economia
Vendas B2B no Brasil: pesquisa com mais de mil profissionais mostra desafios e tendências do setor
Vender para outras empresas nunca foi simples, mas os números mostram que o problema não está na falta de esforço dos times comerciais. Está na forma como o trabalho é organizado no dia a dia. É isso que revela o Panorama do Uso de IA nas Vendas B2B no Brasil, levantamento feito pela Agendor em 2025 com 1.031 profissionais de vendas de empresas brasileiras.
A pesquisa ouviu vendedores, gestores e líderes comerciais de diferentes setores, incluindo negócios ligados ao agronegócio e à indústria, dois segmentos fortes em Mato Grosso, e traçou um retrato bem definido de onde o setor está travando e para onde está olhando.
Quem são os profissionais por trás das vendas B2B no Brasil
Antes de entrar nos números sobre desafios e ferramentas, vale entender quem respondeu à pesquisa. Quase metade dos profissionais (48,1%) tem mais de dez anos de carreira em vendas, e cargos de liderança, como sócios, fundadores, diretores e gerentes, somam 40,4% das respostas.
Ou seja, a maior parte de quem falou sobre os gargalos do setor não está apenas executando processos no dia a dia, mas também desenhando e cobrando esses processos de outras pessoas.
O recorte também mostra um mercado dominado por estruturas pequenas: 59% das equipes comerciais têm até cinco colaboradores, e o modelo misto, que combina vendedores internos e externos, é o mais comum, presente em 53,9% das empresas.
O setor de indústrias e fábricas é o mais representativo na amostra, com cerca de 20% dos respondentes, seguido por distribuidoras, revendas e empresas de tecnologia.
Esse perfil ajuda a explicar por que desafios como falta de tempo, geração de leads e processos pouco definidos aparecem com tanta força nos próximos dados: são equipes enxutas, geridas por quem também vende, tentando equilibrar execução e estratégia ao mesmo tempo.
Geração de leads ainda é o maior gargalo das vendas B2B
Quando perguntados sobre o que mais dificulta o trabalho comercial, 26,74% dos profissionais apontaram a geração de leads qualificados como o principal desafio. Em segundo lugar veio a dificuldade de converter oportunidades em vendas, citada por 23,15%. Completando o top 3, 17,74% mencionaram a falta de tempo para pensar de forma estratégica.
Os três dados juntos formam um retrato claro do funil comercial brasileiro hoje: poucas oportunidades entram, as que entram não avançam como deveriam, e quem deveria repensar o processo está ocupado demais resolvendo problemas do dia a dia para conseguir parar e planejar.
Por que o time vende menos mesmo trabalhando mais
Outro bloco de perguntas do estudo investigou o que mais cansa os profissionais de vendas B2B na rotina. O excesso de tarefas operacionais lidera essa lista, mencionado por 48,01% dos respondentes. A pressão por metas altas vem em seguida, com 42,29%, e o uso de várias ferramentas que não conversam entre si aparece com 37,34%.
Isso significa um vendedor que abre o WhatsApp para falar com o cliente, depois preenche uma planilha, depois entra em outro sistema para montar uma proposta e ainda tenta lembrar em qual conversa ficou pendente aquele retorno. O dia inteiro é gasto, mas boa parte desse tempo não chega a virar venda.
Pressão por metas: quando a cobrança se torna um problema de saúde
Cobrar resultado faz parte de qualquer área comercial, mas a pesquisa mostra que essa pressão já passou de um certo limite para boa parte dos times brasileiros. Quase metade dos profissionais (47,4%) classifica o nível de pressão por metas na empresa como alto ou muito alto, enquanto 35,9% descrevem a cobrança como mediana.
O dado mais direto, porém, é outro: mais da metade dos respondentes (52,2%) afirma que a pressão por resultados já afetou negativamente sua saúde mental. Não é uma percepção isolada. Segundo o Ministério da Previdência Social, citado no próprio estudo, o Brasil registrou quase 473 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais no último levantamento disponível, e a área comercial está entre as mais expostas a esse tipo de desgaste.
A pesquisa também encontrou uma relação entre o tamanho da equipe e o nível de cansaço. Profissionais que atuam em empresas com mais de 100 colaboradores relatam o maior índice de cansaço crônico (51,7%) provavelmente puxado pela burocracia e pela complexidade típicas de operações maiores. Já nas equipes de 21 a 50 colaboradores, esse índice cai para 31,9%, a menor taxa entre todos os portes analisados.
CRM cresce, mas a planilha ainda não foi embora
Um dos pontos mais interessantes do levantamento é sobre a adoção de ferramentas de gestão comercial. Atualmente, 68,2% dos profissionais já usam algum sistema de CRM, e esse percentual sobe para 80,4% quando se somam as empresas que estão em processo de implementação.
