AGRO & NEGÓCIO
Live celebra 40 anos da Embrapa Meio Ambiente com posse da chefia
A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), comemorou no dia 2 de dezembro, quatro décadas de trabalho, com foco na geração de tecnologias e conhecimento científico para tornar a agricultura brasileira mais sustentável, produtiva e resiliente às mudanças climáticas, em um evento híbrido.
Além de comemorar os 40 anos, o evento serviu para formalizar a posse da pesquisadora Ana Paula Contador Packer como chefe-geral.
A cerimônia contou com as presenças de Francisco Matturro, Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Orlando Melo de Castro, Subsecretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Alexandre Grassi, Coordenador da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Francisco Martins, Secretário Executivo do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), e Mara Sílvia Rocha Ribeiro, Diretora-Executiva de Pessoas, Serviços e Finanças da Embrapa e outras autoridades. Empregados, estagiários, bolsistas e terceirizados participaram do evento presencialmente, enquanto centenas de pessoas acompanharam virtualmente pelo canal da Embrapa no YouTube.
A programação ainda incluiu a realização do Painel “A Sustentabilidade como alavanca para o agro brasileiro”, com os painelistas José Luiz Tejon Megido, Marcelo Morandi e Paula Packer.
Francisco Matturro parabenizou a nova gestora, desejando-lhe sucesso nos desafios e na magnitude da missão que terá pela frente na gestão, e elogiou o pesquisador Marcelo Morandi, pelo trabalho particularmente positivo que desenvolveu durante o período em que investiu no cargo, segundo ele “capaz de projetar com maestria o centro de pesquisas para o país e para o mundo”.
O secretário também lembrou o trabalho do ex-ministro da agricultura Alysson Paolinelli, que na década de 1970, lançou a iniciativa para criar a Embrapa.
Já a diretora-Executiva, Mara Sílvia Ribeiro, destacou a forma abrangente, desafiadora e integrada com que a Embrapa Meio Ambiente tem atuado nas questões ambientais no cenário nacional, ressaltando as ações em Políticas Públicas (PP), onde, segundo ela, “resultados efetivos e importantes foram alcançados para o país”.
Em sua fala, Morandi explicou que a Embrapa possui uma qualidade muito especial, de antecipar os problemas mais complexos e buscar soluções. Segundo ele, os 40 anos da Embrapa Meio Ambiente demonstram essa característica. O pesquisador lembrou que, enquanto a Embrapa tinha apenas 10 anos, já em 1982, já havia pessoas pensando e se preocupando com as questões de impacto ambiental e dessa reflexão nasceu a Embrapa Meio Ambiente. “Hoje temos pessoas que olham para o futuro e pensam no desenvolvimento de uma agricultura tropical sustentável, onde os problemas tecnológicos se transformam em processos, sistemas e negócios.” Morandi lembrou ainda que as principais normas de controle biológico do Brasil foram criadas nas dependências da Embrapa Meio Ambiente, a partir da expertise de pesquisadores do centro e de diversos parceiros. “Temos uma história e ela ainda está sendo construída”
Paula Packer agradeceu ao público e às autoridades presentes destacou os inúmeros desafios que estão na agenda de pesquisa da Unidade, tais como mudanças climáticas, agricultura de baixo carbono, mercado de carbono, pagamentos por serviços ambientais, restauração ambiental, Amazônia 4.0, agricultura regenerativa, biodiversidade, bioeconomia e outras, que compõem a agenda ambiental.
Paula também frisou o desenvolvimento do projeto AgNest, um centro de inovação no formato de fazenda-laboratório, idealizado e construído em parceria com a Embrapa Agricultura Digital (Campinas – SP), que também conta com parceiros de peso como Banco do Brasil, Nutrien, Jacto e Bayer. “Esta é uma iniciativa que busca criar soluções de inovação para a agricultura e que trará muitos frutos para o país”.
Paula lembrou ainda que a questão ambiental é uma pauta global e que isso aumenta os desafios e amplia as oportunidades. Ela também reconheceu que a Embrapa Meio Ambiente tem grande potencial para continuar contribuindo com o país em sua missão de entregar produtos, soluções e conhecimento científico em um contexto complexo que prevê a combinação das exigências dos sistemas de produção com as necessidades de conservação da natureza, recursos e proteção ambiental.
“Fazemos parte da missão de tornar a agricultura mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas. Isso inclui ajudar a criar métricas confiáveis capazes de demonstrar ao mundo o quanto já somos eficientes na produção de alimentos, grãos e fibras.
José Luiz Tejon concorda que o conceito de sustentabilidade permeia todas as atividades da agricultura e, nesse contexto, prevê que a Embrapa Meio Ambiente fará parcerias importantes, pois todos os setores “do abacate ao zebu” precisam de ciência, protocolos, métricas e tecnologias para monitorar os processos, E é exatamente isso que essa unidade da Embrapa representa tão bem,” disse Tejon.
