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Emoção marca despedida do suboficial Clímaco da Agência Fluvial de Cáceres
Por João Arruda | Cáceres
A secular Agência Fluvial de Cáceres, organização militar, celebrou com honras a transferência para a reserva remunerada de um dos seus componentes mais laureados e carismáticos em toda a Marinha do Brasil. Trata-se do suboficial Everaldo Clímaco, que completou seu tempo de serviços à Armada Brasileira. A cerimônia ocorreu anteontem (06/05), no município de Cáceres, a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá, e foi presidida pelo capitão Stenio Lacerda.
A Marinha do Brasil foi criada pela Inglaterra, segue as tradições navais inglesas. Nesse hiato, o toque do apito ecoou no Centro Histórico da cidade, com as duas notas “lá e mi”, chamado “Toque Especial para o Mar” (vide vídeo), celebrando a carreira vitoriosa do militar Clímaco. Até um pássaro joão-de-barro gorjeou do alto da árvore louro-preto, como se também festejasse a ida dele à reforma.
Nascido em Porto Seguro, no estado da Bahia, desposou ainda adolescente o sonho de ingressar na Gola. Tão logo completou a idade, concorreu a uma vaga na escola chamada Centro de Adestramento da Ilha de Marambaia, em Mangaratiba, no estado do Rio de Janeiro, isso em fevereiro de 1998.
Desde então, correu o país, ora embarcado em navios, submarinos ou em organizações em terra. Clímaco também esteve nos mares além, conhecendo outras nações mundo afora.
Até que foi designado a servir na conceituada Agência Fluvial de Cáceres, onde adaptou-se à cidade, colecionando incontáveis amigos. Torcedor do Vasco, é músico percussionista arraigado ao samba.
Recebeu elogios do seu comandante Stenio Lacerda, cumprimentos dos amigos. O Navio-Escola Piquiri fez soar a buzina como saudação ao Clímaco, paralelamente ao apito. Companheiros de farda prestigiaram. O suboficial Clodoaldo, hoje na reserva, exerce a função na Seduc de inspetor militar na Escola Estadual Cívico-Militar São Luiz. Ainda pelo 66° Batalhão de Infantaria Motorizada em Cáceres, o sargento Alves também se fez presente.
Casado com a carioca Cláudia Cavalcante Nascimento Clímaco, é pai de dois filhos: Ayko e Nikolas Cavalcante Clímaco.
Agora aposentado, está em dúvida se permanece na Princesinha do Paraguai ou regressa ao Rio de Janeiro. “Eu ainda não decidi, gostei tanto de Cáceres, da sua gente pantaneira, hospitaleira, que estou pensando em permanecer aqui nesta bela cidade de Mato Grosso. Para mim, uma das mais lindas do país; tem tudo: rios, cachoeiras, serras, matas. E o mais admirável, o povo é muito acolhedor”, pontuou Clímaco, convidando os amigos para outra comemoração no movimentado Bar do Juninho, batizado de “Reduto dos Flamenguistas”, em tom bem-humorado. Lascou esta: “local ideal para vascaíno festejar em campo do adversário”, brincou.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.
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Queda brusca de temperatura em Cáceres; outono traz frio incomum
Por João Arruda | Cáceres
Mesmo ainda a mais de 40 dias do início do inverno, Cáceres (a 210 km de Cuiabá), registrou uma mudança repentina no clima nas primeiras horas da manhã deste sábado (09.05). Conhecida pelas altas temperaturas ao longo do ano, quando os termômetros frequentemente se aproximam dos 45°C, a cidade amanheceu com 21°C, surpreendendo moradores e alterando a rotina de quem saiu às ruas.
Com o frio, o movimento nas vias centrais diminuiu e as roupas leves deram lugar a agasalhos. Em um cenário típico de mudança brusca de clima, parte da população passou a buscar peças mais quentes no comércio local. Entre os pontos mais procurados está o camelódromo, conhecido pela presença da colônia boliviana que revende roupas a preços acessíveis e costuma se beneficiar nos períodos de friagem.
Outro reflexo da queda na temperatura foi sentido no Rio Paraguai, onde há cerca de 14 mil embarcações registradas na Marinha do Brasil, muitos proprietários de lanchas costumam reduzir os passeios quando o frio se intensifica. Na região da calha do rio, a sensação térmica cai ainda mais com a entrada das correntes frias vindas da Argentina, onde se formam massas polares no chamado Cone Sul.
A mudança no tempo também interfere nos hábitos alimentares. Na culinária pantaneira, pratos mais encorpados ganham espaço, especialmente entre famílias tradicionais da cidade. Um dos mais apreciados é o conhecido “corredor no feijão”, receita que leva, além do grão, catuni, corredor bovino e bucho, geralmente servido às margens do rio, à sombra de árvores frondosas como chimbúvas, morcegueiras e mangueiras.
Para muitos moradores, o frio em Cáceres é sempre uma novidade fora de época e reforça a característica de um município acostumado ao calor intenso, mas que, de tempos em tempos, também sente a força das massas de ar polar que avançam sobre a região.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.
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