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Lançamento do ‘cacau clonal’ movimenta região Noroeste
O município é destaque na produção cacaueira em Mato Grosso, e pretende se tornar um dos principais produtores do fruto no Estado
Lucas Diego
A proposta de expansão do cacau surge como uma opção de renda perene aos mais de 2.300 agricultores familiares do município
O plantio simbólico de mudas marcou o ‘I Dia de Campo do Cacau Clonal’, no município de Cotriguaçu, localizado 970 km a Noroeste de Cuiabá, que é destaque na produção cacaueira em Mato Grosso. Com a implantação da unidade demonstrativa, a estratégia é garantir eficiência na produtividade com a expansão de cultivares geneticamente mais produtivos, e a ampliação da área plantada.
Cotriguaçu possui cerca de 17 mil habitantes e tem sua economia baseada na pecuária de corte e na exploração do setor madeireiro. A proposta de expansão do cacau surge como uma opção de renda perene aos mais de 2.300 agricultores familiares do município.
Para o secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral, que participou do dia de campo, o governo do Estado assumiu o fortalecimento da agricultura familiar como política de governo, e tem pautado suas ações na busca de parceiros e organismos capazes de agregar experiências e soluções inovadoras. Este é o caso da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira). Com sede em Rondônia, o órgão se tornou referência na geração e transferência de tecnologia voltada ao aprimoramento da produção cacaueira no Brasil.
Da Assessoria
O cacau possui diversos benefícios para a saúde
“Precisamos dar um basta na cultura do assistencialismo. Não podemos mais manter os produtores reféns e dependentes. Este não é o conceito do governo Mauro Mendes. Estamos trabalhando estratégias para ofertar o maior número de possibilidade de acordo com a aptidão de cada região. Cotriguaçu já tem tradição no plantio de café, e queremos apostar no fortalecimento do cacau. Duas culturas perenes, com valor agregado, de peso internacional, e com grande capacidade de expansão, uma vez que possui áreas abertas e produtores disponíveis”, defendeu Silvano.
O secretário ainda enfatizou a importância do cooperativismo para o avanço da agricultura familiar. “Tenho dito em todas as oportunidades sobre o poder do cooperativismo. A união faz a força e isso não é só ditado popular, é realidade. No cooperativismo existe ganho na negociação dos produtos, na compra de insumos, na contratação de assistência técnica, inclusive no controle da concorrência. Nossos produtores precisam repensar o cooperativismo, deixar os melindres de lado e se unir”, advertiu o secretário.
A distribuição de sêmens para a melhoria genética da produção leiteira é outra aposta da Seaf. Hoje, a média de produção de cada animal gira entorno de 4 litros de leite por dia. Com o melhoramento genético e o manejo adequado das pastagens, o produtor pode chegar a produzir até 30 litros. A proposta da Seaf é atuar na instalação de unidades demonstrativas para a transferência de embriões.
Durante o evento foi assinado um protocolo de intenções entre a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Expansão Rural (Empaer) e Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) no sentido de concentrar esforços para a expansão da cadeia produtiva do cacau em Mato Grosso.
Além do secretário da Seaf, Silvano Amaral, estiveram presentes: o superintendente da Ceplac, Cacildo Viana; do prefeito de Cotriguaçu, Jair Klasner e do representante da Empaer, Fabrício Ramos; também participaram do Dia de Campo, o Chefe da Divisão de Política, Produção e Desenvolvimento Agropecuário (MAPA-MT), Nilo Nascimento; o secretário de Agricultura de Cotriguaçu, Davi Lopes, os secretários municipais de Agricultura de Colniza, Juína, Juruena, Castanheira e Alta Floresta, agricultores do distrito de Nova União, P.A. Juruena e P.A. Cederes, entre outras lideranças.
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Tecnologia da Empaer chega ao campo e renova a esperança de produtores em Cotriguaçu
Durante a passagem dos pesquisadores da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), pelo município de Cotriguaçu, uma das propriedades visitadas foi a “Cia do Mel”, do produtor de pequena escala Roneilton Oliveira. Ao lado da esposa, Josy Oliveira, ele vive na propriedade há 14 anos e construiu uma trajetória marcada pela diversificação da produção e pelo trabalho familiar. Na propriedade algo que chamou a atenção foi a preservação e o equilíbrio entre produzir e cuidado com a natureza.
