historia
… e seus desdobramentos
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Moacyr Freitas – Quadros Históricos |
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Início do povoamento no século XVIII |
Antes da abordagem do povoamento no século XIX, referenciamos a ocupação de povoados que se revestiram de grande importância no quadro geral da expansão desenvolvimentista. Neste particular não podem ser esquecidas as áreas hoje constituídas pelos municípios de Barra do Garças, Rosário Oeste, Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio de Leverger. Os primeiros sinais de povoamento na região onde hoje se localiza o município de Barra do Garças, e consequentemente da margem esquerda do Rio Araguaia, foi o Arraial dos Araés, mais tarde denominado Santo Antônio do Amarante, por volta de 1752.
Na área do atual município de Nossa Senhora do Livramento, a mineração aurífera se constituiu na célula mater de sua ocupação. Adversamente à ocupação de grande porção da Capitania de Mato Grosso, a das áreas onde atualmente se localizam os municípios de Santo Antônio de Leverger e Barão de Melgaço não se fez embasada na mineração, mas sim na fertilidade das terras, denotada pela exuberância das matas que margeavam toda a vasta orla ribeirinha, no baixo Cuiabá. O início do povoamento remonta aos primeiros anos do século XVIII, e seus primeiros habitantes constituiram-se não só de pessoas desgarradas das bandeiras que aportavam em Cuiabá, mas também daquelas que buscavam fugir da penúria que por longo tempo reinou no povoado.
| Album Gráphico |
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| Transporte da borracha no início do século XX |
Em 1825, a população da região de Diamantino era de cerca de 6.077 pessoas, das quais 3.550 escravos. Cuiabá era o principal centro comercial de borracha, e além da Casa Almeida, trabalhavam neste ramo as empresas, Casa Orlando, fundada em 1873, Alexandre Addor, fundada em 1865 e com sede na Rua Conde D’Eu (hoje Avenida 15 de novembro), ainda as empresas Firmo & Ponce, Figueiredo Oliveira, Lucas Borges & Cia., Fernando Leite e Filhos, João Celestino Cardoso, Eduardo A. de Campos, Francisco Lucas de Barros, Arthur de Campos Borges, Dr. João Carlos Pereira Leite e outros. Foi a época do esplendor da borracha, com Diamantino sendo o grande centro produtor e Cuiabá convergindo a comercialização.
historia
Livro revela aspectos inéditos da vida de Rondon e sua relação com os índios
Para historiadores que revisitaram a história dele para publicar um livro, o militar foi fundamental para a integração de um país de fronteiras frágeis e para estabelecer contato e manter a sobrevivência de tribos indígenas.
Museu do índio
Theodore Roosevelt, Rondon e membros da equipe posam diante do marco do rio que leva o nome do ex-presidente americano.
Foram 40 anos explorando o sertão brasileiro. Neste período, ele percorreu mais de 100 mil quilômetros, o equivalente a 2,5 voltas ao redor da Terra. O tempo na mata e a distância vencida mostram o papel impressionante desempenhado pelo marechal Cândido Rondon, cuja morte completa 60 anos na próxima sexta-feira.
Para historiadores que revisitaram a história dele para publicar um livro, o militar foi fundamental para a integração de um país de fronteiras frágeis e para estabelecer contato e manter a sobrevivência de tribos indígenas. Além disso, ao levar cientistas em suas viagens, proporcionou o estudo e a descoberta de centenas de novas espécies, iniciando a catalogação do que hoje é conhecida como biodiversidade, uma das maiores riquezas do Brasil.
Abolicionista, responsável pelo contato com centenas de populações indígenas, criador do Serviço de Proteção ao Índio, transformado em Funai em 1967, e líder de missões em que convergiram ciência, humanismo e políticas públicas, Rondon ganhou admiradores entre intelectuais. Foi indicado duas vezes ao Nobel da paz, em 1953 e 1957. Em 1925, Albert Einstein sugeriu seu nome ao comitê do prêmio. Não ganhou a honraria, mas tem um estado brasileiro para manter viva sua lembrança: o nome de Rondônia foi inspirado no do militar.
