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A Noruega venceu o marketing da Seleção

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Por Claiton Cavalcante

A eliminação do Brasil para a Noruega, na Copa do Mundo de futebol, não foi apenas um desastre esportivo. Foi um retrato. Em campo, vimos um futebol lento, previsível, burocrático. Fora dele, enxergamos algo ainda pior, uma Seleção que parece ter aprendido a obedecer mais ao marketing do que ao amor à camisa.

O contraste ético e esportivo do confronto começa na mentalidade. A Noruega é culturalmente influenciada pela Lei de Jante, princípio que valoriza o coletivo e rejeita a ideia de que alguém esteja acima dos demais. Em campo, isso se traduz em um time operário, focado, disciplinado, no qual o plano de jogo serve ao todo. No Brasil, porém, parece vigorar a lei do privilégio.

Como explicar a insistência em convocar e escalar Neymar, cercado de dúvidas físicas e longe de sua plenitude competitiva? Privilegiou-se o nome, o marketing e a hierarquia da vaidade em detrimento do desempenho técnico real.

Sob o peso da Lei de Jante, fomos esmagados por um coletivo “brigador” porque insistimos em um individualismo capenga. E esse individualismo não nasceu apenas dentro de campo, ele foi alimentado por uma engrenagem em que a marca passou a valer mais que a camisa.

O Brasil fez o caminho inverso. Transformou talento em marca, camisa em produto, convocação em vitrine e jogo em campanha publicitária. O jogador já não entra apenas para defender a Seleção. Entra também para sustentar narrativa, contrato, engajamento e valor de mercado.

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Quando o marketing pesa mais que o mérito, a bola sente. Quando o nome pesa mais que a condição física, o coletivo paga. E quando a vaidade decide antes da técnica, a derrota deixa de ser surpresa.

Neymar é o símbolo mais evidente desse conflito. Não se discute aqui sua genialidade histórica. Discute-se a incapacidade do futebol brasileiro de encerrar ciclos sem transformar ídolos em obrigação. O problema não é ter craque. O problema é ajoelhar diante do craque mesmo quando o jogo pede outra coisa.

A Seleção foi sequestrada pela ideia de que algumas figuras precisam estar em campo porque vendem, emocionam e rendem manchetes. Mas Copa do Mundo não é peça de licenciamento, ainda que pareça ser. É competição.

Também perdemos identidade. Na obsessão de copiar o “futebol moderno” europeu, importamos técnicos e engessamos aquilo que nos fez diferentes. Copiamos linhas, mapas de calor, passes laterais, saídas de bola com longos cruzamentos feitos pelos zagueiros tendo o atacante à sua frente e uma prudência sem alma. Jogamos fora a ginga, o improviso, o drible que desorganiza. Verdade seja dita. Viramos um time europeu de segunda linha, sem a frieza deles e sem a alegria que era nossa.

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A crise técnica em campo é irmã da crise institucional. Uma entidade marcada por disputas políticas, suspeitas e interesses privados dificilmente produzirá um projeto limpo, meritocrático e corajoso. A Seleção deixou de parecer patrimônio afetivo do povo brasileiro para parecer ativo administrado por gente que enxerga o futebol antes como negócio e só depois como paixão.

A Noruega nos eliminou com a humildade de quem sabia o que era. O Brasil caiu pela soberba de quem ainda acha que camisa ganha jogo sozinha.

No fim, sobrou a cena simbólica. Segundo leitura labial divulgada após a partida, Neymar, ao converter o pênalti, teria dito ao goleiro norueguês: “Aqui não, otário”. Mas houve, sim, “aqui”. Aqui se encerrou um ciclo. Aqui o marketing perdeu para o coletivo. Aqui a ofensa virou espelho. Foi o famoso tiro que saiu pela culatra.

Claiton Cavalcante é membro da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis, do Instituto dos Contadores do Brasil e integrante da Rede InovaGov da Escola Nacional de Administração Pública.

 

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LBI: um marco para a cidadania e a dignidade

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Por Maysa Leão

No dia 6 de julho celebramos a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), um marco na garantia dos direitos das pessoas com deficiência. Mais do que uma legislação, a LBI representa uma mudança de olhar, reafirmando que a deficiência não pode ser tratada como limitação para o exercício da cidadania, mas como um compromisso coletivo de eliminar barreiras e construir oportunidades.

É justamente essa compreensão que orienta a minha atuação na Câmara Municipal de Cuiabá. A inclusão não acontece apenas quando reconhecemos direitos no papel. Ela se concretiza quando transformamos esses direitos em políticas públicas, em informação acessível, em atendimento humanizado e em respeito à diversidade humana.

Foi com esse propósito que apresentei leis voltadas para fortalecer a autonomia e a dignidade das pessoas com deficiência e de suas famílias. A publicização da jornada do autista, por exemplo, garante que a população saiba onde buscar diagnóstico, terapias e medicamentos na rede municipal. Informação também é acessibilidade. Também aprovamos a criação da Semana Municipal de Conscientização e Responsabilidade Parental de Crianças e Adolescentes com Deficiência, reforçando que o cuidado, a inclusão e o desenvolvimento dessas crianças exigem uma rede de apoio fortalecida e uma sociedade mais consciente.

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Outro avanço importante foi assegurar às mulheres surdas o direito de contar com intérprete de Libras durante todo o processo de pré-parto, parto e pós-parto imediato. Humanizar o atendimento também significa garantir comunicação, autonomia e segurança em um dos momentos mais importantes da vida. Da mesma forma, a proposta de incluir o símbolo do Cordão de Girassol e outras identificações de deficiências ocultas nas sinalizações de prioridade amplia o reconhecimento de pessoas cujas necessidades nem sempre são visíveis, mas que merecem o mesmo respeito e acolhimento.

A LBI nos ensina que inclusão não é favor, nem privilégio. É um direito. E direitos só existem plenamente quando são conhecidos, respeitados e efetivamente garantidos. Ainda temos muitos desafios pela frente, desde a oferta de serviços públicos até a eliminação de preconceitos que continuam limitando vidas. Mas cada avanço demonstra que é possível construir uma cidade mais justa quando escolhemos ouvir quem historicamente foi invisibilizado.

Celebrar a Lei Brasileira de Inclusão é reconhecer as conquistas alcançadas, mas, acima de tudo, lembrar que uma sociedade verdadeiramente inclusiva é construída todos os dias, por meio de decisões, atitudes e políticas públicas que coloquem a dignidade humana acima de qualquer barreira.

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Maysa Leão é vereadora em Cuiabá

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