Para o produtor, a presença de pesquisadores e o fortalecimento da parceria entre Empaer, Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf/MT) e agricultores são fundamentais. “É importante estar mais próximo do produtor, mostrar que uma ou duas hectares podem gerar renda. A gente precisa incentivar mais gente a produzir. Cotriguaçu precisa do café”, lembrou Roneilton.
Os investimentos do Governo de Mato Grosso, por meio da Seaf, somam R$ 9,5 milhões em máquinas e implementos agrícolas, ao longo de sete anos e três meses. Além disso, a Empaer destinou dois tratores ao município, totalizando R$ 272 mil, reforçando o suporte aos produtores da região. Juntos Seaf e Empaer somam R$ 9,7 milhões de recursos aplicados na região.
A visita faz parte das ações da Rota do Café, iniciativa que reúne pesquisadores da Empaer e parceiros, e que vem apresentando os resultados de um estudo realizado ao longo de cinco anos. Nesse período, foram avaliados 50 clones de café, com o objetivo de identificar as variedades mais adaptadas, produtivas e a qualidade de bebida para as regiões Noroeste e Norte de Mato Grosso.
Apaixonado inicialmente pela apicultura, Roneilton começou no campo quase por acaso. Ele conta que foi convidado para participar de uma capacitação sobre produção de mel e acabou se encantando pela atividade. “Na quinta eu estava apaixonado pelas abelhas e na sexta-feira já fui fazer minha primeira captura. A gente descobre os objetivos da vida assim, sem planejar”, relembrou.
Com o tempo, uma nova oportunidade surgiu. Ao conhecer o cultivo de café clonal na região, decidiu investir também na cultura. Hoje, em uma área total de quatro hectares, ele destina dois hectares ao café, somando seis safras já produzidas.
Segundo o produtor, as duas atividades se complementam. A proximidade entre o cafezal e o apiário trouxe resultados positivos. “Coloquei as abelhas perto do café e tive aumento na produção de mel. Na época consegui vender cerca de 200 quilos. A florada do café ajuda muito, porque as abelhas fazem a polinização, que é o melhor benefício delas”, explicou.
Atualmente, a produção de mel na propriedade varia entre 600 quilos e uma tonelada por ano. Todo o processo, desde a extração até a decantação e rotulagem, é feito no local, com comercialização dentro do próprio município. “Nosso produto é de excelência. É o mesmo mel que meus netos consomem e que chega à população de Cotriguaçu”, destacou.
No café, a expectativa também é positiva. Roneilton acredita que pode colher entre 70 e 80 sacas de 60 quilos nesta safra, mesmo trabalhando praticamente sozinho. Para ele, o avanço da atividade na região depende de organização e incentivo. “Precisamos nos unir mais, talvez em associações, para agregar valor ao produto e melhorar a renda”, avaliou.
O produtor também destaca a importância do apoio ao pequeno agricultor. “O produtor não quer nada de graça, ele quer condições para produzir. O restante ele faz acontecer”, afirma. Ele observa ainda o interesse crescente de empresas internacionais no setor de máquinas agrícolas voltadas para a agricultura familiar, o que pode facilitar a mecanização e aumentar a produtividade no campo.
Outro ponto destacado por Roneilton é a melhoria da infraestrutura. Ele lembra que a pavimentação e a construção de pontes transformaram a realidade local. “Quando eu era criança já se falava em integração da região Noroeste, mas isso só aconteceu agora. Foram mais de 40 anos de espera. Hoje temos estrada, e isso muda tudo. Já dá para pensar em novas atividades, como a piscicultura”, disse.
Os pesquisadores da Rota do Café já passaram pelos municípios de Colniza, Aripuanã, Cotriguaçu e Juína, levando orientações técnicas e apresentando os resultados diretamente aos produtores rurais. As próximas e últimas etapas de palestras estão programadas para Nova Bandeirantes, no dia 8 de abril (quarta-feira), na Câmara Municipal, das 7h às 11h45; e em Nova Monte Verde, no dia 9 de abril (quinta-feira), na Estância Villa Bella, no mesmo horário.
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