacífico e sua fixação no continente foi por três rumos de migração: alguns povos subiram o Estreito de Behring e foram ocupando regiões ao sul; outros atingiram a região equatorial e adjacências; outros desceram ao Estreito de Magalhães e se disseminaram tomando rumo norte. Os povos que demandaram o Estreito de Behring devem ter precedido aos demais, por diferença de cerca de mil anos. Não se pode precisar ainda o período das migrações, podendo atingir 30 mil anos ou mais. Ocorreram muitas migrações. Calcula-se que os migrantes para a América do Sul aqui chegaram pelo menos 25 mil anos atrás. Pesquisas paleontológicas e arqueológicas realizadas no Parque Nacional da Serra da Capivara, sul do Estado do Piauí, evidenciam a origem extracontinental de paleo-índios, num espaço não inferior a 50 mil anos. A hipótese mais provável é que os povos indígenas que hoje habitam Mato Grosso tenham provindo da região do que hoje é a Colômbia, rumando para o sul, pelos Andes, por onde encontraram menos dificuldades do que hoje em dia. Iam de espaços a espaços, infletindo para leste. É certo que esse dado é pouco significativo quando interposto na história natural da espécie humana, mas bastante representativo para confirmar a elaboração autônoma ou americana de importantes aspectos culturais e também da agricultura.
Um ponto de concordância entre estudiosos e defensores da preservação do patrimônio histórico é a quase total falta de preservação dos sítios arqueológicos mato-grossenses existentes e pior, os que não terão a chance de serem pesquisados e apresentados à sociedade brasileira.
Desta forma, muitas indagações sobre nossos antepassados poderão ficar sem resposta. Um dos principais problemas detectados nos sítios arqueológicos mato-grossenses são as pichações em pinturas rupestres; pessoas que retiram achados arqueológicos sem autorização dos órgãos responsáveis; destruição voluntária por meio mecânico de sítios arqueológicos (prática comum em garimpos) e outras formas de não permitir o avanço de pesquisas científicas importantes para sabermos mais sobre nós mesmos.
Num jogo de desconstrução e construção sobre a importância do patrimônio arqueológico pode-se afirmar que as bases negativas se alicerçam no pensamento segregacionista e elitista da sociedade, permitindo distanciamento e desvalorização de elementos arqueológicos referentes a grupos étnicos (indígenas, negros, portugueses). Estes acabam sendo tratados de forma isolada permitindo a vulgarização dos achados ou quando não sua universalização, comprometendo, desta forma o achado, se não for bem explorado. A parte interessante e construtiva é a razão científica com que o tema é tratado, além das razões afetivas (pertencimento) e políticas (cidadania).
Isabela Moreira
Pela primeira vez cientistas analisaram o DNA de humanos que viveram antes, durante e depois da revolução agrícola, ocorrida há cerca de 8,5 mil anos. O objetivo é simples: dos nossos ancestrais de forma a entender como essas alterações influenciaram a sociedade ao longo dos séculos. Até então, os únicos materiais de estudo dos pesquisadores eram ossos e restos físicos da história da Europa. Em termos de comparação, os ossos mais recentes são de 45 mil anos atrás.
“Há décadas temos tentado descobrir o que aconteceu no passado”, disse Rasmus Nielse, geneticista da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, em entrevista ao The New York Times. “E agora temos um estudo que é quase uma máquina do tempo.”
Nielse se refere ao uso de DNA de esqueletos antigos. A partir deles é possível saber, além dos impactos da agricultura nos humanos, a origem do genoma dos europeus contemporâneos. Para realizar o estudo em questão, publicado na Nature na última segunda-feira (23), o geneticista David Reich, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e sua equipe analisaram os genomas de 230 europeus que viveram entre 8,5 mil e 2,3 mil anos atrás. Os cientistas compararam esses genes com o de humanos vivos atualmente.
A pesquisa sugere que, antes da revolução agrícola, a Europa era composta por populações de caçadores e coletores. Isso mudou com a chegada de um novo povo, cujo DNA lembra o das pessoas do Oriente Médio – tudo indica que eles trouxeram as técnicas de agricultura consigo ao chegar na região.
Por meio da pesquisa, foi possível desmentir alguns boatos que corriam há anos, como o de que os europeus passaram a beber leite a partir do momento em que começaram a criar gado, por exemplo. De acordo com Reich, o gene LCT, relacionado à digestão do leite, de fato se tornou mais comum do que era antes na Europa com a introdução da agricultura, mas ele só começou a aparecer com frequência há somente 4 mil anos.
O estudo permitiu que os pesquisadores mapeassem as mudanças na cor da pele dos europeus. Há 9 mil anos os coletores e caçadores que viviam na Europa tinham origem africana e possuíam pele escura. Os agricultores que chegaram na região em seguida tinham a tez mais clara, o que se reforçou com um gene variante que surgiu anos depois.
Por fim, os cientistas revelaram que após o advento da agricultura, os europeus ficaram mais baixos, principalmente no sul do continente.
*Com supervisão de André Jorge de Oliveira
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