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POLÍTICA NACIONAL

Jaques Wagner deixa a liderança do governo após conversa com o Presidente

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O senador Jaques Wagner, do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, deixou nesta quarta-feira (24.06) a liderança do governo no Senado, encerrando uma semana de forte desgaste político iniciada após a Polícia Federal colocá-lo no centro de uma investigação sobre supostas vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master. A saída foi acertada durante uma reunião de cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Homem de confiança de Lula há mais de quatro décadas e um dos principais articuladores do governo no Congresso, Wagner vinha resistindo à possibilidade de deixar o cargo. Logo após a operação da PF, realizada na semana passada, o senador afirmou que não pretendia renunciar e disse contar com a confiança do presidente. Na ocasião, revelou ter recebido uma ligação de Lula em solidariedade e classificou como improvável sua saída da liderança.

A permanência, porém, tornou-se cada vez mais difícil à medida que vieram à tona os detalhes da investigação. Segundo a Polícia Federal, Wagner é apontado como beneficiário de vantagens econômicas que somariam pelo menos R$ 8,35 milhões, supostamente concedidas em troca de atuação favorável aos interesses do Banco Master no Congresso Nacional. O senador nega qualquer irregularidade.

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Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao parlamentar na Bahia e no Distrito Federal. As apreensões incluíram 55 mil dólares, 33 mil euros e 13 relógios encontrados em imóveis relacionados ao senador. A investigação também cita a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de repasses financeiros para empresas ligadas a familiares.

A PF sustenta que Wagner teria atuado em diferentes frentes legislativas consideradas estratégicas para os interesses do Banco Master, incluindo discussões sobre crédito consignado, regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e negociações envolvendo o sistema financeiro. O caso integra a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de influência política e irregularidades financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco.

Nos dias seguintes à operação, aliados do governo passaram a defender reservadamente que o senador deixasse a liderança para evitar que as investigações contaminassem a agenda política do Planalto. A avaliação era de que a manutenção de Wagner no posto ofereceria munição à oposição e dificultaria negociações no Senado em um momento sensível para o governo.

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Após o encontro com Lula, Wagner anunciou que o afastamento ocorreu “em comum acordo”. Em mensagem divulgada nas redes sociais, afirmou que sua prioridade agora será provar a própria inocência e se dedicar às campanhas eleitorais de aliados e à sua tentativa de reeleição ao Senado.

A saída representa a primeira baixa de peso no núcleo político mais próximo de Lula em decorrência das investigações sobre o Banco Master. Além de atingir um dos principais nomes do PT, o episódio cria um novo foco de desgaste para o Palácio do Planalto às vésperas do início mais intenso das articulações eleitorais e da disputa pela sucessão presidencial.

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POLÍTICA NACIONAL

Debatedores criticam aumento de exigências a instituições para idosos

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Debatedores alertaram nesta quinta-feira (25) para possíveis impactos negativos de projeto aumenta as exigências para o funcionamento de instituições de longa permanência para pessoas idosas (ILPIs). Para eles, a proposta amplia as responsabilidades das entidades e com isso pode comprometer o atendimento e até levar ao fechamento de unidades de longa permanência. Os participantes da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) criticaram o PL 411/2024, que determina o oferecimento, por essas instituições, de melhores condições de habitabilidade, higiene, salubridade, segurança e acessibilidade, além de permitir que comprem equipamentos e medicamentos para promover a saúde e a qualidade de vida de seus residentes. 

O debate foi requerido pela presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora do PL 411/2024, de autoria do deputado federal Pepe Vargas (PT-RS). Segundo ela, o objetivo foi reunir subsídios para aperfeiçoar o texto, que altera o Estatuto da Pessoa Idosa para tratar das ILPIs. A audiência ocorreu durante a Campanha Junho Violeta, dedicada à conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa.

Damares classificou o tema como um dos principais desafios sociais das próximas décadas, diante do envelhecimento da população brasileira. Ela salientou que o país passa de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos, tendo cerca de 6,2 mil de instituições de longa permanência e aproximadamente 160 mil idosos acolhidos. Segundo a senadora, cerca de 65% dessas instituições têm natureza filantrópica e apenas 6,5% são mantidas diretamente pelo poder público.

— Por trás desses números, existem histórias humanas que não podem ser ignoradas. Existem famílias que enfrentam enormes dificuldades para cuidar de idosos com elevado grau de dependência. Existem instituições filantrópicas que realizam um trabalho admirável, mas convivem diariamente com desafios financeiros e operacionais. E existem também idosos em situação de abandono ou fragilidade de vínculos familiares — afirmou.

