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A Maçonaria Especulativa
Os manuscritos Regius e Cooke fazem parte desse registro
Por Cícero Ramos
Pedreiros medievais já possuíam formas próprias de organização, aprendizagem e transmissão do conhecimento. Trabalhavam em canteiros, estabeleciam regras para o exercício da profissão e construíram uma memória do próprio ofício. Os manuscritos Regius e Cooke fazem parte desse registro, reunindo normas de comportamento, referências à geometria e narrativas sobre a antiguidade e a importância da arte da construção.
No final do século XVI, a Escócia oferece uma documentação particularmente importante para acompanhar a história das lojas. William Schaw, Mestre das Obras da Coroa Escocesa e ligado à corte de James VI, aparece no centro desse período. Os Estatutos de 1598 e 1599 estabeleceram regras para os pedreiros e suas lojas, tratando da aprendizagem, disciplina, registro de nomes e marcas e demonstração de habilidades. Eram normas dirigidas ao ofício, numa época em que as lojas continuavam ligadas ao trabalho da pedra.
Os anos de 1598 e 1599 se tornaram referência para os estudos sobre a passagem à chamada Maçonaria Especulativa. Trata-se de uma convenção historiográfica. As expressões Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa ajudam a organizar períodos e características para fins de estudo, mas não significam que os homens reunidos naquelas lojas compreendessem a si mesmos dessa maneira. Os Estatutos de Schaw não criaram uma nova Maçonaria por decreto. O que veio depois seria construído ao longo do século XVII.
Entre as práticas documentadas na Escócia estava o chamado Mason Word, associado a formas de reconhecimento e aos segredos compartilhados entre os membros do ofício. Nesse período também começam a aparecer homens de outras profissões. John Boswell, proprietário das terras de Auchinleck, é um dos primeiros casos conhecidos. Em 8 de junho de 1600, participou de uma reunião da Loja de Edimburgo realizada no Palácio de Holyroodhouse, na presença de Schaw. Boswell não era pedreiro e deixou uma marca junto à sua assinatura. Sua presença está documentada; a condição exata em que participou daquela reunião, porém, não pode ser estabelecida com a mesma segurança.
Em 20 de maio de 1641, Sir Robert Moray, oficial do exército escocês, foi admitido em Newcastle, numa reunião ligada à Loja de Edimburgo. Cinco anos depois, Elias Ashmole, antiquário e estudioso inglês, registrou em seu diário que havia sido feito Free Mason em Warrington, em 16 de outubro de 1646. Entre os homens identificados naquela reunião não aparecem pedreiros de profissão.
Seria um erro, porém, contar essa história apenas por meio de nomes conhecidos como Boswell, Moray e Ashmole. Documentos escoceses do período mencionam entre os admitidos um homem ligado à produção e ao comércio de malte, um tecelão e um estalajadeiro. Aberdeen oferece um quadro ainda mais variado. Uma relação da loja, tradicionalmente atribuída a 1670, mas provavelmente compilada no final da década de 1680, reúne 49 integrantes de diferentes atividades, entre eles nobres e proprietários de terras, religiosos, um professor de matemática, um advogado, comerciantes, pedreiros e trabalhadores de outros ofícios.
Tudo isso ocorria numa Europa em que matemática, geometria, arquitetura, filosofia moral e tradições da Antiguidade despertavam renovado interesse. Neoplatonismo, hermetismo e arquitetura simbólica também circulavam naquele ambiente intelectual. A presença dessas correntes, contudo, não permite estabelecer por si só uma influência direta sobre as primeiras lojas.
Esquadro, compasso e pedra pertenciam ao cotidiano dos construtores muito antes das interpretações morais encontradas posteriormente na Maçonaria. Com o tempo, essas ferramentas também receberam significados simbólicos: o esquadro foi associado à retidão; o compasso, à medida e ao domínio de si; a pedra, ao aperfeiçoamento humano. Essas associações aparecem de maneira mais explícita na literatura maçônica do século XVIII, mas os registros disponíveis não permitem apontar quando cada ferramenta começou a adquirir determinado significado moral.
Os pedreiros não desapareceram quando homens de outras profissões passaram a frequentar as lojas. Em muitas delas, na Escócia, os profissionais do ofício continuaram predominantes até o início do século XVIII e, em alguns casos, por mais tempo. Durante décadas dividiram esses espaços com comerciantes, artesãos, proprietários, militares e homens ligados à vida intelectual.
