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Envelhecer com dignidade: uma agenda estratégica para Mato Grosso

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Por Guilherme Antonio Maluf

O envelhecimento da população brasileira deixou de ser uma projeção para se tornar uma realidade concreta que desafia o planejamento público. Em Mato Grosso, essa transição demográfica assume contornos próprios e torna o desafio ainda mais urgente.

O processo avança de forma acelerada: projeções indicam retração da população economicamente ativa já a partir de 2034; em 2045, a proporção de pessoas idosas deverá dobrar em relação à população mais jovem; e, até 2070, a população idosa poderá passar dos atuais 12% para cerca de 30% da população.

Mas esse fenômeno não se distribui de forma homogênea. Há territórios já envelhecidos, em que a população idosa supera em 10% a 50% a população jovem, especialmente em regiões marcadas por economias exauridas e perda de dinamismo social. Em contraste, em áreas vinculadas à economia agroexportadora, esse contingente ainda representa entre 2% e 5% da população. Essa heterogeneidade revela que o envelhecimento em Mato Grosso não é apenas uma questão demográfica — é também uma questão territorial, social e econômica.

Nos territórios em estágio mais avançado de envelhecimento, esse processo frequentemente se associa à vulnerabilidade social, à baixa proteção previdenciária e à fragilidade dos vínculos familiares, ampliando riscos e pressionando as redes públicas de cuidado e proteção. Ignorar essa realidade não é apenas adiar um problema: é renunciar ao planejamento de um desafio que já começou.

Trata-se de um fenômeno que exige mais do que respostas pontuais. Exige visão de longo prazo.

Viver mais é uma conquista civilizatória. Cuidar melhor dessa população é, agora, uma responsabilidade inadiável do Estado.

Historicamente, a principal resposta institucional para situações de maior vulnerabilidade tem sido o acolhimento em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). É preciso reconhecer o papel essencial dessas estruturas, sobretudo em casos de dependência severa, abandono ou ausência de retaguarda familiar. Elas continuarão sendo necessárias.

Mas o avanço do envelhecimento populacional impõe reconhecer que o modelo centrado exclusivamente na institucionalização apresenta limites.

Além dos desafios relacionados à autonomia e à qualidade de vida da pessoa idosa, trata-se de um modelo de elevado custo continuado, intensivo em recursos humanos e financeiramente pressionado por uma realidade demográfica em que cresce a população idosa enquanto se reduz, proporcionalmente, a base economicamente ativa.

Do ponto de vista da sustentabilidade fiscal e administrativa, a expansão indefinida de respostas baseadas apenas em acolhimento institucional tende a se mostrar insuficiente — e, em muitos contextos, insustentável.

O desafio não é substituir as ILPIs, mas reposicioná-las como parte de uma rede mais ampla de cuidados.

Ignorar o envelhecimento populacional em Mato Grosso é uma omissão política com custos fiscais e produtivos já contratados. Projeções indicam que a redução da população em idade ativa corroerá a arrecadação e freará o dinamismo econômico, exigindo saltos de produtividade que uma força de trabalho sem requalificação não conseguirá entregar. O resultado é um choque inevitável: a explosão da demanda por serviços de assistência e previdência exatamente quando o motor econômico do Estado perde tração.

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A experiência internacional mostra caminhos possíveis. Países como o Chile vêm estruturando sistemas integrados de cuidados de longa duração, organizados em rede, combinando cuidados domiciliares, centros-dia, moradias assistidas e instituições de longa permanência como retaguarda para situações mais complexas.

A lógica é simples, mas transformadora: o cuidado começa antes da institucionalização.

Preservar autonomia, retardar a dependência, apoiar famílias cuidadoras, fortalecer vínculos comunitários e organizar respostas territoriais pode ser mais humano — e também mais eficiente do ponto de vista da gestão pública.

No Brasil, essa agenda ainda está em construção, mas já surgem sinais importantes. O recente projeto piloto de cuidado domiciliar para pessoas idosas desenvolvido pelo Governo Federal aponta nessa direção e merece atenção.

Ao reconhecer o domicílio como espaço inicial do cuidado, a iniciativa desloca o foco da resposta reativa para uma lógica preventiva.

Quando bem estruturado, o cuidado domiciliar pode evitar internações desnecessárias, reduzir custos públicos, retardar agravamentos e oferecer melhores condições para permanência da pessoa idosa em seu território, junto à família e à comunidade.

Essa experiência abre uma janela de oportunidade para Mato Grosso.

