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Cravos no ramo: Sombolismo, história e tradiçÔes em Portugal

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Usar cravos nos ramos de flores nĂŁo Ă© propriamente uma novidade. Trata-se de uma flor muito usada, devido Ă  sua forte carga simbĂłlica, pois pode ser associada a diferentes significados consoante a sua cor. Em muitas culturas, os cravos sĂŁo usados para expressar emoçÔes, intençÔes ou sentimentos. Sem dĂșvida que sĂŁo uma estratĂ©gia silenciosa, mas muito poderosa. Segundo a Interflora, especialistas no envio de flores e no seu simbolismo, cravos vermelhos simbolizam amor apaixonado, o cravo branco representa pureza e paz, estando tambĂ©m associado a novos começos. JĂĄ o cravo cor-de-rosa Ă© a flor da gratidĂŁo, tambĂ©m muitas vezes associada ao amor maternal, enquanto o amarelo Ă© a flor da alegria e da amizade, estando o roxo mais ligado ao misticismo, Ă  espiritualidade e atĂ© ao luto.

Em Portugal, o cravo – em particular o cravo de cor vermelha – Ă©, desde 1974, um poderoso sĂ­mbolo de liberdade, resistĂȘncia e esperança. Uma flor que todos os portugueses usam e reconhecem como sĂ­mbolo nacional.

O simbolismo dos cravos vermelhos em Portugal

A ligação mais imediata e recente dos cravos vermelhos no país é à Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974. Nessa noite, os militares entraram em Lisboa e derrubaram o regime ditatorial do Estado Novo, dando início a uma nova era de democracia no país. Em vez de tiros e de sangue, os soldados colocaram cravos vermelhos nos canos das suas espingardas. Esta imagem, que na altura atravessou fronteiras, faz hoje parte do imaginårio e da cultura portuguesa e é um símbolo de Abril e dos seus valores democråticos.

E tudo graças a Celeste Martins Caeiro, que, naquela manhĂŁ, levava consigo cravos vermelhos e brancos para celebrar o aniversĂĄrio do restaurante onde trabalhava. Ao ver os soldados e sem nada mais para lhes oferecer, Celeste presenteou-os com os cravos que tinha consigo. Por este gesto, Celeste Martins Caeiro (que faleceu recentemente, em novembro do ano passado) serĂĄ sempre recordada, tendo sido,, no passado Dia da Mulher (8 de Março), condecorada pelo Presidente da RepĂșblica, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.

Ainda hoje, esta data é celebrada em Portugal com cravos vermelhos, que são distribuídos e levados pela população na mão ou à lapela.

Os cravos antes do 25 de Abril

A verdade é que a ligação dos cravos à cultura portuguesa jå vinha de trås. Em algumas localidades, por exemplo, era comum colocar um cravo vermelho à janela como forma de declarar o seu amor sem usar palavras.
Usar ramos de cravos é também comum nas muitas festas religiosas e romarias que existem no país. Nestas festas, os cravos ganham destaque em andores e procissÔes conquistando um simbolismo sagrado, muitas vezes associado à fertilidade e à celebração da primavera.

Como pode ver, usar cravos num ramo pode significar muitas coisas. E da mesma forma que esta flor faz parte da memória histórica e coletiva de todos nós, sendo um tributo à luta pela liberdade, também é uma flor carregada de mensagem e perfeita para ser partilhada com quem se ama.

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