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AGRO & NEGÓCIO

Safrinha avança com clima irregular e mercado travado no país

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O milho entra na reta decisiva da safra 2025/26 com dois movimentos simultâneos no campo: enquanto a colheita da primeira safra se encerra no Sul, a safrinha avança em praticamente todo o Centro-Sul, com lavouras em desenvolvimento e início pontual de colheita nas áreas mais antecipadas. O quadro é de produção robusta, mas com incertezas climáticas e mercado ainda lento.

Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento indica que o Brasil deve colher cerca de 118 a 120 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26, leve recuperação em relação ao ciclo anterior, quando a produção ficou próxima de 115 milhões de toneladas, impactada por perdas na safrinha. A segunda safra segue como protagonista e deve responder por cerca de 75% do total produzido no país.

No campo, o cenário é heterogêneo. No Sul, a colheita da primeira safra está praticamente concluída: 93% no Rio Grande do Sul, 97,6% em Santa Catarina e 96% no Paraná. Já no Centro-Oeste e em Mato Grosso do Sul, a safrinha está praticamente toda plantada — em alguns casos acima de 95% da área — e apresenta, de modo geral, bom desenvolvimento, apesar de chuvas irregulares e aumento de pragas pontuais.

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As primeiras áreas de safrinha começam a entrar em fase reprodutiva e, em regiões mais adiantadas, já há início de colheita, ainda sem impacto relevante na oferta. O clima segue como fator-chave. Altas temperaturas e irregularidade das chuvas em parte do Paraná e do Mato Grosso do Sul elevam o risco para o potencial produtivo, enquanto áreas do Mato Grosso mantêm condições mais favoráveis até o momento.

No mercado, o ritmo segue lento. Dados da TF Agroeconômica mostram que a comercialização continua travada, com diferença significativa entre o preço pedido pelo produtor e o ofertado pelos compradores. No Sul, as cotações variam de R$ 56 a R$ 75 por saca, dependendo da praça, enquanto a demanda atua abaixo desses níveis, limitando os negócios.

A baixa liquidez no mercado spot ocorre em um momento típico de transição entre safras, com produtores mais capitalizados segurando vendas e compradores aguardando maior definição da oferta da safrinha. Em algumas regiões, a disputa por frete e a recomposição de estoques dão sustentação pontual aos preços.

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Em Mato Grosso do Sul, os preços reagiram recentemente e giram entre R$ 57 e R$ 59 por saca, com apoio da demanda do setor de etanol de milho, que segue como importante comprador. Ainda assim, o volume negociado permanece reduzido.

A combinação de safra potencialmente maior, clima irregular e mercado travado mantém o setor em compasso de espera. Para o produtor, o foco agora está no desenvolvimento da safrinha — que definirá o tamanho da oferta — e na janela de comercialização, em um cenário de margens ainda apertadas.

Fonte: Pensar Agro

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AGRO & NEGÓCIO

Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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