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Quando mulheres ocupam espaços e o ódio reage

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Por Natasha Slhessarenko

Nos últimos dias, vivi mais uma experiência que infelizmente se tornou comum para mulheres que ocupam espaços públicos: fui alvo de ofensas agressivas, ataques pessoais e mensagens tão violentas e degradantes que muitas delas sequer poderiam ser reproduzidas publicamente, incluindo manifestações desejando a minha morte por expressar uma opinião.

Diante da gravidade dos fatos, as medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas. Não apenas por mim, mas porque nenhum cidadão, e nenhuma mulher, deve ser intimidada, ameaçada ou constrangida por participar do debate público.

O mais preocupante é que o debate já não gira em torno das ideias. Em vez de discutir argumentos, propostas ou soluções para os problemas que afetam a população, algumas pessoas escolhem atacar a mulher que ousou falar.

E é exatamente assim que a violência política contra a mulher se manifesta.

Muitos ainda acreditam que violência política acontece apenas dentro dos parlamentos, durante campanhas eleitorais ou em disputas partidárias. Mas ela também ocorre nas redes sociais, nos comentários anônimos, nas ameaças, nas tentativas de humilhação pública e nas campanhas de intimidação destinadas a afastar mulheres da vida pública.

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Quando uma mulher entra na política, frequentemente ela não é julgada apenas pelo que fala. Julgam sua aparência, sua voz, sua família, sua vida pessoal. Muitas vezes tentam reduzir sua credibilidade por ser mulher. Outras vezes, recorrem à agressão verbal e à intimidação para fazê-la desistir.

Não se trata de um problema individual. É um problema coletivo e democrático.

A violência política contra a mulher não afeta apenas quem é atacada. Ela envia uma mensagem para todas as outras mulheres: “Este espaço não é para você”. E essa mensagem precisa ser rejeitada por toda a sociedade.

Em quase três séculos de história, Mato Grosso jamais elegeu uma mulher para governar o Estado. Somos um estado forte, pujante e cheio de mulheres competentes na saúde, na educação, no agronegócio, no empreendedorismo, na ciência e na gestão pública. Ainda assim, a presença feminina nos espaços de maior poder continua sendo exceção.

Isso não acontece por falta de capacidade. Acontece porque muitas mulheres enfrentam barreiras que os homens raramente precisam enfrentar.

Enquanto discutimos ataques nas redes sociais, mulheres seguem sendo vítimas de feminicídio. Enquanto algumas pessoas gastam energia espalhando ódio, famílias aguardam atendimento de saúde, cirurgias e exames. Enquanto tentam nos silenciar, os verdadeiros problemas da população continuam exigindo soluções urgentes.

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Como médica, vejo diariamente o impacto da ausência de políticas públicas eficientes. Como professora, acredito no diálogo, no conhecimento e na construção coletiva. Como empresária, conheço os desafios da gestão e da geração de oportunidades. E como mulher, sei que nenhuma conquista veio sem enfrentar resistência.

Não escrevo estas palavras para pedir privilégios. Escrevo para defender respeito.

Respeito para as mulheres que escolhem participar da política.

Respeito para aquelas que desejam contribuir com ideias diferentes.

Respeito para quem pensa diferente, mas entende que democracia não se constrói com ódio.

Nenhuma mulher deve ser ameaçada, humilhada ou intimidada por ocupar espaços de liderança.

Porque quando uma mulher é atacada por participar da vida pública, não é apenas ela que está sendo atingida. É a própria democracia que está sendo ferida.

E a resposta para isso não pode ser o silêncio.

De nossa parte, a resposta continuará sendo a coragem.

Dra. Natasha Slhessarenko é médica pediatra e patologista, servidora pública e empresária.
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O tempo de cada coisa 12 de junho é o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil

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Por José Leão Portela

Conta a história de um menino que queria crescer rápido. Ao observar os adultos que trabalhavam, ele acreditava que a vida começava quando se conseguia um emprego, recebia um salário e assumia responsabilidades. O que ele ainda não compreendia era que, antes de tudo isso, existia uma etapa igualmente importante: o tempo de aprender, estudar, desenvolver valores e construir o caráter que o acompanharia por toda a vida.

Essa história simples nos ajuda a refletir sobre uma data que, para muitos brasileiros, é lembrada principalmente pelo Dia dos Namorados. No dia 12 de junho, o comércio ganha movimento, as vitrines recebem destaque e milhões de pessoas celebram seus relacionamentos. Mas existe uma segunda reflexão associada a esse mesmo dia que merece nossa atenção: o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil.

Como diretor financeiro da Fundação CDL, tenho a oportunidade de acompanhar iniciativas voltadas ao desenvolvimento de jovens e à preparação para o primeiro emprego. Essa experiência reforça uma verdade cada vez mais clara: o debate sobre o trabalho infantil não deve começar pelo trabalho; deve começar pela formação humana.

Há mais de dois mil anos, Aristóteles ensinou que uma sociedade justa é aquela capaz de criar condições para que as pessoas desenvolvam plenamente suas potencialidades. Em outras palavras, uma boa sociedade não é apenas aquela que gera riqueza, mas aquela que forma cidadãos preparados para exercer suas responsabilidades com liberdade, virtude e propósito.

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Essa reflexão continua extremamente atual. Existe um tempo para aprender e um tempo para ensinar. Existe um tempo para ser cuidado e um tempo para cuidar. Existe um tempo para estudar e um tempo para trabalhar. Quando respeitamos essas etapas, ajudamos crianças e adolescentes a desenvolverem as competências para enfrentar os desafios da vida adulta. Quando as antecipamos, muitas vezes comprometemos oportunidades que dificilmente serão recuperadas no futuro.

Por isso, combater o trabalho infantil não significa afastar os jovens do mundo do trabalho. Significa garantir que sua entrada ocorra no momento adequado, de forma protegida, orientada e compatível com seu desenvolvimento. Essa é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, empresas, poder público e organizações da sociedade civil.

É justamente nesse espaço que a Fundação CDL busca contribuir. Por meio do programa Capacita Jovens, trabalhamos para aproximar adolescentes e jovens do mercado de trabalho de forma responsável, oferecendo orientação, desenvolvimento e preparação para o primeiro emprego. Mais do que ensinar habilidades técnicas, buscamos fortalecer competências que acompanharão esses jovens por toda a vida: disciplina, responsabilidade, comunicação, trabalho em equipe e visão de futuro.

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Porque o primeiro emprego não começa quando alguém assina um contrato. Ele começa quando um jovem passa a acreditar em seu potencial. Começa quando uma família incentiva seus sonhos. Começa quando uma escola desperta sua curiosidade. Começa quando uma empresa decide investir na formação de novos talentos. E começa quando uma comunidade compreende que preparar seus jovens é uma das formas mais inteligentes de investir no próprio futuro.

Neste 12 de junho, enquanto celebramos os laços que unem as pessoas, vale lembrar também do compromisso de toda a sociedade: oferecer às novas gerações oportunidades para aprender, crescer e construir seu próprio caminho. Afinal, uma sociedade realmente desenvolvida não é aquela que exige mais cedo de seus filhos; é aquela que prepara melhor seus jovens para quando chegar a hora de trabalhar.

Porque, como nas coisas mais importantes da vida, existe um tempo certo para cada coisa.

José Leão Portela é Diretor Financeiro da Fundação CDL*

 

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