Estabelecer uma fronteira precisa entre o “operativo” e o “especulativo” é difícil justamente porque essas realidades conviveram. Os Estatutos de Schaw fazem de 1598 e 1599 referências para compreender esse processo; Boswell, Moray, Ashmole e Aberdeen mostram a presença de homens de outras profissões nas décadas seguintes. Os trabalhadores da pedra, porém, permaneceram nas lojas e, em muitos casos, continuaram predominantes até o início do século XVIII.
Cícero Ramos é engenheiro florestal e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF).
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Fiscal de Tributos: uma carreira de Estado a serviço da sociedade
Por Flávio Emílio Rodrigues Auerswald
No dia 21 de setembro, celebramos o Dia do Fiscal de Tributos Estaduais. Além de uma data dedicada à categoria, é uma oportunidade para reconhecer uma carreira de Estado estratégica para o funcionamento da máquina pública e para a garantia de serviços essenciais à sociedade.
O trabalho fiscal nem sempre é percebido em toda sua dimensão, mas seus resultados estão presentes no cotidiano da população. Quando o Estado arrecada com eficiência, combate a sonegação e as fraudes e promove justiça fiscal, cria condições para que recursos cheguem à saúde, à educação, à segurança, à infraestrutura e às demais políticas públicas. É nesse processo que está o Fiscal de Tributos.
Além de cobrar tributos, fiscalizar significa proteger a receita pública, combater a concorrência desleal, assegurar equilíbrio nas relações econômicas e contribuir para a sustentabilidade das contas do Estado. Uma Administração Tributária eficiente interessa ao poder público, a quem produz e empreende e, sobretudo, à sociedade.
Celebramos nossa data em um momento de profundas transformações. A Reforma Tributária, a implementação do Imposto de Bens e Serviços (IBS), a integração entre administrações tributárias e o avanço da tecnologia estão redesenhando a fiscalização e a arrecadação no país.
Muda o sistema. Mudam as ferramentas. Mas a necessidade de uma Administração Tributária forte permanece e se torna ainda maior.
Mato Grosso chega a esse novo cenário com conhecimento acumulado ao longo de décadas e importantes avanços na modernização da atividade fiscal. Inteligência de dados, automação, cruzamento de informações e inteligência artificial ampliam a capacidade de atuação do Fisco e abrem novas possibilidades para uma fiscalização cada vez mais eficiente.
Modernizar, porém, não significa substituir conhecimento técnico. Significa potencializá-lo. Por isso, temos defendido investimento permanente em capacitação e atualização profissional para que os Fiscais estejam preparados para as novas responsabilidades que esse cenário impõe.
Esse processo também exige valorização da carreira. O fortalecimento das prerrogativas, a construção da Lei Orgânica da Administração Tributária (LOAT), a adequada estruturação do quadro funcional e a valorização profissional não são apenas pautas corporativas. São condições para que o Estado exerça com eficiência uma de suas funções essenciais.
Durante anos, os Fiscais de Tributos acompanharam as transformações econômicas de Mato Grosso e ajudaram a construir uma Administração Tributária cada vez mais técnica, moderna e eficiente. Temos profissionais que dedicaram décadas ao serviço público e novas gerações que chegam incorporando competências e ferramentas. É dessa união entre experiência, conhecimento e inovação que construiremos o futuro.
Neste 21 de setembro, nosso reconhecimento alcança quem atua diariamente na fiscalização, auditoria, inteligência, planejamento, tecnologia, gestão e nas diversas frentes da Administração Tributária. Alcança também os aposentados, que ajudaram a construir as bases sobre as quais avançamos hoje.
O Sindicato dos Fiscais de Tributos Estaduais de Mato Grosso (Sindifisco-MT) seguirá trabalhando por uma Administração Tributária moderna, eficiente e preparada para os desafios do novo sistema tributário. E isso passa, necessariamente, pela valorização dos Fiscais de Tributos Estaduais.
Porque onde há um Estado capaz de arrecadar com eficiência, combater a sonegação, promover justiça fiscal e transformar receita em políticas públicas, há trabalho fiscal por trás.
Neste Dia do Fiscal de Tributos, nosso respeito e reconhecimento a todos os Fiscais de Tributos Estaduais de Mato Grosso.
*Flávio Emílio Rodrigues Auerswald é presidente do Sindifisco-MT
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