O Estado reúne condições para avançar em um modelo piloto próprio, articulando saúde, assistência social e apoio às famílias cuidadoras em uma política mais moderna de cuidados de longa duração.

Isso significa pensar uma rede que integre cuidado domiciliar como eixo estruturante; serviços intermediários, como centros-dia; modalidades de moradia assistida; adaptação habitacional e redes comunitárias de apoio; e ILPIs qualificadas como retaguarda para casos de maior complexidade.

Não se trata de ampliar estruturas isoladas, mas de reorganizar a lógica do cuidado.

E esse debate não é apenas social. É também um debate sobre eficiência, sustentabilidade e responsabilidade pública.

Se nada for feito, o envelhecimento combinado com pobreza, fragilidade previdenciária e aumento da razão de dependência tende a pressionar progressivamente o orçamento público e as redes assistenciais.

Antecipar-se a esse cenário é governar melhor.

Nesse processo, o papel do Tribunal de Contas pode ser estratégico.

O controle externo contemporâneo não se limita à fiscalização de conformidade. Ele também pode induzir políticas públicas mais eficientes, sustentáveis e orientadas por evidências — especialmente em temas complexos e intersetoriais como o cuidado de longa duração.

Nesse campo, o Tribunal pode contribuir para fomentar diagnósticos sobre a realidade estadual e municipal; induzir a integração entre saúde, assistência e previdência; recomendar modelos mais eficientes de organização do cuidado; acompanhar pilotos e avaliar seus resultados; disseminar boas práticas entre os jurisdicionados; e antecipar riscos fiscais e sociais associados à ausência de planejamento.

No âmbito da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas), essa atuação pode ganhar densidade institucional, permitindo a construção dialogada de soluções voltadas à proteção da pessoa idosa e à sustentabilidade das respostas públicas.

Exemplo disso é a institucionalização da Rede de Direitos da Pessoa Idosa do Estado de Mato Grosso (Renadi-MT), formalizada em construção dialogada entre 18 órgãos e instituições dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Mais do que um arranjo de cooperação, a Rede sinaliza o início de uma governança interinstitucional voltada à proteção, promoção de direitos e coordenação de respostas públicas para o envelhecimento.

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Ao integrar instituições de controle, sistema de justiça, gestores e órgãos de defesa de direitos, a iniciativa demonstra que Mato Grosso já reúne bases institucionais para avançar além de respostas fragmentadas e liderar a construção de um modelo inovador de cuidados de longa duração.

Nesse contexto, o Tribunal de Contas reafirma seu papel como indutor de uma agenda estruturante para o envelhecimento — não para substituir o gestor, mas para qualificar decisões públicas, fomentar soluções baseadas em evidências, promover articulação interinstitucional e antecipar riscos fiscais e sociais decorrentes da ausência de planejamento. Em temas complexos como o cuidado de longa duração, o controle externo pode contribuir não apenas para avaliar políticas, mas para impulsionar capacidades estatais e orientar respostas mais sustentáveis.

O envelhecimento populacional é, sem dúvida, um dos grandes desafios do nosso tempo. Mas pode ser também uma oportunidade histórica para inovar nas políticas públicas e reposicionar o cuidado como dimensão estratégica do desenvolvimento social.

Mato Grosso está diante de uma escolha: pode aguardar que a pressão sobre as instituições cresça e reagir tardiamente ao avanço das demandas por acolhimento e proteção; ou pode liderar, desde já, a construção de uma nova política de cuidados — mais humana, mais eficiente e economicamente sustentável.

Liderar significa compreender que cuidar não é apenas responder à vulnerabilidade, mas planejar o futuro. Significa construir respostas que conciliem dignidade, autonomia, responsabilidade fiscal e coesão social.

O caminho mais responsável é aquele que antecipa desafios em vez de apenas remediá-los.

E, nessa agenda, o Tribunal de Contas pode — e deve — exercer papel protagonista, como indutor de governança, promotor de boas práticas e parceiro institucional na construção de soluções para as próximas décadas.

