Mato Grosso
Pivetta pede reflexão sobre a independência do país durante desfile cívico-militar
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, prestigiaram na noite desta segunda-feira (7) o desfile cívico-militar em comemoração aos 204 anos da Independência do Brasil, realizado na Avenida Getúlio Vargas, na capital. A celebração reuniu mais de 30 instituições, entre Forças Armadas, forças de segurança, escolas, entidades civis e grupos da sociedade.
Para Pivetta, a data vai além da festa e convida a uma reflexão sobre o momento vivido pelo país. O governador lembrou que o 7 de Setembro está ligado à memória afetiva de gerações, marcado pela infância e pela escola, e defendeu que a celebração deve vir acompanhada de um olhar crítico sobre os rumos da nação. “A Independência do Brasil é um dia de comemorar, mas também de refletir sobre o tamanho da nossa independência hoje e sobre os desafios que o país enfrenta. É um dia para se pensar”, afirmou.
O prefeito Abilio Brunini, destacou a mudança do desfile para o período noturno como um acerto. Segundo ele, a nova programação ampliou a participação da população e resgatou uma tradição que atravessa gerações. “Muitas pessoas vêm aqui para reconstruir memórias familiares. Eu, por exemplo, lembro de quando era pequeno e meu pai sempre me trazia para o desfile. Não é apenas uma celebração do 7 de Setembro, é uma construção da história da nossa cidade. Olha só a quantidade de gente. Passar o desfile para a noite fez com que muitas pessoas que não vinham começassem a participar. Agora sabemos que precisamos preparar uma estrutura ainda melhor para o próximo ano, para que todos possam acompanhar com mais conforto e qualidade”, afirmou.
A programação contou com a participação de representantes das Forças Armadas, como a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira, além da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, com alunos da Escola Estadual da Polícia Militar Tiradentes, do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Judiciária Civil e da Secretaria de Justiça. Na área militar, esteve presente o general de brigada Cláudio Gadelha Fernandes, comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada.
O desfile também reuniu instituições de ensino municipais, estaduais e federais, incluindo escolas cívico-militares, o Liceu Cuiabano e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). O Programa Siminina integrou a programação ao lado de entidades da sociedade civil, grupos escoteiros, clubes de desbravadores, motoclubes e bandas.
Entre as autoridades municipais presentes estavam os secretários de Educação, Reginaldo Teixeira; de Assistência Social, Hélida Vilela; de Comunicação, Ana Karla Costa; de Defesa Civil, coronel Alessandro Borges; interino de Esporte, Matheus Alves; de Habitação e Regularização Fundiária, Michelle Dreher; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Elisângela Fernandes Bokorni; de Segurança Pública, coronel Francyanne Siqueira; de Ordem Pública, Juliana Palhares; de Planejamento, José Afonso Portocarrero; e de Trabalho, Nivaldo Almeida.
O senador Wellington Fagundes também acompanhou a celebração e ressaltou a importância de manter viva a relação das novas gerações com a história e os símbolos nacionais. “É muito importante ver as famílias nas ruas, prestigiando o desfile e celebrando a Independência do Brasil. É uma tradição que fortalece o sentimento de pertencimento, valoriza a nossa história e mantém viva essa memória para as novas gerações”, afirmou. Também estiveram presentes o senador Jaime Campos, a deputada federal Gisela Simona, o deputado estadual Paulo Araújo e o vereador Dilemário Alencar.
A realização do desfile no período noturno foi uma das novidades desta edição. A mudança permitiu que famílias e trabalhadores tivessem mais facilidade para acompanhar a programação e contribuiu para a presença de um grande público ao longo da Avenida Getúlio Vargas, marcando a celebração da Independência do Brasil em Cuiabá e reunindo instituições civis, militares e educacionais em torno da data cívica.