O contraponto vem logo depois: 80,8% dos profissionais ainda recorrem a planilhas para apoiar o trabalho comercial, mesmo já tendo um CRM disponível. Isso mostra que contratar uma ferramenta é só o primeiro passo.
Se o sistema é difícil de usar ou não encaixa na rotina do time, a planilha continua sendo o caminho mais rápido, e as informações terminam divididas entre dois lugares diferentes, o que na prática reduz a confiabilidade dos dados comerciais.
Equipes pequenas são as que mais resistem ao CRM, e as que mais perdem com isso
Um dos cruzamentos mais interessantes do estudo mostra que o tamanho da equipe influencia diretamente a adoção de CRM. Entre empresas com seis a dez vendedores, a adoção chega a 81,6%, o maior índice entre todos os portes pesquisados. Já nas equipes menores, de um a cinco colaboradores, a adoção cai para 62,83%, e a taxa de quem nunca usou um CRM sobe para 18,59%, a maior do levantamento.
A ironia é que são justamente essas equipes pequenas as que mais precisariam de uma ferramenta de gestão. O estudo mostra que times sem CRM enfrentam quase o dobro da dificuldade com falta de visibilidade sobre o funil de vendas e com falta de processos definidos, na comparação com equipes que já usam a ferramenta.
Sem um funil organizado, cada vendedor de uma equipe pequena acaba carregando o processo na própria memória, o que torna a operação ainda mais vulnerável quando alguém sai do time ou tira férias.
O papel esperado da inteligência artificial nas vendas B2B
A pesquisa também perguntou aos profissionais como eles veem o papel da inteligência artificial nos próximos dois anos. Para 52,38%, a IA vai principalmente automatizar tarefas operacionais e liberar tempo do time comercial. Outros 30,26% acreditam que a tecnologia vai contribuir para decisões mais estratégicas. Apenas 1,45% disseram não esperar nenhum impacto relevante.
Quando o estudo foi mais específico e perguntou em quais tarefas os profissionais gostariam de receber apoio da IA, dois pontos se destacaram: acompanhamentos e envio de e-mails, citado por 62,85%, e o registro de atividades no CRM, mencionado por 52,86%. Não é coincidência que sejam justamente as tarefas que mais consomem tempo sem gerar valor direto para o negócio.
Como a tecnologia pode mudar esse cenário
Os números do estudo mostram um problema estrutural, mas também apontam o caminho para resolvê-lo: processos mais claros, ferramentas que realmente conversam entre si e tecnologia que tira trabalho manual de cima do time sem adicionar mais complexidade na rotina.
Júlio Paulillo, cofundador e diretor de receita da Agendor, empresa responsável pelo levantamento, chama atenção justamente para esse ponto. Segundo ele, a adoção de inteligência artificial nas vendas já é um caminho sem volta, mas isso não significa que toda empresa esteja extraindo valor dela.
“É preciso saber para onde olhar, qual caminho seguir e como buscar uma melhoria contínua de forma a alcançar os resultados desejados, não apenas adotar uma nova ferramenta”, afirma. É uma leitura que conversa diretamente com o que a pesquisa mostra sobre CRM: ter o sistema não resolve nada se ele não vira parte da rotina do time.
Paulillo também aponta a liderança como a peça que decide se a tecnologia vai além do operacional. “Em empresas onde a liderança é mais aberta à tecnologia, a IA tende a ser mais integrada de forma estratégica”, afirma.
Essa mudança de cultura aparece em ferramentas como o próprio Agendor CRM, que reúne funis de vendas, automação de tarefas e lembretes, e integração com WhatsApp em um único sistema, evitando que informações continuem espalhadas entre planilhas, aplicativos e anotações soltas, sem depender da memória de cada vendedor.
No ecossistema Agendor, esse cuidado com a parte operacional aparece também na Ava, assistente de inteligência artificial que atua diretamente pelo WhatsApp. Ela atualiza contatos e negociações automaticamente, sugere o próximo passo de cada conversa e envia lembretes de follow-up, tarefas que, segundo a própria pesquisa, estão entre as que mais consomem tempo dos times comerciais no dia a dia.
Portanto, os dados do estudo sugerem que o setor já identificou onde estão os gargalos. O que falta, segundo o próprio levantamento, é dar o próximo passo: tratar tecnologia e inteligência artificial não como mais um item na lista de ferramentas, mas como parte da estratégia comercial.
economia
Margem do consignado INSS aumentou: o que isso impacta?
Entenda o que mudou na margem do INSS, quem pode aproveitar o aumento de margem consignado 2026 e o que esperar nos próximos anos
Em maio de 2026, a Medida Provisória 1.355 alterou as regras do crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A principal mudança foi na margem consignável: ela passou de 45% para 40% e deixou de ser dividida em fatias fixas para cartão e empréstimo.
