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AGRO & NEGÓCIO

Novo indicador de preços traz segurança a mercado de R$ 2,5 bilhões

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O mercado pecuarista gaúcho passa a contar, a partir da próxima terça-feira (09,06), com um novo referencial oficial de preços. A expansão do indicador da Datagro para o Rio Grande do Sul, articulada em parceria com o Programa Carne Angus Certificada, centraliza a precificação da arroba em dados auditados, encerrando a dependência histórica de cotações informais na região.

A oficialização ocorre na sede da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul  (Farsul), em Porto Alegre, e integra o Estado a uma rede que já cobre os principais polos produtores do País, como São Paulo, Mato Grosso e Goiás.

A ferramenta é o principal termômetro do setor no Brasil, monitorando transações reais que compreendem mais de 60% do abate nacional. Ao utilizar o índice como lastro para contratos futuros na bolsa de valores oficial do Brasil, sediada em São Paulo, a “B3” (Brasil, Bolsa, Balcão), o produtor gaúcho ganha a capacidade de travar preços antes mesmo do abate, protegendo a margem de lucro contra a volatilidade do mercado físico. Na prática, a adoção do indicador elimina assimetrias, permitindo que indústria e pecuaristas operem sob a mesma lógica de mercado.

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O peso dessa profissionalização ganha escala pela relevância do Programa Carne Angus Certificada, que lidera o segmento de carnes nobres no País. O programa movimentou R$ 2,5 bilhões em 2025 e, apenas no primeiro quadrimestre de 2026, já registrou R$ 850 milhões em transações. O fluxo financeiro é impulsionado pelo pagamento de ágio — que varia de 5% a 10% sobre a arroba convencional — concedido a produtores que atendem aos rígidos padrões de raça e acabamento da carcaça.

Em um cenário onde o Brasil lidera as exportações mundiais de carne bovina, com um rebanho superior a 230 milhões de cabeças, a padronização do mercado gaúcho é vista como um movimento de modernização. Ao substituir o “achismo” por dados concretos, a entrada do índice da Datagro alinha o Rio Grande do Sul às melhores práticas de governança e transparência exigidas pelo mercado financeiro e pela indústria frigorífica atual.

Fonte: Pensar Agro

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AGRO & NEGÓCIO

Crédito ao agro pode atingir R$ 652 bilhões, mas esbarra em limites fiscais

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As negociações para o Plano Safra 2026/27 avançam em meio a discussões sobre o espaço fiscal disponível para subsidiar o crédito rural. A proposta em análise pelo governo prevê ampliar em cerca de 10% os recursos destinados ao financiamento da agropecuária, elevando o montante total para R$ 652 bilhões, além de reduzir em até dois pontos percentuais as taxas de juros para médios e grandes produtores.

Os números ainda estão em discussão entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Desenvolvimento Agrário e podem sofrer alterações antes do anúncio oficial, previsto para o início de julho. A principal incógnita é a capacidade do Tesouro Nacional de suportar os custos da equalização dos juros em um cenário de restrições orçamentárias.

Na safra atual, foram disponibilizados R$ 594,4 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Desse total, R$ 516,2 bilhões foram destinados à agricultura empresarial. A proposta em análise é elevar esse montante para perto de R$ 570 bilhões na temporada 2026/27.

A discussão sobre os juros é considerada o ponto mais sensível das negociações. Caso a proposta seja integralmente atendida, as taxas para médios e grandes produtores poderão cair para cerca de 8% ao ano nas operações de custeio e para até 6,5% em algumas linhas de investimento. Na safra 2025/26, as taxas variaram entre 10% e 14% nas linhas de custeio da agricultura empresarial.

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A possibilidade de redução das taxas depende do início do ciclo de queda da Selic e do espaço fiscal disponível para a equalização dos juros. O mecanismo é utilizado pelo governo para cobrir a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa efetivamente paga pelos produtores.

Outra frente das negociações envolve os limites para os spreads bancários. A equipe econômica decidiu manter tetos para o custo administrativo e tributário cobrado pelas instituições financeiras nas operações com recursos equalizados. A medida busca evitar aumento excessivo do custo final do crédito e reduzir a pressão sobre os gastos públicos com subsídios.

No custeio empresarial, por exemplo, o limite para o spread foi fixado em 4,7% ao ano. Quanto maior esse percentual, maior tende a ser o desembolso da União para sustentar as taxas subsidiadas.

A estratégia ocorre em um momento em que instrumentos privados de financiamento ganham espaço no campo. Entre julho de 2025 e maio de 2026, as operações realizadas por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres movimentaram cerca de R$ 170 bilhões. Os títulos privados passaram a integrar os números do Plano Safra recentemente e vêm compensando parte da retração observada nas linhas tradicionais de crédito.

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Na agricultura familiar, a expectativa é de manutenção das taxas de juros entre 2% e 6% ao ano. O volume de recursos para o segmento poderá chegar a R$ 82 bilhões, alta de cerca de 5% em relação aos R$ 78,2 bilhões disponibilizados na temporada atual.

Os desembolsos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) indicam forte demanda pelos recursos. Até maio, os produtores familiares haviam contratado R$ 60,9 bilhões, o equivalente a quase 80% do total disponível para a safra em curso.

A definição do Plano Safra 2026/27 ocorre em um ambiente de custos financeiros ainda elevados e de crescente demanda por recursos para sustentar a expansão da produção agrícola. O desafio do governo será ampliar a oferta de crédito e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio das contas públicas em um cenário de restrições fiscais.

A expectativa é que os números finais sejam anunciados no início de julho, quando também deverão ser definidos os volumes de recursos e as taxas de juros para a agricultura empresarial e para os programas voltados à agricultura familiar.

Fonte: Pensar Agro

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