O legado indianista de Rondon foi incomparável. Algumas tribos existem até hoje só por causa de seu trabalho. A ciência também deve muito a ele avalia Magali Romero Sá, uma das organizadoras do livro “Rondon: inventários do Brasil 1900-1930”, lançado recentemente pela editora Andrea Jakobsson Estúdio.
Outra autora, Lorelai Kury destaca que a República Velha, instalada no final do século XIX, tinha muito interesse nas missões rumo ao oeste e ao norte do país, cujas fronteiras ainda estavam em consolidação. As comissões, como eram chamadas as expedições de reconhecimento, acumulavam objetivos, todos relacionados às potenciais riquezas naturais e ao reforço do poder central sobre as localidades mais isoladas, como as habitadas por nações indígenas.
Rondon começou em uma missão chefiada em 1890 pelo major Gomes Carneiro, que instalava linhas telegráficas no país, conta Lorelai, que é professora do Programa de História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Na verdade, esta não era a principal missão, porque a tecnologia rapidamente tornou-se obsoleta. O efeito esperado era conhecer as tribos indígenas para incorporá-las ao trabalho de ocupação do território. E, simbolicamente, despertar um sentimento de brasilidade.
Dez anos depois, quando assumiu a chefia da primeira de suas seis expedições, Rondon investiu em rituais para criar uma identificação entre os índios e os ideais nacionalistas introduzidos pelos militares.
Para despertar o patriotismo dos indígenas, o marechal adotou costumes como um horário para o hasteamento da bandeira, revela Lorelai. Ao mapear uma região, Rondon colocava marcos em pedra e fotografava os indígenas ao lado deles, passando a ideia de que eram os guardiões daquele terreno.
Registro de cerimônias
Lorelai chama a atenção para a forma adotada pelo chefe das comissões de conquistar a amizade dos nativos.
Museu do índio
Membro de comissão mostra uma câmera para os índios na fronteira com a Colômbia: rituais de tribos eram filmados
Rondon explorava imagens de uma maneira magnífica: fez filmes de qualidade que incentivavam o orgulho nacional e outros que mostravam os costumes daquelas populações — conta.
Magali concorda que o senso midiático de Rondon foi importante para angariar apoio popular a suas expedições.
Muitas pessoas sequer sabiam que havia tentativas de entrar em contato com os índios, e outros acreditavam que os gastos governamentais para isso eram altos demais. As imagens registradas pelos militares, portanto, foram importantes para divulgar a validade e os resultados dos trabalhos, explica Magali, que também é professora de História das Ciências e da Saúde da COC/Fiocruz. Ao mesmo tempo, Rondon valorizava os rituais indígenas, e assim ganhava a confiança daquelas populações.
Além da apresentação dos valores republicanos, Rondon precisava levar aos seus superiores uma pilha de informações. Os relatórios e correspondências das comissões continham dados sobre diversos aspectos da vida nas tribos, como a estrutura das famílias, alimentação, indumentária, habitação, trabalho, formas de opressão, doenças e práticas de cura.
Para cumprir tantos estudos, o marechal não se restringiu à companhia de militares. Lorelai lembra que, em suas incursões, Rondon convidou profissionais de diversas áreas, entre eles; engenheiros, médicos, cientistas, pintores, cartógrafos e naturalistas.
Conforme os mapas oficiais ganhavam novas informações, as expedições também se dedicavam a batizar marcos geográficos. Um dos homenageados foi o ex-presidente americano Theodore Roosevelt, que acompanhou Rondon em uma comissão científica entre 1913 e 1914. O Rio da Dúvida transformou-se em Rio Roosevelt.
Enquanto os brasileiros abriam estradas e conheciam os indígenas, Roosevelt dedicou-se à caça. O hobby provocou incômodo geral, Rondon caçava apenas para comer, porque acreditava que os animais tinham alma. Muitos militares eram vegetarianos. Um jornal da época publicou uma charge em que um macaco perguntava a outro se sobrariam animais no caminho do ex-presidente.
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