Para muitos aposentados e pensionistas, a mudança significa mais flexibilidade na hora de usar o limite disponível. A seguir, veja o que mudou na prática, quem pode se beneficiar e como ficam os contratos já existentes.
Por que a margem do consignado INSS mudou em 2026
A mudança veio com a Medida Provisória (MP) 1.355, publicada em maio de 2026 como parte do Novo Desenrola Brasil. A MP alterou a Lei 10.820/2003 e redefiniu o limite de quanto do benefício pode ser comprometido com parcelas de crédito consignado.
A justificativa do governo foi reduzir o endividamento entre aposentados e pensionistas e tornar as operações mais transparentes.
Com a mudança, a margem passou a ser unificada: o beneficiário decide como usá-la, sem reserva obrigatória para nenhum produto específico.
O que era a margem antes e o que mudou na prática
Na regra anterior, a margem total era de 45% do benefício, dividida em fatias fixas. Eram 35% para empréstimo consignado, 5% reservados para o cartão de crédito consignado e outros 5% para o cartão benefício.
Essa reserva era obrigatória: mesmo quem nunca usou nenhum dos dois cartões não podia aproveitar esses 10% no empréstimo.
Com a MP 1.355, essa divisão foi eliminada. Os 40% passaram a funcionar como uma margem única, sem reserva obrigatória para nenhum produto.
Quem nunca usou cartão consignado passa a ter esses 5 pontos percentuais disponíveis para empréstimo. Um exemplo prático: quem recebe R$ 2.000 de benefício pode comprometer até R$ 800 em parcelas mensais.
Quem pode se beneficiar do aumento de margem consignado 2026
Dois perfis se beneficiam mais diretamente da nova regra. O primeiro é quem estava sem margem disponível: com a unificação, parte da fatia antes reservada para cartão fica agora acessível para empréstimo, o que pode viabilizar uma contratação que antes não caberia no limite.
O segundo perfil é quem já tem contrato ativo e pode querer negociar melhores condições. Quem tem um empréstimo mais antigo, com taxa menos competitiva, pode avaliar a portabilidade ou o refinanciamento para aproveitar as novas condições do mercado.
Para entender como o aumento de margem consignado 2026 impacta o valor que você pode contratar, vale simular diretamente na meutudo, fintech que já opera com a nova regra e oferece condições atualizadas para aposentados e pensionistas.
A margem continua mudando nos próximos anos?
A MP 1.355 prevê uma redução gradual da margem a partir de 1º de janeiro de 2027. O limite cai 2 pontos percentuais por ano até chegar a 30% em 2031. O calendário é: 38% em 2027, 36% em 2028, 34% em 2029, 32% em 2030 e 30% a partir de 2031.
Essa queda não começa agora e não afeta contratos já firmados. Os novos percentuais valem apenas para novos contratos, celebrados a partir da vigência de cada etapa. Quem contrata hoje segue as regras atuais até o fim do contrato.
Contratos atuais são afetados pela nova margem?
Não. Quem já tem empréstimo consignado ativo mantém exatamente as condições contratadas, incluindo prazo, taxa e valor das parcelas. A nova margem de 40% vale apenas para contratos novos celebrados a partir de 19 de maio de 2026.
Não há reenquadramento forçado, e ninguém perde margem de um dia para o outro por causa das mudanças.
Quem tem contrato antigo com taxa mais alta, porém, pode se perguntar se vale renegociar. A portabilidade e o refinanciamento se tornaram mais interessantes justamente agora, já que permitem aproveitar o novo prazo de 108 parcelas (ampliado de 96) e, dependendo das condições, reduzir o custo total do crédito ou acessar um valor adicional com o troco.
O que mais mudou no consignado INSS em 2026?
Além da margem, outras mudanças relevantes entraram em vigor neste ano e afetam diretamente quem quer contratar crédito consignado.
A primeira é o bloqueio automático do benefício: a partir de abril de 2026, o benefício é bloqueado após cada nova contratação. Para contratar novamente, o titular precisa desbloquear manualmente via Meu INSS, com biometria facial.
A segunda mudança é a proibição de contratação por representantes legais: tutores, curadores e procuradores não podem mais contratar empréstimos em nome do beneficiário. Toda operação passa a exigir participação direta e pessoal do titular.
Por fim, a anuência digital se tornou obrigatória: após contratar com a instituição financeira, o beneficiário tem até 5 dias corridos para confirmar a proposta no Meu INSS com biometria facial. Sem essa confirmação, o contrato é cancelado automaticamente e a margem devolvida.
As mudanças de 2026 alteram as condições do consignado INSS de forma relevante, tanto para quem quer contratar agora quanto para quem já tem crédito ativo. Entender o que mudou ajuda a tomar decisões mais alinhadas à sua situação.
Se você tem um contrato em andamento ou está considerando contratar, vale revisar as condições disponíveis hoje e avaliar se fazem sentido para o seu orçamento.
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