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Junho Lilás: vacinar é um ato de cuidado, responsabilidade e amor
Por Carlos Bouret
A saúde é um patrimônio que muitas vezes só valorizamos plenamente quando ela nos falta. Por isso, toda oportunidade de falar sobre prevenção merece atenção especial. O Junho Lilás nos convida justamente a refletir sobre uma das medidas mais importantes já desenvolvidas pela ciência para proteger a população: a vacinação.
Em uma época marcada por avanços tecnológicos extraordinários, ainda não existe ferramenta mais eficiente, acessível e abrangente para evitar doenças graves do que a imunização. Vacinar-se é uma decisão que produz resultados silenciosos, mas extremamente poderosos. A vacina não faz manchetes quando funciona; ela age de forma discreta, impedindo que doenças se instalem, evitando complicações e preservando vidas.
Talvez esse seja um dos motivos pelos quais muitas pessoas acabam subestimando sua importância. Quando deixamos de conviver com determinadas enfermidades, corremos o risco de esquecer o quanto elas já causaram sofrimento a famílias inteiras. O sucesso das vacinas criou uma sensação de segurança tão grande que, por vezes, faz parecer que elas já não são mais necessárias. A realidade, porém, é exatamente o contrário.
Manter o calendário vacinal atualizado é um compromisso contínuo com a própria saúde. Crianças, adolescentes, adultos e idosos possuem necessidades específicas de imunização ao longo da vida. Não se trata apenas de cumprir uma recomendação médica, mas de fortalecer o organismo para que ele esteja preparado para responder adequadamente aos desafios que surgem diariamente.
Existe também uma dimensão coletiva que não pode ser ignorada. Quando uma pessoa se vacina, ela contribui para reduzir a circulação de agentes causadores de doenças e ajuda a proteger aqueles que, por motivos clínicos, possuem limitações para receber determinados imunizantes. Em outras palavras, a vacinação é um dos mais claros exemplos de que o cuidado individual produz benefícios para toda a sociedade.
Na Unimed Cuiabá, acreditamos que promover saúde é muito mais do que tratar enfermidades. É incentivar escolhas conscientes, disseminar informação de qualidade e criar condições para que nossos beneficiários tenham acesso aos recursos necessários para viver melhor. Nesse contexto, o Núcleo de Vacinas desempenha um papel fundamental, oferecendo atendimento especializado, imunizantes de qualidade e todo o rigor técnico exigido para garantir a segurança dos procedimentos.
A frase “vacinar é a melhor forma de proteção para você e sua família” traduz uma verdade que atravessa gerações. Em um simples gesto, estão reunidos cuidado, responsabilidade e amor. Ao se vacinar, protegemos nossos filhos, nossos pais, nossos amigos e todas as pessoas com quem convivemos.
Mais do que uma campanha, este mês representa um chamado à conscientização. É o momento de abrir a carteira de vacinação, verificar as doses pendentes e transformar a prevenção em prioridade. Porque a saúde do futuro começa nas decisões que tomamos hoje.
E poucas decisões são tão importantes quanto escolher a proteção.
Dr. Carlos Bouret é diretor-presidente da Unimed Cuiabá
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O que muda após o perdão
Por Soraya Medeiros
Há cerca de seis anos, uma inquietação silenciosa começou a me atravessar. Eu me perguntava, repetidamente, por que estava me anulando, por que carregava culpas que pareciam não ter fim e por que certas dores insistiam em permanecer, mesmo quando tudo ao redor já havia mudado. Era como viver presa a um passado que já não existia, mas que ainda determinava meus sentimentos, minhas escolhas e, principalmente, a forma como eu me via.
Foi nesse momento de exaustão emocional que senti um chamado — não externo, mas profundamente interno. Um convite quase urgente para olhar para dentro da minha própria alma. E olhar para dentro nem sempre é confortável. Exige coragem para revisitar feridas, reconhecer fragilidades e encarar verdades que, por muito tempo, preferimos evitar.
Nesse processo, compreendi que havia um passo essencial que eu ainda não tinha dado: o perdão.
Perdoar aqueles que passaram pela minha vida parecia difícil, mas possível. O grande desafio, contudo, era outro — perdoar a mim mesma. Perdoar minhas escolhas, minhas falhas e a versão de mim que fez o melhor que podia com o que sabia naquele momento.
O psicólogo Fred Luskin afirma que “o perdão é uma ferramenta para a saúde, não um presente para quem nos feriu”. Essa ideia reforça que perdoar não é sobre o outro, mas sobre libertar a si mesmo do peso da dor.
A travessia é individual. Ninguém pode percorrer por nós os caminhos mais profundos da nossa existência. Por isso, o acolhimento precisa começar de dentro. No meu caso, esse mergulho se expandiu após uma consagração com Ayahuasca, que me permitiu acessar camadas internas que eu ainda não alcançava.
Muitas pessoas têm preconceito em relação à Ayahuasca — e eu também já tive. Julgava sem conhecer, tinha receios e dúvidas. Mas, ao estudar e me permitir viver a experiência com responsabilidade, encontrei um processo profundo e transformador, que me ajudou a acessar dores antigas e iniciar uma verdadeira cura.
Foi a partir desse realinhamento que consegui me enxergar com mais verdade. E então, em um ato simples, mas profundamente libertador, eu disse em voz alta: “Eu perdoo”. E depois: “Eu me perdoo”.
Foi ali que algo mudou.
O perdão não apaga o passado, mas muda a forma como o carregamos. Ele rompe correntes invisíveis, dissolve culpas e abre espaço para o novo. Após o perdão, a vida ganha leveza. A autocobrança dá lugar à autocompaixão.
Perdoar a si mesmo é um dos maiores atos de amor-próprio. É reconhecer que somos humanos, imperfeitos e em constante aprendizado. Hoje, percebo que aquela versão de mim só precisava de acolhimento. E fui eu mesma quem finalmente ofereceu isso.
O perdão não muda o que aconteceu, mas muda completamente quem nos tornamos depois disso. E, às vezes, é exatamente essa mudança que representa a verdadeira cura.
Soraya Medeiros é jornalista
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