Guilherme Antonio Maluf é graduado em Medicina pela Universidade de Santo Amaro (1986). Fez residência médica em Cirurgia-geral pela Universidade de São Paulo (USP) (1988-1990). É especialista em Cirurgia-geral e Endoscopia Digestiva pela USP (1991). Pós-graduado em Gerente de Cidades pela FAAP-SP (2013). Mestre em Administração Pública pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa – IDP. Doutorando em Direito pela Faculdade Autônoma de Direito de São Paulo – FADISP. Foi vereador por Cuiabá (2005-2006). Deputado Estadual por quatro mandatos (2007-2010/ 2011-2014/ 2015-2018/ 2019-2022). Secretário de Saúde de Cuiabá (2007-2008). Presidente da Assembleia Legislativa (2015-2017). Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa (2017-2019). Governador Interino de Mato Grosso (abril 2016 – cinco dias). Tomou posse como Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso – TCE-MT em 1/3/2019. Atualmente, exerce o cargo de corregedor-geral do TCE-MT e de presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do TCE-MT.

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Livre-arbítrio

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Por Francisney Liberato

Então ele perguntou aos doze discípulos: Será que vocês também querem ir embora? João 6:67

Deus não força ninguém a fazer a Sua vontade. Deus não quer que ninguém O siga por obrigação. Ele espera que os seres humanos O amem de coração. Já percebeu que Jesus não lhe força a fazer nada? Quer segui-Lo? Que seja por vontade e desejo genuíno de suas escolhas.

O livre-arbítrio é a manifestação do amor de Deus por nós. Sem ele nós seríamos apenas robôs.

Quando Jesus esteve neste mundo ele não forçou nenhum dos Seus seguidores. Ele dirigiu apenas convites para os doze, os quais de pronto O aceitaram e se tornaram os Seus discípulos.

Além dos doze apóstolos de Jesus, o grupo mais íntimo que O acompanhava, havia uma imensa multidão que também fazia o mesmo, cada um com seus interesses, alguns por milagre e cura, outros para saciar a fome física, já outros com intuito de encontrar falhas na mensagem do Mestre para incriminá-Lo, como igualmente tínhamos pessoas sedentas pela mensagem de Boas Novas, enfim.

Volto a dizer: os seguidores seguiam porque queriam, seja lá quais fossem as suas intenções.

Dessa multidão, alguns participavam de um ou outro encontro com o Mestre e logo desistiam de segui-Lo. Pode ser que por atender a sua necessidade, o abandonava e já seguia o seu rumo de vida. Entretanto, outros indivíduos estiveram com Jesus por um tempo maior. Também encontramos pessoas que permaneceram conectadas com Jesus até a sua morte, como os discípulos, em seus martírios.

Cada ser humano presenciou Jesus de uma forma, maneira, sob uma perspectiva, com os seus desejos e vontades, os seus sonhos e esperança, dentre outras motivações. Será que é diferente do que acontece conosco hoje? Claro que não, todos nós temos as nossas motivações para seguir ou não seguir Jesus, com base no nosso livre-arbítrio.

Vamos ao relato bíblico. Em João 6:1-4: “Depois disso, Jesus atravessou o lago da Galileia, que também é chamado de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia porque eles tinham visto os milagres que Jesus tinha feito, curando os doentes. Ele subiu um monte e sentou-se ali com os seus discípulos. A Páscoa, a festa principal dos judeus, estava perto”.

Observe que a multidão seguia Jesus, neste momento, devido a seus milagres. Na sequência, Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães e peixes, pois o público estava com fome. Após isso, os participantes exclamaram (João 6:14): “Os que viram esse milagre de Jesus disseram: De fato, este é o Profeta que devia vir ao mundo!”

Depois disso, as multidões começaram a reunir-se em volta de Jesus, esperando receber mais comida, pois não era muito fácil conseguir trabalho e comida na época, vejamos João 6:26-27: “Jesus respondeu: — Eu afirmo a vocês que isto é verdade: vocês estão me procurando porque comeram os pães e ficaram satisfeitos e não porque entenderam os meus milagres. Não trabalhem a fim de conseguir a comida que se estraga, mas a fim de conseguir a comida que dura para a vida eterna. O Filho do Homem dará essa comida a vocês porque Deus, o Pai, deu provas de que ele tem autoridade”.

As multidões não o seguiam motivadas pela fé, mas pela curiosidade acerca dos milagres que ele havia realizado.

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Se não bastasse o que já tinha acontecido, aquela multidão queria mais e mais milagres, isto é, era insaciável (João 6:30): “Eles disseram: — Que milagre o senhor vai fazer para a gente ver e crer no senhor? O que é que o senhor pode fazer?”

Então Jesus começou a pregar de forma mais incisiva a sua mensagem, a fim de fazer uma peneira, isto é, saber quem realmente desejava segui-Lo de coração e não por interesses camuflados.

