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Público lota Cine Teatro na estreia de “Mãe Bonifácia”

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Com a porta do Cine Teatro lotada e uma fila que ultrapassava a esquina do prédio histórico, o filme “Mãe Bonifácia”, do diretor Salles Fernandes, ganhou a unanimidade do público logo na estreia com o longa-metragem de ficção estrelado pela atriz Zezé Motta, na noite desta terça (31), com entrada gratuita. A procura foi tanta que, numa mesma noite, foram duas exibições de “Mãe Bonifácia”. O filme vai ser exibido também nesta quinta (2.04), às 19h30.

“Dependendo da procura, podemos fazer uma outra sessão mais tarde”, diz o diretor, entusiasmado com o interesse do público. “Fico maravilhado em ver algo inédito no Cine Teatro em termos de público. A sociedade tem interesse em consumir nossa produção, há demanda para a produção audiovisual em Mato Grosso”, avalia.


Ele confessa que foi pego de surpresa com tamanha procura. “Não esperava tanta gente, nem a organização do Cine Teatro”. Os interessados em assistir à exibição desta quinta devem retirar os ingressos no dia, das 14h às 18h, na bilheteria do espaço. A exibição do filme está programada para 19h30. Há expectativa de que, após passar em Cuiabá, o filme seja exibido em Sorriso, onde foi gravado. Em seguida, o diretor pretende inscrever a obra em festivais nacionais e internacionais.

Produzido com recursos do edital Cinemotion de Produção Audiovisual – edição Lei Paulo Gustavo (LPG), da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o longa-metragem retrata duas etapas da vida de “Mãe Bonifácia”, uma na juventude, com interpretação da atriz de São Paulo, Elina Souza, quando a personagem, alforriada, ganha o respeito das autoridades, e já mais velha, com interpretação de Zezé Motta, época em que conta como conseguiu ajudar os escravos a ganhar a liberdade e fugir para quilombos, que deu origem ao bairro Quilombo, na capital.

Historiadores também asseguram que Mãe Bonifácia, procurada na época por ser renomada curandeira e benzedeira, fundou um quilombo dentro da região onde hoje está localizado o Parque Mãe Bonifácia. No local, ela foi homenageada na história recente, no governo Dante de Oliveira, com o nome e uma estátua.


Em discurso antes da estreia, o diretor falou sobre a própria trajetória. “Este é meu primeiro longa-metragem. Fiz o curta “Minhocão do Pari – a origem da lenda”, depois “Tereza de Benguela” e agora “Mãe Bonifácia”, tudo com o apoio da Secel-MT. Agradeço a Cuiabá por ter me dado essa figura tão bonita para que a gente pudesse contar essa história e entregar isso para o Brasil conhecer essa mulher preta, de força, que fez história e que sobreviveu ao tempo, com seu legado e o seu nome”, destaca. Salles já acumulou premiações com curtas-metragens exibidos em festivais no Brasil e no exterior, que conquistaram reconhecimento em países como Canadá, Espanha e Chile.

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O secretário-adjunto de Cultura, Jan Moura, saudou o público de Sorriso presente e frisou que o cinema mato-grossense está chegando cada vez mais longo, com mais investimentos previstos para 2026, “com mais editais, recursos e produções”. Ele reforça a importância do Programa Arranjos Regionais, que vai assegurar R$ 18 milhões de investimentos ao setor audiovisual mato-grossense. O documento foi assinado durante Encontro Nacional com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, no icônico Cinema São Luiz, em Recife (PE), na última semana, e prevê recursos estaduais e federais – leia mais.

“Com certeza, vamos ver nosso audiovisual, o cinema mato-grossense, chegar em outro patamar. Estamos muito felizes com a entrega de mais este filme. Sorriso está se tornando um polo regional de produção de filmes”. Jan destaca a importância da Lei Paulo Gustavo (LPG). “Está fazendo a diferença. É inexplicável no audiovisual brasileiro. São muitas produções no país inteiro, lançamento de streamings, povoando os festivais, se destacando em nível internacional. É bom ter políticas públicas que financiam e que realmente fazem a diferença. A cultura precisa de investimento”, frisa.


Superintendente de Desenvolvimento da Economia Criativa da Secel-MT, Keiko Okamura destaca o desenvolvimento do audiovisual no Estado e agradece ao público. “Sem esse público, sem o consumo desse produto, dessa obra audiovisual de Mato Grosso, a gente não tem um setor totalmente desenvolvido. Essa turma é guerreira, tem feito o audiovisual no interior do Estado, tem feito boas produções. É o audiovisual de Mato Grosso desenvolvendo. A gente tem uma garra, um trabalho com recurso federal e agora com recurso do Estado. Estamos entrando no mercado, levando Mato Grosso para fora do Brasil para que o Estado seja reconhecido como um polo de produção audiovisual, um polo de cultura com sua identidade. Precisamos mostrar para o Brasil e o mundo que a gente existe, que a gente faz produção, que a gente faz cinema, que a gente tem cultura e que a gente tem uma identidade, uma característica forte, própria e que merece ganhar o mundo”.