Histórico
Criado em 1982, como Centro Nacional de Pesquisa de Defensivos Agrícolas (CNPDA) tinha como missão o desenvolvimento de tecnologia nacional sobre defensivos agrícolas, especialmente no que diz respeito a sua eficiência, segurança, toxicologia, impacto no meio ambiente e economicidade.
Em 1986, passou a se chamar Centro Nacional de Pesquisa de Defesa da Agricultura, seguindo as novas orientações da Embrapa de priorizar projetos de caráter social, privilegiando as atividades de pesquisas que resultassem em apoio técnico aos pequenos e médios produtores. Para se tornar referência no tema de monitoramento e avaliação de impacto ambiental de atividades ligadas à agricultura em 1990, o nome foi alterado para Centro Nacional de Pesquisa de Monitoramento e Avaliação de Impacto Ambiental (CNPMA), e desde o ano 1998, é reconhecida nacional e internacionalmente pelo nome síntese de Embrapa Meio Ambiente.
Fonte: Embrapa
AGRO & NEGÓCIO
Exportações de carne de peru crescem 23% e receita mais que dobra em 2026
As exportações brasileiras de carne de peru seguem em trajetória de recuperação e registraram forte crescimento nos primeiros quatro meses de 2026. Entre janeiro e abril, o país embarcou 22.328 toneladas da proteína, volume 23,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita alcançou aproximadamente R$ 454 milhões, avanço de 124,6% sobre os cerca de R$ 202 milhões obtidos nos quatro primeiros meses de 2025, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas do Ministério da Agricultura, compilados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná.
O desempenho foi impulsionado tanto pelo aumento dos embarques quanto pela valorização da proteína no mercado internacional. O preço médio da carne de peru exportada pelo Brasil atingiu cerca de R$ 20,3 mil por tonelada no primeiro quadrimestre deste ano, alta de 77,6% em relação aos aproximadamente R$ 11,4 mil por tonelada registrados no mesmo período de 2025.
Os números ganham relevância em um setor que enfrenta retração do consumo doméstico há vários anos. Em 2025, a produção brasileira de carne de peru foi estimada em cerca de 138 mil toneladas, volume 7% inferior ao do ano anterior. Tradicionalmente associada às festas de fim de ano, a proteína tem perdido espaço no mercado interno para carnes de consumo mais frequente, como frango e suínos, levando a indústria a buscar novos mercados no exterior.
Atualmente, praticamente toda a carne de peru exportada pelo Brasil é comercializada na forma in natura. Das 22.328 toneladas embarcadas entre janeiro e abril, 22.112 toneladas pertencem a essa categoria, o equivalente a mais de 99% do total exportado.
A cadeia produtiva permanece altamente concentrada na região Sul, responsável por cerca de 97% da produção nacional. Santa Catarina lidera o setor, com aproximadamente 62% da oferta brasileira, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 23%, e pelo Paraná, com 15%.
O protagonismo dos estados do Sul também aparece nos números das exportações. Santa Catarina liderou os embarques no primeiro quadrimestre, com 8.906 toneladas e faturamento de aproximadamente R$ 196 milhões. O Rio Grande do Sul exportou 8.663 toneladas, gerando cerca de R$ 145 milhões em receita. Já o Paraná embarcou 4.739 toneladas, com faturamento próximo de R$ 113 milhões.
Na comparação com o mesmo período de 2025, Santa Catarina ampliou suas exportações em 38,4%, enquanto o Rio Grande do Sul registrou crescimento de 21,2% e o Paraná avançou 6,9%. Quando analisada a receita, os resultados foram ainda mais expressivos. O faturamento catarinense aumentou 171,1%, o paranaense cresceu 113,1% e o gaúcho avançou 69,9%.
O México se consolidou como o principal destino da carne de peru brasileira em 2026. O país importou 6.825 toneladas entre janeiro e abril, movimentando cerca de R$ 153,5 milhões. O volume embarcado para o mercado mexicano cresceu 319,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita avançou impressionantes 627,4%.
Na sequência aparecem Chile, com 3.323 toneladas e aproximadamente R$ 114,5 milhões em compras; África do Sul, com 3.027 toneladas e R$ 27,2 milhões; Países Baixos, com 1.611 toneladas e R$ 57,3 milhões; e Peru, com 1.071 toneladas e R$ 15,8 milhões.
Além dos principais compradores, a carne de peru brasileira também chegou a mercados como Guiné Equatorial, Gana, Benin, Gabão e Bahamas, reforçando a estratégia de diversificação das exportações.
Embora represente uma fatia pequena do mercado de proteínas animais do país, a cadeia do peru mostra sinais de fortalecimento no comércio exterior. A combinação de preços mais elevados, aumento da demanda em mercados estratégicos e expansão dos embarques tem permitido ao setor compensar parte das dificuldades enfrentadas no consumo doméstico e ampliar sua participação no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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