Jesus fala sobre: o verdadeiro maná do céu e que Ele era Deus (versículos 32-41). Os líderes judeus e o povo entenderam a mensagem de Cristo e começaram a criticá-Lo (versículo 42). Jesus respondeu dizendo mais uma vez que ele era o verdadeiro pão da vida (versículo 48). Acrescentou que quem comer a Sua carne e beber o Seu sangue permanece em nEle, e eu, nele (versículos 54-56). Essa era a mensagem em que Jesus pediu compromisso aos seus seguidores.

Essa mensagem foi dada quando Jesus estava ensinando na sinagoga de Cafarnaum.

A multidão quando ouviu as palavras de Jesus resmungou (João 6:60-61): “Muitos seguidores de Jesus ouviram isso e reclamaram: — O que ele ensina é muito difícil! Quem pode aceitar esses ensinamentos? Não disseram nada a Jesus, mas ele sabia que eles estavam resmungando contra ele. Por isso perguntou: — Vocês querem me abandonar por causa disso?”. Quando a verdade chega a nós, muitos optam por criar barreiras, circunstâncias negativas e desculpas esfarrapadas.

Ao ouvir a falação, Jesus foi duro com eles e perguntou: se quiser, pode Me abandonar, em outras palavras, só fique quem quiser ouvir a mensagem de salvação. Os falsos discípulos foram embora. O mestre disse isso por que já sabia desde o começo quem era os que não iam crer nEle e sabia também quem ia traí-Lo (João 6:64).

Depois disso, o que aconteceu? Muitos abandonaram Jesus. Por quê? Provavelmente porque estavam seguindo-o pela motivação errada, em um alicerce raso e falso (João 6:66): “Por causa disso muitos seguidores de Jesus o abandonaram e não o acompanhavam mais”.

Naquele momento Jesus estava separando o joio do trigo. Estava dispensando aqueles que não seguiam Ele de forma genuína. Ele estava separando os fiéis dos infiéis.

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Note o que o “Comentário bíblico de Matthew Henry” diz:“Muitos deles voltaram para suas casas, famílias e chamados, que haviam deixado por algum tempo para segui-lo; voltou, um para sua fazenda e outro para sua mercadoria; voltou, como Orpah fez, para seu povo, e para seus deuses, Rute i. 15. Eles haviam entrado na escola de Cristo, mas voltaram, não apenas faltaram às aulas uma vez, mas se despediram dele e de sua doutrina para sempre. Note, a apostasia dos discípulos de Cristo dele, embora realmente uma coisa estranha, tem sido uma coisa tão comum que não precisamos nos surpreender. Aqui estavam muitos que voltaram. Frequentemente é assim; quando alguns se apostatam, muitos se apostatam com eles; a doença é infecciosa”.

Se não bastasse a situação narrada, Jesus ainda se dirigiu ao Seu grupo mais íntimo e deu a oportunidade para que todos que quisessem poderiam sair do grupo e não mais segui-Lo. Em outras palavras, Jesus foi direto ao ponto, preto no branco, sem essa estória de meio-termo (João 6:67): “Então ele perguntou aos doze discípulos: Será que vocês também querem ir embora?”

Em outro momento, Mateus 12:30, também é direto quanto ao nosso desejo de decidir: “Quem não é a meu favor é contra mim; e quem não me ajuda a ajuntar está espalhando”.

E o episódio termina com a fala do líder Pedro confirmando que desejam ficar com o Mestre e, Jesus ratifica essa decisão (João 6:68-70): “Simão Pedro respondeu: Quem é que nós vamos seguir? O senhor tem as palavras que dão vida eterna! E nós cremos e sabemos que o senhor é o Santo que Deus enviou. Jesus disse: Fui eu que escolhi todos vocês, os doze”. Destaca-se que os verdadeiros discípulos permaneceram com Cristo.

Enfim, chegará um tempo em que essa mesma separação vai acorrer no futuro. Será necessário que Jesus dê um basta nas pessoas que O seguem pelas motivações erradas. Quiçá possamos decidir, com base nosso livre-arbítrio, o caminho de estar ao Seu lado, mesmo diante das dificuldades a serem enfrentadas.

Apocalipse 22:11 apresenta o momento futuro: “Quem é mau, que continue a fazer o mal, e quem é imundo, que continue a ser imundo. Quem é bom, que continue a fazer o bem, e quem é dedicado a Deus, que continue a ser dedicado a Deus”.

Em qual lado você estará? Você continuará sendo um seguidor do Mestre?

Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.

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