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Sérgio Ricardo recebe denúncias de estradas precárias e obras de má qualidade no Vale do Arinos

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, garantiu o avanço da fiscalização sobre as rodovias estaduais ao receber, nesta terça-feira (10), denúncias sobre a má qualidade das estradas que cortam o Vale do Arinos. Em reunião com vereadores por Tabaporã, Porto dos Gaúchos e Juara, o presidente apresentou os resultados das inspeções, que já somam 1.800 quilômetros percorridos e reforçou a cobrança sobre a correta aplicação dos recursos públicos.

Na ocasião, Sérgio Ricardo chamou a atenção para o papel da instituição de fiscalizar o uso do dinheiro público e cobrar obras à altura do que a população precisa. “Entregaram o ano passado e já acabou. Assim são as estradas por onde eu tenho andado. Andei 1.800 km fazendo inspeção, que é a obrigação do Tribunal”, disse o conselheiro durante a reunião. “Fiscalizar o dinheiro público é nossa obrigação, está na Constituição, e não vamos parar. Nós estamos aqui para ajudar. Nosso papel está sendo cumprido e continuará sendo cumprido”, completou.

Os vereadores presentes relataram o impacto da precariedade de rodovias como a MT-010, a MT-220 e a MT-338 na vida da população e destacaram a importância da atuação do TCE-MT. Dias antes, parlamentares de Tabaporã haviam procurado o presidente para denunciar a precariedade das rodovias, apresentando fotos e vídeos de buracos profundos, pontes com cabeceiras cedendo e trechos sem sinalização, além de um ofício protocolado na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT).

O presidente da Câmara de Tabaporã, Thanys Alessandro de Oliveira, lembrou que uma família inteira morreu na MT-010 e defendeu a criação de uma frente parlamentar para unir todas as câmaras da região em torno da pauta. “No Vale do Arinos, temos quatro câmaras aplaudindo de pé o trabalho que o presidente vem realizando. É um pedido de socorro para tirarmos do papel todas as melhorias que precisam ser feitas”, afirmou.

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Entre as principais queixas apresentadas estão o alto custo dos pedágios, a rápida deterioração de trechos recém-entregues e a paralisação dos serviços de manutenção mesmo com empresas contratadas para executá-los. “A concessão é inviável, beneficia só a empresa. A situação está impraticável e o governo tem ciência, via Sinfra, e o que ouvimos é que não há nada o que fazer”, afirmou o vereador por Porto dos Gaúchos Leandro Budke.

A imagem é uma fotografia de um grupo de pessoas reunidas em uma sala de conferências. No fundo, há uma parede com painéis texturizados em tons de marrom e um monitor exibindo o logo do 'Tribunal de Contas do Mato Grosso'. Uma longa mesa de madeira clara com superfície refletora ocupa o primeiro plano, ao redor da qual estão sentados dez homens e quatro mulheres. As pessoas estão vestidas de forma formal e casual, com ternos, blazers e camisas polo. Na extremidade central da mesa, um homem sentado em uma cadeira preta chama a atenção, e os demais membros do grupo estão distribuídos ao longo da mesa, alguns sentados e outros levemente inclinados para frente, olhando para a frente. No teto, há luminárias embutidas e um aparelho de ar condicionado. A sala possui paredes em tons neutros e o ambiente parece ser bem iluminado.
Na reunião, os vereadores relataram o impacto da precariedade de rodovias como a MT-010, a MT-220 e a MT-338.

A presidente da Câmara de Juara, Patrícia Vivian, agradeceu a abertura do diálogo e destacou que o presidente garantiu liberdade para que os vereadores o procurem sempre que precisarem. Ela aproveitou para apresentar uma demanda pendente do município, o relatório final de uma CPI sobre a saúde, entregue e ainda sem resposta. “O presidente nos deu a liberdade de que, sempre que precisarmos, poderíamos procurar o Tribunal. Com a oportunidade de estar aqui, trago o pedido de todos os vereadores”, afirmou.

O compromisso do presidente

O presidente também reconheceu o papel dos vereadores como representantes mais próximos da população. “Não existe Brasil sem vereador, porque não existe Brasil sem município. O vereador está onde o Brasil começa, na menor rua da menor cidade”, declarou.

Como encaminhamento, anunciou a abertura de um canal para atender diretamente os vereadores e receber demandas das câmaras municipais sobre obras e serviços públicos.

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A vereadora Raquel Fernandes, de Tabaporã, contou que os representantes municipais são cobrados diariamente pela população, mas raramente encontram resposta nas instâncias responsáveis, e disse ver no trabalho do Tribunal um respaldo nessa luta. “Nos sentimos abandonados e desvalorizados. Quando começou esse trabalho, vimos como uma luz para nos ajudar nessa luta.”

A vereadora por Porto dos Gaúchos Kelly Duarte foi na mesma linha. “O vereador é o para-choque, então recebemos todos os problemas e nos sentimos respaldados. Com certeza o Vale do Arinos sai fortalecido dessa reunião. É uma virada de chave para a nossa região”, disse.

Trabalho em diferentes regiões

A reunião com o Vale do Arinos integra uma frente de fiscalização que o TCE-MT vem conduzindo em todo o estado. Nas últimas semanas, vereadores das regiões Norte e Nordeste também procuraram o Tribunal para denunciar a baixa qualidade de obras entregues há cerca de dois anos e já deterioradas, do que resultaram encaminhamentos para análise dos contratos, projetos e medições. A expectativa é de que novos municípios sejam incluídos nas próximas agendas de inspeção.

Na semana anterior, na Região Noroeste, o presidente determinou a reabertura de mesa técnica para corrigir falhas e garantir asfalto de qualidade na rodovia MT-170. A decisão veio depois de ele vistoriar pessoalmente um trecho de 50 quilômetros e constatar a deterioração avançada do pavimento, que custou cerca de R$ 130 milhões aos cofres públicos. No mesmo processo, o Tribunal abriu auditoria para apurar a qualidade da pavimentação, a aplicação dos recursos e a responsabilidade das empresas contratadas.

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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária

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Presidente Sérgio Ricardo durante abertura do 2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios | Foto: Tony Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).

Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.

“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

2° Encontro Sobre Reforma Tributária para Municípios
Presidente da COPSFID, Valter Albano, coordenador do encontro técnico | Foto: Tony Ribeiro

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.

Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Conselheiro José Carlos Novelli
O conselheiro José Carlos Novelli prestigiou o evento | Foto: Marcus Paulo

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”

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Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.

Atuação conjunta

Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas. 
Evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas | Foto: Tony Ribeiro

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.

Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.

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O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”

No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”

Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.

Programação

O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.

A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).

Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.

 

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