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Educação socioambiental e saber indígena no Pantanal
Por Mariana Costa Barros
Desde o meu primeiro dia como professora de artes no Complexo Educacional Sesc Pantanal, fui impactada pela arquitetura do lugar, em formato de aldeia indígena. A construção, que chama atenção de longe, aproveita a luz natural e, com sua estrutura suspensa, favorece a ventilação e o conforto térmico, reduzindo o consumo de energia. Além de funcional, esse espaço contribui para o aprendizado ao despertar a criatividade e a imaginação de crianças e jovens.
Outro marco foi o encontro com o mural da artista plástica Kaya Agari, do povo indígena Kurâ-Bakairi. Diante da obra, logo se tornou evidente que não se tratava de um projeto educativo comum. A presença do mural anuncia uma escola atravessada por uma cosmovisão fundamentada na coletividade, no diálogo com a natureza e em uma arquitetura que, de forma silenciosa, nos convida a refletir sobre o local onde estamos inseridos, a tecnologia ancestral, a sustentabilidade, as mudanças climáticas e maneiras mais conscientes e integradas de existir no planeta.
A diversidade de espécies de pássaros que habitam o Complexo revela, diariamente, a riqueza de formas de vida que compartilham o mesmo espaço. No dia em que escrevo este artigo, pausamos uma aula para acompanhar a presença de um casal de pica-pau-do-campo, que atravessava o pátio gramado, em uma configuração circular que favorece o encontro e a convivência. Situações como essa reforçam a importância de desacelerar, observar e reconhecer que a natureza também conduz processos de aprendizagem.
A arte, nesse contexto, se apresenta como linguagem viva e integrada à experiência. O mural de Kaya Agari, presente na escola, carrega histórias, saberes e provoca reflexões constantes. Em diálogo com o cotidiano dos alunos, a obra amplia a compreensão de que aprender também envolve sentir, pertencer e reconhecer as narrativas que constituem os lugares que habitamos.
A própria arquitetura do Complexo Educacional Sesc Pantanal reforça essa proposta pedagógica. Em diálogo com o ambiente ao redor, o espaço favorece a observação, a circulação do ar, a entrada da luz natural e o contato constante com a paisagem pantaneira. Trata-se de uma arquitetura que convida à permanência, à convivência e ao cuidado, fortalecendo uma educação socioambiental que nos provoca a pensar sobre as formas de habitar o mundo.
A escola se apresenta como um território educativo que nos lembra, diariamente, que não estamos separados da natureza. Somos parte dela. Esse entendimento, profundamente presente nos saberes indígenas, faz parte do cotidiano escolar e amplia a responsabilidade de formar sujeitos atentos às relações entre ambiente, cultura e vida.
Celebrar o Dia dos Povos Indígenas no Complexo Educacional Sesc Pantanal é reconhecer que a educação se constrói no encontro entre saberes, na escuta das culturas originárias e na vivência cotidiana do cuidado com o território.
É reafirmar o compromisso com uma formação que valoriza a diversidade e inspira modos mais conscientes, coletivos e respeitosos de existir.
Mariana Costa Barros é professora de Artes do Complexo Educacional Sesc Pantanal.
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A fisioterapia no tratamento da tontura
A tontura é uma queixa comum, mas que ainda é cercada de dúvidas e, muitas vezes, negligenciada. Quem nunca sentiu aquela sensação de desequilíbrio, de “cabeça leve” ou até mesmo a impressão de que tudo está girando ao redor? Apesar de frequente, a tontura não deve ser considerada algo normal, principalmente quando se torna recorrente ou impacta a qualidade de vida.O que muita gente não sabe é que a tontura pode ter diversas causas. Entre elas, destacam-se alterações no sistema vestibular, responsável pelo nosso equilíbrio, localizado no ouvido interno. Quando esse sistema não funciona adequadamente, o cérebro recebe informações desencontradas sobre a posição do corpo, gerando sintomas como vertigem, instabilidade, náuseas e até dificuldade para caminhar.
Além disso, fatores como estresse, ansiedade, problemas cervicais, alterações circulatórias e até o uso de certos medicamentos também podem estar relacionados ao surgimento da tontura. Por isso, o diagnóstico correto é fundamental para um tratamento eficaz.
Nesse contexto, a fisioterapia tem um papel essencial, especialmente por meio da reabilitação vestibular. Trata-se de um conjunto de técnicas e exercícios específicos, baseados em evidências científicas, que estimulam a adaptação do sistema nervoso central diante das alterações do equilíbrio. O objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas promover uma reorganização funcional do organismo.
A atuação do fisioterapeuta vai além da prescrição de exercícios. Durante a avaliação, são identificadas as possíveis origens da tontura e os fatores que agravam o quadro, permitindo a construção de um plano terapêutico individualizado. Esse cuidado direcionado aumenta significativamente a efetividade do tratamento e reduz o risco de recorrência das crises.
Outro ponto importante é que a reabilitação vestibular contribui diretamente para a recuperação da autonomia do paciente. Ao trabalhar equilíbrio, coordenação e orientação espacial, o tratamento ajuda a restaurar a segurança nos movimentos e nas atividades do dia a dia, como caminhar, dirigir ou até mesmo realizar tarefas simples, que muitas vezes passam a ser evitadas por medo de novas crises.
Mais do que tratar, o fisioterapeuta também atua na orientação e prevenção, auxiliando o paciente a entender seus sintomas, identificar possíveis gatilhos e adotar estratégias que minimizem as crises. Esse acompanhamento próximo faz toda a diferença na evolução do quadro e na qualidade de vida.
No Dia Nacional da Tontura, celebrado em 22 de abril, é importante reforçar: sentir tontura não é normal, e buscar ajuda profissional faz toda a diferença. Com avaliação adequada e tratamento direcionado, é possível recuperar o equilíbrio e a qualidade de vida.
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