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Mato Grosso

PGR analisa denúncia contra o ex-governador Mauro Mendes

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Ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisam denúncia que aponta supostas irregularidades em contratos firmados entre o governo de Mato Grosso (durante a gestão Mauro Mendes) com o Banco Master.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo na coluna Malu Gaspar, desta quarta-feira (24.06), a apuração mira o processo de credenciamento do sistema de crédito consignado “Credcesta”, vinculado à referida instituição financeira, para atender servidores estaduais de Mato Grosso em 2023.

A denúncia, que tramita sob sigilo, questiona a legalidade do processo de habilitação do sistema, que permitiu ao Banco Master operar na folha de pagamento do Executivo estadual durante a atual administração.

A peça protocolada junto ao Ministério Público Federal aponta possíveis vícios no edital de credenciamento. A suspeita é de que as exigências técnicas tenham sido desenhadas para favorecer a entrada do Credcesta, levantando dúvidas sobre a isonomia do processo frente a outros concorrentes do mercado. O caso integra um conjunto de apurações nacionais que buscam identificar se o Banco Master utilizou lobby para se inserir em administrações estaduais sob condições vantajosas.

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Embora o contrato pertença ao Estado, a investigação no STJ volta-se diretamente contra Mauro Mendes por ser o governador do Estado e, portanto, o chefe do Poder Executivo responsável pelas assinaturas e pelas diretrizes políticas que autorizaram o credenciamento em questão. O sigilo do processo, solicitado pela PGR, visa proteger as diligências iniciais que buscam confirmar se houve, de fato, a participação ou o conhecimento do gestor nas supostas irregularidades apontadas.

Procurado, o governo de Mato Grosso negou qualquer ilicitude. Em nota, a gestão Mauro Mendes afirmou que todos os procedimentos de credenciamento seguiram a legislação e passaram pelo crivo das instâncias técnicas da administração estadual, sem qualquer favorecimento a instituições financeiras. O Palácio Paiaguás reiterou que o Estado não foi notificado de qualquer inquérito formal e que o contrato com o Credcesta atende aos interesses dos servidores públicos por oferecer taxas competitivas.

Segundo a colunista de O Globo, Mendes é o segundo aliado de Jair Bolsonaro a entrar na mira da Justiça por atos relacionados ao Credcesta à frente de um governo estadual. O outro é Cláudio Castro (PL-RJ), que também renunciou ao cargo em março passado para concorrer ao Senado, mas desistiu após ser alvo de duas operações da Polícia Federal (PF), uma delas no âmbito do caso do Banco Master.

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Mato Grosso

TCE-MT vai recomendar medidas para ampliar autonomia e estrutura de Conselhos Municipais de Saúde

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As fragilidades estruturais e os desafios enfrentados pelos conselhos municipais de saúde de Mato Grosso foram apresentados nesta terça-feira (23), durante a palestra magna da capacitação “Governança e Monitoramento dos Planos”, realizada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).

Com base no diagnóstico, o presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas), conselheiro Guilherme Antonio Maluf, anunciou que o Tribunal irá recomendar a prefeitos e secretários medidas para ampliar a autonomia, a estrutura e a capacidade de fiscalização desses colegiados.

Com o tema “Controle Social do SUS em Mato Grosso: Estrutura, Organização e Funcionamento dos Conselhos Municipais de Saúde – 2026/ Análise de Resultados do Estudo de Campo sobre o Cenário Atual – Observatório de Dados de Saúde”, a palestra do conselheiro abriu a programação técnica do encontro, que segue até quarta-feira (25).

A pesquisa, aplicada em 82 dos 142 municípios do estado, expôs que 40% dos conselhos analisados não têm sala própria, 84% não dispõem de sanitários adequados e apenas 2% contam com veículo exclusivo. A maioria depende de equipamentos pessoais ou cedidos pela gestão, e 13% sequer têm acesso aos balancetes das prefeituras. “A estrutura não é privilégio, é requisito para fiscalização independente”, resumiu o conselheiro.

O levantamento mostrou ainda que os conselhos cumprem bem as tarefas básicas, 99% registram atas e 90% aprovam o plano de saúde, mas perdem força nas atividades mais técnicas: apenas 35% analisam balancetes e 65% não deliberam sobre contratos e convênios. “A efetividade diminui à medida que cresce a complexidade”, apontou Maluf.

“Vemos uma menor atuação nos temas mais complexos. À medida que a complexidade aumenta, a atuação dos conselheiros diminui. Então, hoje existe uma elevada conformidade formal, mas limitações para o exercício pleno da fiscalização”, disse o conselheiro ao defender a atuação do TCE-MT ao lado dos conselhos na fiscalização.

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Diante disso, a Comissão vai recomendar a prefeitos e secretários medidas para dar mais autonomia e estrutura aos conselhos municipais de saúde. Os encaminhamentos da nota recomendatória, que será levada ao Plenário do Tribunal no segundo semestre, incluirão ainda a disponibilização do Painel Nacional dos Planos Municipais de Saúde, plataforma de monitoramento do planejamento da saúde, e a capacitação permanente de conselheiros e gestores.

“Essas ações geralmente são feitas pelo Governo Federal, mas nós temos que nos inserir, temos que nos aproximar dos conselhos, até para que eles possam utilizar essa ferramenta que os tribunais de contas de todo o país vão lançar e para que a gente possa saber qual é a realidade dos municípios”, disse.

