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Após estiagem e calor extremo, chuva renova o Pantanal de Cáceres e devolve o canto das aves

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Por João Arruda | Cáceres (MT)

Após um longo período de estiagem severa, com tardes de mormaço que chegaram a beirar os 45 graus Celsius, a tórrida cidade de Cáceres (a 210 km de Cuiabá), foi contemplada, nas primeiras horas da manhã deste sábado (5), com uma chuva mansa e contínua.

A precipitação ajudou a dissipar as nuvens de poeira que, há meses, castigavam o ambiente pantaneiro.

Cáceres é berço e vertente da planície pantaneira. Onde começa a depressão, comprimida entre as duas cordilheiras — Serra das Araras e Serra dos Parecis —, o município está a apenas 115 metros acima do nível do mar. Essa característica dificulta a entrada de ventos e torna a cidade uma das mais quentes do país.

Uma verdadeira “estufa natural” que, nos últimos tempos, nem mesmo os pantaneiros nativos têm suportado, devido às altas temperaturas.

Para quem chega a Cáceres vindo de regiões do Sul ou do Sudeste, ou ainda do litoral brasileiro, a adaptação ao calor sufocante pode ser difícil.

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Esse foi um dos casos vivenciados pelo radialista Paulo Rossi. Na década de 1970, ele foi contratado para atuar como locutor da Rádio Difusora de Cáceres, a pioneira do oeste de Mato Grosso. Com muito talento e atuação multidisciplinar, Rossi conquistou centenas de ouvintes. No entanto, ele e a família não suportaram o calor e precisaram deixar Cáceres.

Outro que sofreu com as altas temperaturas foi o mineiro de São João del-Rei, o capitão de corveta Magno Luís Moura, designado para comandar a unidade da Marinha do Brasil em Cáceres.

Acostumado às temperaturas amenas das montanhas de Minas Gerais e às brisas litorâneas, ele sentiu na pele o calor do Pantanal. Certa vez, chegou a declarar à imprensa local:

“Eu achava que o Rio de Janeiro era quente à beça, mas o calor em Cáceres supera. Nem tudo é ruim, pois esta gente pantaneira tem calor e hospitalidade sem par.”

A estação do inverno termina no dia 22 deste mês. Os mato-grossenses costumam chamar essa chuva de “chuva do caju e da manga”, em referência às árvores que povoam os quintais das cidades de Mato Grosso.

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Outra manifestação natural provocada pela chegada da chuva é o retorno dos gorjeios das aves. Trinca-ferros, sabiás-laranjeiras, maritacas, bem-te-vis, são-joãozinhos, caga-sebos, sinhôs-concás, chocas-barradas, almas-de-gato, sanhaços-verdes, sanhaços-azuis, fogo-apagou, japuíras, pintassilgos, canários-da-terra e canários-belgas, periquitos, papagaios e araras estão entre as dezenas de espécies que habitam a vasta região oeste de Mato Grosso.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto e bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

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Morre o lendário marinheiro Caxito, aos 109 anos; ele atuou por mais de 40 anos em Cáceres

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Calixto recebeu homenagem da Marinha do Brasil em Cáceres, quando completou 107 em 2024

Por João Arruda | Cáceres 

A Marinha do Brasil está enlutada. Faleceu, nesta quinta-feira, em Cáceres (a 210 km de Cuiabá), o servidor José Francisco Caxito, aos 109 anos. Ele serviu por mais de 40 anos na então Capitania dos Portos de Mato Grosso, em Cáceres, atual Agência Fluvial.

Caxito encontrava-se com a saúde debilitada. Em 12 de dezembro de 2024, o então comandante da Marinha em Cáceres, capitão Magno Luís Moura, prestou-lhe uma homenagem em vida. Na ocasião, homenageou o “Marinheiro Caxito”, como era carinhosamente chamado em Cáceres.

Caxito nasceu na cidade de São Romão, na região norte do estado de Minas Gerais. Das Alterosas, ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na estatal responsável pela construção da ferrovia Brasil-Bolívia, em um trecho entre Corumbá e Santa Cruz de la Sierra.

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Após o término da obra, devido à sua habilidade com atividades administrativas, foi promovido para atuar na Marinha em Cáceres, que, à época, era responsável por um dos portos fluviais mais movimentados do país.

Marinheiro veterano, José Francisco Caxito

Na Marinha, José Francisco Caxito estimulou centenas de jovens a ingressarem na Armada Brasileira, tanto durante o período em que esteve na ativa quanto após sua aposentadoria.

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Caxito deixa um imensurável legado para a Marinha Brasileira e para o povo de Cáceres, além de ser um exemplo para amigos e familiares.

“Eu tive a honra de conhecer esse mineiro de alma gentil, que tanto contribuiu com a Armada e, fora dela, incentivou homens e mulheres a ingressarem na carreira militar. Além de seus quatro filhos homens, formou também duas filhas professoras. Quero, daqui, distante no estado do Rio de Janeiro, transmitir meus sentimentos de pesar pelo passamento do companheiro Caxito. Que Deus receba essa alma bondosa”, lamentou o capitão de corveta Magno.

O velório ocorrerá a partir das 18 horas, na Pax Silva. O sepultamento será realizado nesta sexta-feira, às 9 horas, no Cemitério Parque dos Ipês, no setor norte de Cáceres, na região conhecida como Olhos D’Água.

O atual comandante da Marinha em Cáceres, Stênio Lacerda Júnior, lamentou o falecimento e encaminhou uma coroa de flores. Também enviou uma representação do efetivo local para prestar as últimas homenagens ao Marinheiro Caxito.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto e bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

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