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AGRO & NEGÓCIO

Europa aprova controles de aves e mel, mas mantém decisão sobre exportações

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O Brasil superou uma etapa técnica para voltar a vender carne de aves e mel à União Europeia, mas ainda depende de uma decisão formal do bloco para retomar os embarques. Relatório divulgado nesta segunda-feira (28.09) pela Direção-Geral de Saúde e Segurança dos Alimentos da Comissão Europeia considerou satisfatórios os controles brasileiros sobre essas duas cadeias. A avaliação não resolve, por si só, a situação dos demais produtos de origem animal atingidos pela restrição europeia.

A suspensão das importações passou a valer em 3 de setembro. Desde então, o Brasil busca comprovar seus controles e obter a reinclusão das cadeias afetadas. da lista de fornecedores autorizados após considerar insuficientes as garantias apresentadas pelo país sobre o cumprimento de suas regras relativas ao uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou de rendimento. A medida alcançou diferentes cadeias, entre elas carnes, ovos, mel e pescados. Desde então, o restabelecimento das vendas depende de convencer as autoridades europeias de que os controles brasileiros atendem às exigências do bloco e de concluir o procedimento de reinclusão.

Foi nesse contexto que auditores europeus estiveram no Brasil entre 24 de agosto e 4 de setembro. A missão examinou estabelecimentos produtivos e órgãos oficiais ligados à carne de aves e aos produtos avícolas, ao mel e aos produtos apícolas. O relatório final concluiu que a legislação, os procedimentos, a capacitação dos fiscais e os controles oficiais brasileiros são capazes de oferecer as garantias exigidas para as cadeias avaliadas.

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A conclusão é relevante porque afasta, para aves e mel, a objeção técnica examinada pela auditoria. Isso não significa que as empresas brasileiras já possam voltar a embarcar esses produtos. O Ministério da Agricultura e Pecuária solicitou que o relatório entre na pauta da reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, marcada para 20 e 21 de outubro. A reinclusão depende da decisão europeia e das etapas administrativas necessárias para que ela produza efeito.

Também não se pode estender automaticamente o resultado à carne bovina, à suína, aos pescados ou aos demais produtos afetados. A auditoria divulgada nesta semana teve um recorte definido. Para cada cadeia ainda pendente, será necessário verificar quais garantias foram apresentadas, que avaliação as autoridades europeias fizeram delas e quais decisões regulatórias faltam. A aprovação de aves e mel indica avanço nas negociações, mas não é uma autorização geral para produtos de origem animal do Brasil.

Para o setor produtivo, a distinção tem consequência imediata. Avicultores e apicultores passam a ter uma avaliação técnica favorável como base para a retomada do mercado. Frigoríficos, cooperativas e exportadores, porém, ainda precisam aguardar a decisão oficial antes de contar com novas vendas ao bloco. Nas outras cadeias, a expectativa de reabertura permanece ligada a processos próprios, sem prazo confirmado no relatório divulgado agora.

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O Ministério da Agricultura afirma que, desde a decisão europeia de 12 de maio, apresentou documentação e adotou medidas para atender aos requisitos aplicáveis aos produtos destinados à exportação. A pasta avalia que não há impedimento técnico à reinclusão de aves e mel e diz acompanhar as providências regulatórias que cabem à União Europeia.

A reunião de outubro será, portanto, o próximo teste concreto da retomada. Uma decisão favorável poderá devolver à carne de aves e ao mel o acesso ao mercado europeu. Para os demais produtos, o resultado desta auditoria reforça a posição brasileira na discussão sobre seus controles oficiais, mas ainda não substitui as avaliações e autorizações específicas exigidas pelo bloco.

Fonte: Pensar Agro

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AGRO & NEGÓCIO

Carne mato-grossense briga por espaço no Peru e enxerga atalho para os mercados asiáticos

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A carne bovina de Mato Grosso busca ampliar espaço no mercado peruano e, ao mesmo tempo, acompanha uma transformação logística que pode aproximar a produção do Estado dos consumidores asiáticos. Os dois movimentos estiveram no radar da participação mato-grossense na Expoalimentaria, realizada na última semana em Lima, no Peru.

Durante os três dias de Expoalimentaria, a carne mato-grossense foi apresentada aos compradores por meio de degustações. O chef Carlos Miranda preparou cortes como ancho, fraldinha, maminha e contrafilé, mostrando diferentes possibilidades de utilização da proteína bovina.

Realizada entre os dias 23 e 25 de setembro, a Expoalimentaria é considerada a principal plataforma de negócios da indústria alimentícia da América Latina e reúne empresas, compradores e profissionais do setor. Na edição de 2025, foram mais de 31 mil visitantes e US$ 905 milhões em expectativas de negócios.

Um dos focos para a pecuária de Mato Grosso é o próprio mercado peruano. O país possui 34,1 milhões de habitantes e ainda apresenta um consumo relativamente baixo de carne bovina. Estudos sobre o mercado apontam uma média próxima de 6 quilos por habitante ao ano, enquanto em Lima o consumo chega a 8,31 quilos.

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O perfil abre espaço principalmente para vendas direcionadas a nichos de maior valor agregado, como restaurantes, hotéis e consumidores de maior renda. Para frigoríficos de pequeno e médio porte de Mato Grosso, o Peru pode funcionar como um mercado complementar para a construção de novas relações comerciais, sem a necessidade de competir apenas por grandes volumes.

Além do mercado consumidor peruano, outro ponto estratégico está na localização do país. O Peru vem investindo em infraestrutura para se consolidar como uma ligação entre a América do Sul e a Ásia, movimento que ganhou força com a entrada em operação do Porto de Chancay, na costa do Pacífico.

Para a indústria frigorífica de Mato Grosso, essa nova estrutura logística abre uma discussão que vai além das vendas ao consumidor peruano. No médio e longo prazo, corredores terrestres conectados aos portos do Pacífico podem representar uma alternativa para o escoamento de produtos do agronegócio brasileiro destinados à Ásia.

“Participar da Expoalimentaria nos permite trabalhar em duas frentes. O Peru é um mercado que pode oferecer oportunidades para frigoríficos que buscam atender nichos específicos, especialmente restaurantes e consumidores que valorizam cortes diferenciados. Ao mesmo tempo, precisamos acompanhar essa transformação logística que está ocorrendo no país, com uma estrutura portuária voltada para aproximar a América do Sul dos mercados asiáticos”, afirma o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.

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