Além disso, chamou a atenção para a importância da atuação integrada entre conselhos de diferentes áreas, como saúde, educação e assistência social. “O tema mais moderno hoje, em nível de governança, é a transversalidade. Isso qualifica as políticas públicas, traz ganho social, desenvolvimento e, sobretudo, fortalece a democracia no nosso país.”

Painel Nacional

Alair Ribeiro/TCE-MT Fotografia de uma mulher falando em um evento. Ela está no centro da imagem, de frente para a direita, segurando um microfone preto na mão direita e gesticulando com a mão esquerda aberta. A mulher tem cabelos longos e ondulados, de cor cinza claro, e veste um blazer azul marinho com uma camisa branca por baixo. No peito, ela usa um broche azul com o logo de uma empresa. Ao fundo, à esquerda, há uma parede com linhas verticais em relevo, e à direita, um círculo luminoso e um painel com cores vibrantes e logos de empresas. A iluminação é clara e focalizada na mulher, criando um efeito de profundidade na imagem.
A auditora de controle externo do TCE-ES Maytê Aguiar apresentou o Painel Nacional dos Planos Municipais de Saúde. 

Na sequência, a auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) Maytê Aguiar apresentou o Painel Nacional dos Planos Municipais de Saúde, desenvolvido no estado e transformado em plataforma nacional, que permite acompanhar o planejamento de mais de 5 mil municípios brasileiros.

“Qualquer cidadão vai poder acessar, com um clique, o planejamento completo de qualquer município do Brasil, ver o que foi planejado para os quatro anos e o que está sendo cumprido, e em qual percentual”, destacou Maytê.

Ela também chamou a atenção para a dimensão humana dos indicadores. “Se tenho uma meta de 100% de cobertura na saúde bucal, estou falando de 100% de pessoas com acesso a um dentista. Cada número é uma pessoa. Fortalecer o planejamento é não deixar ninguém para trás quando a gente precisa fazer a saúde acontecer.”

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Transparência e participação social

Ao longo dos três dias, os participantes percorrem nove módulos temáticos ministrados pela auditora do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCE-DF), Tarsila Firmino Ely, e pelo chefe da Assessoria de Transparência e Controle Social da Secretaria de Saúde do DF, AB-Diel Nunes de Andrade.

Tarsila destacou a importância do uso de dados reais para qualificar as decisões dos conselheiros. “É preciso entender a realidade daquela população e quais são as reais necessidades dela. Não adianta planejar a compra de uma cadeira se o que se precisa, na ponta, é uma maca ou um aparelho para aferir pressão”, exemplificou.

Alair Ribeiro/TCE-MT A imagem é uma fotografia de um evento ou apresentação. No centro, um homem de terno preto e gravata vermelha está falando em um púlpito de madeira escura. À sua frente, um telão exibe um gráfico de barras e textos. No topo do telão, lê-se '2° RESULTADO: ESTRUTURA E MOBILIDADE' e abaixo, 'ESTRUTURA FÍSICA TAMBÉM É CONDIÇÃO DE AUTONOMIA INSTITUCIONAL'. O gráfico mostra porcentagens: 40% 'NÃO POSSUEM PL', 70% 'NÃO POSSUEM MOBILIDADE ADEQUADA', 70% 'UTILIZAM EQUIPAMENTOS PESSOAIS OU DA GESTÃO', 70% 'NÃO POSSUEM TELEFONE INSTITUCIONAL', 61% 'NÃO POSSUEM CANAL PRÓPRIO DE DENÚNCIAS' e 20% 'UTILIZAM A OUVIDORIA DA PRÓPRIA PREFEITURA'. Na parte inferior esquerda do telão, há um logo com formas geométricas em tons de azul e a palavra 'CAPACITAÇÃO PARA O FORTALECIMENTO DO CONTROLE NA SAÚDE, GOVERNANÇA E MONITORAMENTO DE PLANOS'. Abaixo do gráfico, aparecem os logos de patrocinadores, incluindo 'log.lab' e 'Agap'. No canto inferior esquerdo, há logos de parceiros, como o Instituto 'Agap'.
Tribunal irá recomendar a prefeitos e secretários medidas para ampliar a autonomia, a estrutura e a capacidade de fiscalização dos conselhos de saúde.

Por sua vez, AB-Diel ressaltou a necessidade de cooperação entre gestão, trabalhadores e usuários e o reconhecimento do conselheiro de saúde como um agente que une diferentes saberes em prol do SUS. “O conselheiro de saúde é gestor, é usuário e também trabalhador. Ele não é só usuário, não é só gestão. Esse sentimento de coletividade, de união, de trabalharmos juntos é o que vai ser o grande diferencial para a construção de um controle social mais forte e mais atuante.”

Programação

A programação da capacitação, promovida pela Copspas, inclui laboratórios práticos de transparência, nos quais os participantes são divididos por regiões de saúde para aprender a utilizar ferramentas de acesso à informação e acompanhamento da gestão pública, estruturados para aproximá-los dos instrumentos que permitem fiscalizar gastos, metas e resultados das ações do SUS.

No último dia, o foco estará na gestão orientada por dados, com treinamento sobre o uso das plataformas SAGE e DigiSUS para monitoramento de indicadores. O encerramento contará ainda com o módulo “O TCE-MT é Aliado da Saúde Pública: Como Usar o Controle Externo para Fortalecer o Controle Social”.

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