BRASIL E MUNDO
Em 10 anos de lei, Brasil soma 13.703 feminicídios; MT tem a pior taxa do país
Tipificada em março de 2015, a qualificadora que deveria coibir o assassinato de mulheres por razões de gênero completa uma década com número crescente
Ao todo, 13.703 mulheres foram vítimas de feminicídio entre 2015 e 2025. Os dados mostram que o Brasil nunca conseguiu reduzir esse tipo de crime desde que ele passou a ser contado.
A curva é de crescimento constante, com exceção de 2021, ano marcado pela subnotificação nos registros. De 2019, quando 1.330 mulheres foram vítimas, para 2025, o aumento foi de 17,8%.
| Ano | Feminicídios consumados (oficial) | Taxa / 100 mil mulheres | Contexto |
|---|---|---|---|
| 2015 | 449 | 0,4 | Ano da criação da Lei |
| 2016 | 929 | 0,9 | Primeiro ano completo de vigência |
| 2017 | 1.075 | 1,0 | — |
| 2018 | 1.229 | 1,1 | — |
| 2019 | 1.330 | 1,2 | Até então, recorde histórico |
| 2020 | 1.354 | 1,2 | Início da pandemia de Covid-19 |
| 2021 | 1.347 | 1,2 | Ligeira queda por subnotificação |
| 2022 | 1.455 | 1,3 | Retomada da alta |
| 2023 | 1.475 | 1,4 | — |
| 2024 | 1.492 | 1,4 | — |
| 2025 | 1.568 | 1,4 | Maior número em 10 anos — 4 mulheres por dia |
PARA ALÉM DO NÚMERO OFICIAL
O dado oficial esconde uma subnotificação. Levantamento paralelo feito pelo Laboratório de Estudos de Feminicídio (Lesfem/UEL), que monitora notícias de jornais e inclui tentativas de assassinato, aponta que em 2025 foram 6.904 casos, sendo 2.149 consumados e 4.755 tentativas.
A diferença entre os 1.568 oficiais e os 2.149 mapeados pelo Lesfem é de 37%. Segundo as pesquisadoras, isso ocorre porque muitos boletins de ocorrência ainda são registrados como homicídio simples.
O perfil da vítima também não mudou em dez anos: 62,6% são negras, a maioria entre 18 e 34 anos, mortas dentro de casa pelo companheiro ou ex-companheiro. Em 2025, 148 mulheres foram assassinadas mesmo com medida protetiva vigente.
Antes da Lei do Feminicídio, em 2014, o Brasil não separava o crime. Naquele ano, 4.757 mulheres foram assassinadas, segundo o Atlas da Violência. A taxa geral de homicídios de mulheres caiu na última década, mas o feminicídio, aquele cometido dentro de casa, não.
Para especialistas, o aumento nos números não significa necessariamente que se mata mais mulheres hoje do que em 2014, mas que o Estado finalmente passou a enxergar e nomear esse tipo de morte. O desafio da próxima década, dizem, não é mais contar, mas impedir.
MATO GROSSO NA CONTRAMÃO: LIDERANÇA NACIONAL NEGATIVA
Mato Grosso é o estado mais letal para mulheres no Brasil. Em 2024, pelo segundo ano consecutivo, teve a maior taxa do país: 2,5 feminicídios a cada 100 mil mulheres, quase o dobro da média nacional de 1,4.
Entre 2019 e julho de 2026, o Observatório Caliandra do Ministério Público de MT já contabiliza 342 feminicídios consumados no estado.
O ano de 2020 segue como o mais violento, com 62 mortes no primeiro ano da pandemia. Depois de três anos de estabilidade, 2025 voltou a subir.
| Ano | Casos em MT | Destaque |
|---|---|---|
| 2019 | 39 | — |
| 2020 | 62 | Pico da série histórica |
| 2021 | 43 | — |
| 2022 | 47 | — |
| 2023 | 46 | — |
| 2024 | 47 | Maior taxa do Brasil: 2,5/100 mil |
| 2025 | 53 | Recorde pós-pandemia – 8 casos seguidos de suicídio do autor |
Fonte: Observatório Caliandra/MPMT e Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
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