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Muito além da testosterona: por que a saúde do homem merece mais atenção
Por Mariana Ramos
Quando o assunto é saúde hormonal masculina, quase toda a atenção costuma se concentrar na testosterona. Basta surgir cansaço, redução da libido ou dificuldade para ganhar massa muscular para que muitos homens associem esses sinais à falta desse hormônio. Mas a realidade é bem mais complexa. A saúde hormonal depende do funcionamento integrado de diversos sistemas do organismo e está diretamente relacionada ao metabolismo, ao peso corporal, ao diabetes, à qualidade do sono, à fertilidade e ao risco de doenças cardiovasculares.
O Dia do Homem, celebrado em 15 de julho, é uma oportunidade para ampliar esse olhar. Mais do que falar sobre testosterona, é um momento para reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e dos hábitos de vida que ajudam a preservar a saúde ao longo dos anos.
É verdade que a testosterona desempenha um papel importante no organismo masculino. Ela influencia a massa muscular, a saúde óssea, a libido, a produção de espermatozoides e diversos aspectos do bem-estar. No entanto, nem todo homem cansado ou com diminuição da disposição apresenta deficiência hormonal. Estresse, privação de sono, sedentarismo, obesidade, diabetes, apneia do sono, uso de determinados medicamentos e até questões emocionais podem provocar sintomas semelhantes.
Por isso, a reposição de testosterona nunca deve ser iniciada apenas com base nos sintomas ou em informações encontradas na internet. O diagnóstico depende de uma avaliação médica criteriosa, associada à realização de exames laboratoriais e à investigação das possíveis causas. Quando utilizada sem indicação, a reposição hormonal pode trazer riscos importantes, mascarar doenças e até comprometer a fertilidade.
A obesidade também merece atenção. Hoje sabemos que ela não representa apenas um excesso de peso, mas uma doença crônica que altera o funcionamento hormonal e metabólico do organismo. O excesso de gordura corporal favorece a resistência à insulina, aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol elevado, esteatose hepática e doenças cardiovasculares. Além disso, pode reduzir naturalmente os níveis de testosterona, criando um ciclo que compromete ainda mais a saúde.
O diabetes tipo 2 é outro importante problema de saúde que merece destaque. Muitas vezes, ele se desenvolve de forma silenciosa durante anos, sem provocar sintomas evidentes. Quando finalmente é diagnosticado, complicações como alterações cardiovasculares, doenças renais, problemas na visão e lesões neurológicas podem já estar instaladas. A boa notícia é que, quando identificado precocemente, o diabetes pode ser controlado e, em muitos casos, até prevenido com mudanças no estilo de vida.
Nos últimos anos, os avanços no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas ampliaram as opções terapêuticas disponíveis. Hoje existem medicamentos capazes de auxiliar no controle do peso e reduzir o risco de complicações associadas, sempre como parte de uma estratégia individualizada, que inclui alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade e acompanhamento médico.
A prevenção continua sendo o principal aliado da saúde masculina. Consultas periódicas, avaliação dos fatores de risco, controle do peso, prática de exercícios, alimentação saudável, abandono do tabagismo e consumo moderado de bebidas alcoólicas são medidas capazes de reduzir significativamente o risco de doenças que comprometem a qualidade e a expectativa de vida. Além disso, manter a pressão arterial, a glicemia e o colesterol sob controle contribui para identificar precocemente doenças silenciosas e reduzir o risco de complicações futuras.
Neste Dia do Homem, fica um convite à reflexão. A saúde masculina vai muito além de acompanhar os níveis de testosterona. É preciso olhar para o organismo de forma integrada, compreender que muitas doenças evoluem silenciosamente e entender que prevenir continua sendo o melhor caminho. Procurar atendimento médico não apenas quando surgem sintomas, mas também para realizar avaliações periódicas, é uma forma de investir na própria saúde e na qualidade de vida.
Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care em Cuiabá-MT
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O Programa Aprendiz começa na lei, mas o sucesso depende de líderes autênticos
Por José Augusto Minarelli
A Lei da Aprendizagem estabelece uma obrigação para muitas empresas. Mas a lei, por si só, não forma profissionais. Ela cria a oportunidade. Quem transforma essa oportunidade em uma carreira é a liderança. Ao ler depoimentos de ex-aprendizes, um aspecto chama a atenção: eles raramente falam da legislação. Quase nunca mencionam a cota. O que permanece na memória são as pessoas. O líder que ensinou. O gestor que teve paciência. Quem acreditou no seu potencial. Quem orientou nos primeiros desafios. Quem corrigiu sem desestimular. Quem confiou.
Esses relatos revelam uma verdade simples. O Programa Aprendiz começa na lei. Mas seu sucesso depende da liderança. Não basta receber um jovem na empresa. É preciso acolhê-lo. Ensinar. Orientar. Ouvir. Dar retorno. Estimular sua curiosidade. Permitir que aprenda com os erros. Mostrar-lhe como funciona o ambiente profissional. Mais do que supervisionar tarefas, o líder forma pessoas. O jovem aprendiz chega sem experiência. Mas não chega sem talento.
Chega com vontade de aprender. Com expectativa. Com sonhos. Muitas vezes, aquela é a sua primeira oportunidade de trabalho e também a primeira experiência concreta de responsabilidade profissional. A forma como será recebido poderá influenciar toda a sua trajetória.
Ao longo da minha carreira**,** acompanhei inúmeros casos de jovens que iniciaram como aprendizes, foram efetivados, cresceram profissionalmente e assumiram posições de liderança. O que havia em comum entre eles? Além da dedicação pessoal, encontraram líderes que lhes ensinaram, confiaram em seu potencial e lhes deram oportunidade para crescer. É por isso que costumo dizer que o líder não administra apenas aprendizes. Ele ajuda a formar os profissionais de que a própria empresa precisará no futuro.
Cada jovem pode representar um futuro analista. Um especialista. Um supervisor. Um gerente. Talvez até um diretor. Quando o líder compreende essa responsabilidade, deixa de enxergar o aprendiz apenas como alguém que precisa cumprir tarefas. Passa a vê-lo como um investimento em pessoas.
Os melhores programas de aprendizagem não são necessariamente aqueles que apenas cumprem a legislação. São aqueles em que os líderes assumem o compromisso de desenvolver gente. Empresas que enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados encontram, na aprendizagem, uma oportunidade de formar seus próprios talentos. Mas isso somente acontece quando a liderança participa desse processo. Os depoimentos de tantos ex-aprendizes deixam uma lição valiosa. Eles não agradecem apenas pela vaga. Agradecem pelas pessoas que acreditaram neles.
O maior legado de um líder talvez não seja apenas entregar resultados. Seja formar pessoas. Pessoas que um dia formarão outras pessoas. É assim que uma empresa constrói uma cultura de desenvolvimento. É assim que surgem novas lideranças. É assim que o Programa Aprendiz cumpre sua verdadeira missão. A lei abre a porta. A liderança transforma oportunidade em desenvolvimento. E o aprendiz transforma essa oportunidade em uma carreira. Todos ganham, a Empresa, o Jovem, a Escola e o Brasil.
José Augusto Minarelli é presidente do Sistema Nacional do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE e presidente do Conselho de Administração do CIEE/SP
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