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Cultura, fé e tradição movimentam Vila Bela, a primeira capital de MT
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Regina Botelho |
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Vila Bela da Santíssima Trindade, no Noroeste do Estado, primeira capital de Mato Grosso está em festa. Nesta quarta-feira, 13, começaram as festividades que seguem até 25 de julho. A Festa é considerada uma das maiores manifestações religiosas do estado e traz na programação várias datas comemorativas de santos na mesma época que outrora possuíam data definida no calendário. A ideia de unificar essas datas festivas surgiu no período de transferência da capital de Vila Bela para Cuiabá. Devotos e fiéis do glorioso São Benedito e da trindade santa participam das comemorações.
O evento reúne milhares de moradores da cidade, zona rural e da vizinha Bolívia. As missas em honra a São Benedito e à Santíssima Trindade e as apresentações das danças do Congo e do Chorado, que tanto encantam a população e os visitantes são os destaques dos festejos. Caravanas de vários municípios mato-grossenses como Cuiabá, Juína, Comodoro e da cidade de Rondônia como Guajará Mirim e Porto Velho participam do evento.
A festança em Vila Bela é realizada há 176 anos e lembra quando os negros se reuniam para protestar e louvar os santos de devoção e entoar cantigas que os faziam relembrar os antepassados na África.
O município se destaca pelo grande potencial turístico do Estado. Uma das grandes atrações são as ruínas de uma catedral do período colonial. Essas ruínas são o marco de uma história que teve início com a fundação de Vila Bela em 19 de março em 1752. É uma cidade surpreendente e cheia de mistérios, onde mulheres negras produzem um aperitivo de sabor forte e adocicado, com boa dose de teor alcoólico, que é apontado como poderoso afrodisíaco, bebida artesanal conhecida como Canjinjin. Além disso, os visitantes podem conhecer o amazônico rio Guaporé, com seus botos e ouvir o som dos agogôs e atabaques que ecoam pela cidade negra.
Na festança Vila Bela responde com fé, dança e musicalidade ao sofrimento de seu povo no ontem. Além disso, a cidade negra mostra ao mundo a força de seus homens e a sensualidade de suas mulheres que se enfeitam para as danças e realizam um baile raro com muita beleza em praça pública ao som de cantoria.
O evento em Vila Bela da Santíssima Trindade é organizado pelas Irmandades do Glorioso São Benedito, da Santíssima Trindade e do Divino, e tem apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo e prefeitura municipal.
Entre as festividades destacam-se a dança do Congo, representada exclusivamente por homens, demonstra com todo o seu colorido nas roupagens e nas flores aplicadas na indumentária a resistência, tradição e fé de um povo que reúne no sincretismo religioso que integra o sacro e o profano nas celebrações da Festança.
A dança do Chorado é apresentada apenas por mulheres. Com vestimentas coloridas, as mulheres entoam cantos tradicionais africanos e da região e ainda equilibram sobre as cabeças garrafas de Canjinjim. Segundo a tradição, as escravas dançavam para agradar os senhores, para que estes não castigassem duramente os escravos.
Na dança do Congo reis e embaixadores representados por dois reinos travam uma luta dramatizada na disputa pelo poder. Em Mato Grosso, a dança surgiu com a vinda de escravos para a primeira capital, Vila Bela.
Os personagens do reinado do Congo são o Rei, o Príncipe e o Secretário de Guerra; do reino adversário aparecem o Embaixador e soldados. A nobreza usa mantos, coroas e bastões coloridos e ornamentados com flores como instrumentos. Em Vila Bela, os dançarinos se caracterizam com as flores na indumentária que servem para reverenciar São Benedito. As roupas são multicoloridas, porém predominam as cores vermelho e azul.
A história da cidade está ligada intimamente com o surgimento do Estado de Mato Grosso. No século XVIII, o crescimento de um quilombo em Vila Bela acendeu a luz vermelha da Coroa Portuguesa. A líder do Quilombo do Piolho ou Quariterê, Teresa de Bengela, uma guerreira comandou uma comunidade com mais de três mil habitantes. O quilombo cresceu, recebeu migrantes índios, bolivianos e brasileiros, tornando-se núcleo multirracial com organização política. Vila Bela da Santíssima Trindade foi a primeira capital de Mato Grosso. De 1748 a 1835, o poder estadual foi instalado na cidade.
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Morre a menina baleada por engano por agentes da PRF
Morreu, na manhã deste sábado (16.09), a menina Heloísa dos Santos Silva, de 3 anos, baleada na coluna e na cabeça durante uma ação equivocada da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
Na última quinta-feira (14.09), Heloísa sofreu uma parada cardiorrespiratória, que foi revertida pela equipe de saúde após seis minutos. Ela estava internada no Hospital Adão Pereira Nunes.
A família da criança fazia uma viagem em um carro de passeio, que começou a ser perseguido por uma equipe da PRF. Dentro do veículo estavam Heloísa, os pais dela, a tia e uma irmã. O carro foi perseguido e alvejado por disparos feitos por policiais.
Os policiais envolvidos na abordagem foram afastados da corporação, que iniciou uma investigação interna. O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a prisão preventiva dos três agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) envolvidos.
Também é investigada a atuação de um dos policiais que chegou a visitar a vítima no CTI do hospital. O procurador Eduardo Benones representou pela prisão dos agentes Fabiano Menacho Ferreira — que admitiu ter feito os disparos —, Matheus Domicioli Soares Viegas Pinheiro e Wesley Santos da Silva.
Na peça, Benones afirma que 28 agentes da PRF foram até o hospital logo após o incidente “numa tentativa inequívoca de intimidar” a família e lembra que um deles, à paisana, conseguiu chegar até a emergência pediátrica e falar com o pai da menina.
“A presença de 28 inspetores no hospital, no dia do ocorrido, em contato visual e às vezes verbal, com as vítimas demonstra uso indevido da força corporativa”, escreveu Benones na justificativa.
Segundo a polícia, o carro em que a família estava era roubado. O pai de Heloísa disse que tinha adquirido o veículo recentemente e não sabia da situação irregular.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse que a PRF terá que acelerar a “revisão da doutrina policial e manuais de procedimentos”.
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