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Alforriada, Mãe Bonifácia viveu na capital mato-grossense no fim do século XIX e ajudou a criar quilombos para esconder escravos da perseguição. “Formou-se um quilombo para ajudar, onde fica atualmente o bairro Quilombo. Símbolo de coragem e resistência, ficou conhecida por acolher e cuidar de escravizados fugitivos. Também os orientava e indicava caminhos seguros para que alcançassem a liberdade em outros quilombos formados no interior. Tanto que ficou conhecida como a “Mãe” deles. Tratava da saúde dos escravos fugitivos com ervas medicinais. “A construção da participação da Zezé Motta foi algo bem interessante. Hoje ela tem este privilégio merecido de escolher o papel em que quer trabalhar. Então a Zezé hoje, devido a idade, com mais de 80 anos, escolhe o papel que ela quer fazer”, destaca o diretor.


Segundo ele, ao conhecer a história da personagem que interpretaria, Zezé declarou: “Me identifiquei com a personagem, quero viver esta história e quero que o Brasil a conheça!”. E reforça, “ter uma atriz como ela no papel é maravilhoso. A Zezé tem mais de 60 anos de carreira, é realizador”, reforça Salles – leia mais.

Edital

O edital Cinemotion de Produção Audiovisual – edição Lei Paulo Gustavo (LPG), executado pela Secel com investimento de R$ 16 milhões, viabilizou uma animação, um documentário e quatro ficções, entre as quais o premiado filme “Cinco Tipos de Medo” e “Mãe Bonifácia”. Este foi o maior de todos os editais da Lei Paulo Gustavo em Mato Grosso, que viabiliza também a produção de quatro minisséries mato-grossenses: a animação “Florifluto”, o documentário “Gente do Xingu” e as ficções “Fica Perto” e “Portão do Inferno – Casos Arquivados”.

 

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Fotógrafo mato-grossense representa o Pantanal em mostra dos biomas brasileiros na China

José Medeiros integra exposição realizada em Pequim no Ano Cultural Brasil-China 2026 representando o Pantanal.

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Exposição do fotógrafo mato-grossense José Medeiros em Pequim, na China.

O fotógrafo e documentarista José Medeiros representa o Pantanal na mostra fotográfica dedicada aos seis biomas brasileiros apresentada em Pequim, na China, como parte da programação do Festival Brasil – Turismo, Arte e Cultura, realizado no âmbito do Ano Cultural Brasil-China 2026. Suas fotografias constituem a apresentação visual do Pantanal dentro de um conjunto que reúne trabalhos de seis fotógrafos, cada um associado a um dos biomas do país.

A exposição apresenta Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal por meio da fotografia e de outras experiências expositivas, com ênfase nas relações entre paisagens, modos de vida, manifestações culturais e territórios. A proposta curatorial parte da conexão entre os biomas brasileiros e utiliza o fenômeno dos chamados “rios voadores” como fio condutor do percurso.

Além de José Medeiros, que apresenta o Pantanal, participam João Marcos Rosa, com a Amazônia; André Pessoa, com a Caatinga; Zig Koch, com a Mata Atlântica; André Dib, com o Cerrado; e Tadeu Vilani, com o Pampa. A seleção reúne fotógrafos com trajetórias vinculadas à documentação de paisagens, biodiversidade, comunidades e transformações territoriais em diferentes regiões brasileiras.

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No caso do Pantanal, a escolha de Medeiros está relacionada a uma trajetória de mais de três décadas de documentação da região. Seu trabalho acompanha tanto as paisagens submetidas aos ciclos de cheia e vazante quanto os modos de vida das populações pantaneiras e as transformações ambientais e sociais ocorridas no território.
A participação insere a fotografia produzida em Mato Grosso em uma ação de apresentação internacional da diversidade ambiental e cultural brasileira. A mostra integra uma programação que apresenta ao público chinês os seis biomas do país e associa fotografia, cultura, biodiversidade e experiências imersivas. Segundo a Embratur, o Festival Brasil ocorre em Pequim entre 2 e 6 de setembro de 2026 e integra a agenda do Ano Cultural Brasil-China.

Para José Medeiros, a presença de seu trabalho na exposição também leva ao exterior uma produção documental construída a partir do próprio território. Em sua obra sobre o Pantanal, a paisagem aparece relacionada às pessoas que vivem na planície, às formas de trabalho, aos ciclos das águas, à cultura e às mudanças que atravessam a região ao longo do tempo.

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Sobre José Medeiros

Fotógrafo e documentarista mato-grossense, José Medeiros desenvolve há mais de três décadas uma obra dedicada ao Pantanal. Sua produção reúne fotografia, audiovisual e projetos documentais voltados às paisagens, às comunidades e às transformações sociais e ambientais da região. Na exposição realizada em Pequim, seu trabalho integra a representação brasileira do Pantanal entre os seis biomas apresentados ao público chinês.

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