Saúde e assistência social

A relatora disse que vê avanços na proposta, mas há pontos que exigem debate, especialmente sobre o financiamento ILPIs, a integração entre assistência social e saúde e o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (Suas) na política nacional de cuidados de longa duração.

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Segundo Damares, muitas instituições acolhem idosos com doenças crônicas e necessidades de atendimento de saúde, como uso de oxigênio, medicamentos e acompanhamento de enfermagem. Por isso, ela considera importante discutir a possibilidade de que essas entidades possam atuar simultaneamente nas áreas de assistência social e saúde, recebendo recursos de ambos os setores quando necessário.

— O que não estamos achando humano e justo é idosos morando em hospitais. Hospital não é casa. É isso que esse projeto propõe, e é uma discussão delicada — afirmou.

‘Modelo híbrido’

O presidente da Federação de Instituições de Longa Permanência para Pessoa Idosa do Brasil (FedILPIs), Sérgio Soares de Oliveira, afirmou que o modelo híbrido entre assistência social e saúde já existe no país por meio das casas de repouso, que são regulamentadas e fiscalizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo ele, a principal diferença é que as ILPIs têm caráter residencial, enquanto as casas de repouso oferecem atendimento de saúde permanente, com estrutura específica e equipes multiprofissionais. Para Oliveira, o debate sobre a integração dos serviços não representa uma inovação, mas exige a ampliação do financiamento público para estruturas já existentes.

— O nosso país já tem essa separação. Basta ter força de vontade. Para quê? Para colocar dinheiro onde já é misto. Nós precisamos colocar dinheiro dentro das casas de repouso — afirmou.

Atribuições

Janaina Zambusi Nogueira Bastos, representante da Casa de Repouso da Janaina, argumentou que o projeto atribui às instituições responsabilidades que hoje pertencem ao sistema público de saúde e pode gerar dificuldades para a manutenção dos serviços prestados.

— A saúde é um dever do Estado. A assistência social tem sua própria função. A família também tem responsabilidades legais. A ILPI acolhe, organiza, cuida, protege e dá suporte diário. Mas ela não pode assumir sozinha obrigações que pertencem ao sistema público de saúde — afirmou.

Para o ex-secretário Nacional da Pessoa Idosa, Antônio Costa, o projeto é inconstitucional, porque transfere para as ILPIs atribuições que cabem ao Estado e não apresenta a origem dos recursos necessários para cumprir as novas exigências.

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— Se queremos apresentar uma solução, primeiramente, temos que definir qual é o papel do Suas, qual é o papel do SUS e o que queremos com as nossas instituições, porque se passar dessa forma é um desastre — disse.

Cuidado integrado

Representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Daniella Cristina Jinkings Santana defendeu um modelo de cuidado integrado, mas sem que se amplie responsabilidades sem financiamento correspondente.

— A gente não pode jogar na ILPI os cuidados para todas as situações de saúde, porque inviabiliza a oferta — declarou a representante do governo.

Daniella Santana também defendeu maior atenção ao financiamento da assistência social e mencionou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 7/2026, que trata da vinculação de recursos para a área.

Revisão do projeto

Kenio Costa de Lima, representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, disse ser preciso ter cautela na elaboração de políticas públicas para a população idosa. Ele defendeu a revisão do projeto e a qualificação do cuidado.

— A gente tem que entender que as pessoas que estão vivendo em instituições de longa permanência são sujeitas de direito. [E] não é qualquer coisa que eu faça para as pessoas idosas que é o adequado — sublinhou.

Instalações

Os participantes da audiência pública também questionaram dispositivos do projeto relacionados à obrigatoriedade de contratação de profissional de Libras, à instalação de câmeras sem previsão de recursos para custeio e à revogação de regras sobre a permanência de pessoas que necessitam de assistência médica ou de enfermagem permanente em instituições de caráter social.

Ao final da audiência, Damares afirmou que poderá apresentar uma versão alternativa ao texto aprovado pela Câmara dos Deputados, incorporando contribuições recebidas durante o debate.

Também participaram da audiência Olivia Lucena de Medeiros, representante do Ministério da Saúde; Valdir Aparecido Alves, representante da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP); e Marco Lima, advogado e presidente da Comissão de Defesa da OAB-DF.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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