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Inteligência Artificial não substitui pessoas, acelera processos
Por Dayane Nascimento
Nos últimos meses, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência para se tornar tema central nas decisões empresariais. Ao mesmo tempo em que grandes companhias anunciam reestruturações e associam ganhos de produtividade ao avanço da tecnologia, pequenas e médias empresas fazem uma pergunta mais prática e urgente: como usar IA sem perder a essência do atendimento?
Essa questão é especialmente relevante em mercados como Cuiabá e Mato Grosso, onde o relacionamento ainda é ativo estratégico. Aqui, negócios crescem pelo nome, pelo aperto de mão, pela confiança construída ao longo do tempo. E é justamente por isso que precisamos ajustar uma percepção equivocada: inteligência artificial não substitui pessoas, acelera processos.
O debate público muitas vezes coloca a IA como ameaça imediata ao trabalho humano. Mas, na prática, o que estamos vendo em diversas empresas é algo mais complexo. A tecnologia vem sendo utilizada para reorganizar operações, automatizar tarefas repetitivas, reduzir desperdícios e melhorar a eficiência. Em muitos casos, ela não elimina talento, mas expõe processos lentos, estruturas inchadas e modelos de gestão que já precisavam evoluir.
É importante separar duas discussões. Uma delas é o uso estratégico da inteligência artificial para ampliar produtividade e competitividade. A outra é o uso da IA apenas como justificativa para cortes apressados e decisões de curto prazo. Nem sempre essas agendas são a mesma coisa.
Quando aplicada com inteligência, a tecnologia tem papel fundamental nos bastidores do negócio. Pode apoiar a previsão de estoque, a análise de comportamento de compra, a gestão do relacionamento com clientes, a automação de campanhas, o atendimento inicial e a geração de relatórios em tempo real. Empresas globais como Amazon e Zara já utilizam recursos desse tipo para prever demanda e ganhar eficiência operacional.
No entanto, há um ponto essencial nessa discussão: a tecnologia está no processo e o encantamento continua na relação. Experiência do cliente não se resume à simpatia. Trata-se da percepção construída em cada interação com a marca, do primeiro contato ao pós-venda. Em mercados competitivos, preço e produto se igualam rapidamente. O que diferencia uma empresa é como o cliente se sente. E sentimento não se automatiza.
No cenário internacional, esse debate também avança. Em Marketing 7.0, lançado neste mês, Philip Kotler, pesquisador norte-americano considerado o pai do marketing moderno, aponta que o futuro da área não estará apenas na inteligência artificial ou na performance orientada por dados, mas na capacidade de compreender emoções, percepções e vieses que influenciam decisões de consumo. Em outras palavras, a tecnologia ganha escala, porém o fator humano segue no centro da escolha.
Uma ferramenta pode responder perguntas frequentes em segundos, mas não percebe insegurança na fala de um cliente. Um sistema pode gerar indicadores instantaneamente, mas não interpreta as nuances de uma negociação delicada. Uma automação pode acelerar rotinas sem conseguir construir confiança.
Por isso, empresas que enxergam a inteligência artificial apenas como mecanismo de redução de equipe podem estar olhando para uma parte muito pequena da oportunidade. O uso mais maduro da tecnologia acontece quando ela libera tempo das equipes para aquilo que realmente gera valor: escuta qualificada, criatividade, relacionamento, estratégia e atendimento memorável.
Para empresas locais, existe uma vantagem importante nesse cenário. Enquanto grandes corporações discutem escala global e estruturas gigantescas, negócios regionais podem unir agilidade tecnológica com proximidade humana. Essa combinação é poderosa. Em outras palavras: a IA organiza. As pessoas encantam.
Nos próximos anos, praticamente todos os negócios terão acesso a ferramentas semelhantes. O diferencial competitivo não estará apenas no sistema contratado, mas na capacidade de transformar eficiência em experiência, velocidade em confiança e automação em valor percebido. A decisão, portanto, não é entre humano ou inteligência artificial. É sobre como usar a tecnologia para que o humano tenha mais tempo para ser humano. Empresas que compreenderem isso não apenas acompanharão a transformação digital — elas liderarão.
Dayane Nascimento é consultora de marketing com formação pela UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia do comportamento pela ESPM/SP, e empresária.
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O coração não avisa: riscos cardiovasculares do uso de anabolizantes
A busca por resultados rápidos no corpo tem levado cada vez mais pessoas ao uso de anabolizantes, mas muitas vezes não se considera o impacto direto dessas substâncias no coração e nos vasos sanguíneos.
Do ponto de vista endocrinológico, os esteróides anabolizantes alteram profundamente o equilíbrio hormonal do organismo e desencadeiam mudanças importantes no metabolismo, especialmente no perfil lipídico, com redução do colesterol HDL e aumento do colesterol LDL, favorecendo o acúmulo de gordura nas artérias.
Esse processo pode acelerar o desenvolvimento da aterosclerose, mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis, além de contribuir para o aumento da pressão arterial e maior risco de formação de coágulos.
O coração também sofre efeitos diretos, com alterações estruturais, como o aumento do músculo cardíaco de forma desorganizada e disfuncional, o que compromete sua função ao longo do tempo e pode levar a arritmias, insuficiência cardíaca e até morte súbita.
Um dos aspectos mais preocupantes é que essas mudanças costumam ser silenciosas: muitos usuários mantêm bom desempenho físico e não percebem sinais evidentes, enquanto o risco cardiovascular continua aumentando de forma progressiva.
Não existe uso seguro de anabolizantes para fins estéticos, e, quanto maior o tempo de exposição, maiores são as chances de complicações, incluindo infarto e acidente vascular cerebral.
Mais do que uma escolha estética, o uso dessas substâncias representa um risco real à saúde e pode impactar diretamente a expectativa de vida.
Tratamentos hormonais devem ser realizados apenas quando há indicação médica, com acompanhamento adequado. Quando o assunto é coração, os danos nem sempre dão sinais e podem ser irreversíveis.
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