vila bela da santissima trindade
Vila Bela a cidade mais Africana de Mato Grosso mantém tradição secular; veja vídeos
Por João Arruda | Cáceres
Foi erguido o mastro com imagem de São Benedito, na noite de ontem (13.07), na cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade (à 510 quilômetros Oeste de Cuiabá) a devoção ao Santo Negro, faz parte da extensa programação até o final de semana, chamada Festança do Divino.
Vila Bela, com cerca de 17 mil habitantes, é apontada como à mais africana entre todos os 141 municípios de Mato Grosso.
A tradição é mantida há séculos, pelos descendentes de escravos trazidos à marra ao território mato-grossense, desde Angola; Guiné; Sudão e Moçambique, isso em meados do século 18, quando o lusitano Antônio Rolim de Moura, fundou o povoado no limite com as possessões do Vice Reino da Espanha, a margem esquerda do Rio Guaporé.
Para os descendentes de escravos, erguer o mastro com a imagem de São Benedito, têm um forte simbolismo, que muitos até hoje ignoram.
Reza a lenda que um navio negreiro, que tinha a bordo dezenas de africanos, oriundos da Costa da África, seguia para o estado do Grão Pará (hoje Pará), de lá subiriam o Rio Amazonas até Vila Bela da Santíssima Trindade, quando no litoral do Espírito Santo, o mar se encrespou, levando a pique à nau escravagista de bandeira holandesa.
Dezenas de escravos e poucos brancos se salvaram agarrados num dos mastros do Veleiro. Após a tempestade, veio a bonança, as correntes de ventos empurraram os sobreviventes para uma praia do litoral capixaba. Os escravos ergueram o mastro na parte continental, presume-se que seja na cidade de Serra.
Daí o Estado do Espírito Santo, têm até os dias atuais São Benedito como padroeiro. Em Vila Bela da Santíssima Trindade, destino da “mercadoria humana”, se louva o mesmo Santo e o Divino Espírito Santo.
Bandeiras, percorrem as ruas de Vila Bela, ao som de pandeiro, ganzá, gaita e violão, os moradores abrem suas portas, cânticos de gerações à gerações são entoadas, emocionando os nativos e turistas, que visitam essa bela cidade, apontada como um dos mais autênticos municípios que sustentam a cultura deste estado há mais de 280 anos.
Quando o império optou por transferir a Capital para Cuiabá, a população europeia migrou em massa para Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá, deixando os negros isolados.
No fim do século 19, início do século passado, o tubarão norte americano Percival Faquar, inicia um mega empreendimento da ferrovia Madeira/ Mamoré, no Território Federal do Guaporé (hoje Rondônia), fazendo chegar europeus de diversas nacionalidades, que vão se miscigenar com os vilabelenses.
Já por volta de 1950, chega a cidade um casal holandês de origem judia os Jacob Brinskem, que professam a fé na Igreja Presbiteriana, fundam um hospital na cidade.
Esse casal dá a luz ao varão André Jacob Brinskem, que nasceu em Vila Bela, formou se médico e atualmente é o prefeito de lá.
A cidade não esquece que um oficial da PM, chamado Tito Lívio Caravelas, encantado pelos sinos de Vila Bela da Santíssima Trindade, resolveu ao arrepio de suas orientações, expropriar dois sinos, forjados em metal nobre para o seu acervo pessoal, se valia de ser esposo de uma magistrada, os vilabelenses, unidos tal qual catetos, “grunhiram ” para o governador da época, Júlio Campos e para o Comandante da PM, não deu outra. Caravelas, sem graça, caranfunché (termo do glossário de termos pantaneiros) devolveu os sinos na madrugada seguinte. O povo de Vila Bela, não deixou barato, até hoje canta um jongo “Campo Verde, é Vila Bela da Santíssima Trindade, Campo Verde, serenado, onde o sino foi e voltou a tocar seu dobrado”.
*colaborou com as imagens, Rosário Carneiro Geraldes, uma das descendentes da Rainha Africana Teresa de Benguela.
vila bela da santissima trindade
Cidadania e acolhimento marcam passagem da Justiça Sem Fronteiras
Moradora da comunidade Santa Mônica, Gizelia Hurtado buscou orientação junto à Caixa Econômica Federal para garantir o benefício Pé-de-Meia para a filha de 17 anos, que está concluindo o Ensino Médio. “Graças a Deus deu tudo certo. Fui muito bem atendida. Se tivesse que ir para a cidade seria muito difícil, porque tem o custo do transporte e muitas vezes a gente vai e não consegue resolver. Aqui consegui resolver tudo perto de casa. Isso ajuda muito”, relatou.
“Eu acredito que essa expedição é uma bênção para a nossa região. Muitas pessoas nasceram e cresceram aqui e nunca tiveram acesso a tantos serviços reunidos em um só lugar. Ficamos felizes em ver nossos familiares, amigos e moradores sendo beneficiados. Muitas dessas pessoas dificilmente conseguiriam buscar esses atendimentos em outras cidades. A expedição traz oportunidades que fazem diferença na vida de quem mora aqui”, destacou.
-
AGRO & NEGÓCIO5 dias atrásResultado das eleições no primeiro turno faz mercado comemorar e dólar recuar 4,12%
-
AGRO & NEGÓCIO5 dias atrásEUA ampliam exportações de etanol e acirram concorrência com o Brasil
-
AGRO & NEGÓCIO4 dias atrásExpoAgro Capivari deve movimentar mais de R$ 6 milhões
-
AGRO & NEGÓCIO4 dias atrásProdutores negociam potássio para 2027/28 quase um ano antes do plantio
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásSinop alcança US$ 1,71 bilhão em exportações e consolida 2º lugar em Mato Grosso
-
AGRO & NEGÓCIO4 dias atrásBanco Central: crédito rural para pessoas físicas teve inadimplência recorde de 9,7% em agosto
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásCarne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro
-
AGRO & NEGÓCIO4 dias atrásCúpula do agro liga inovação e rastreabilidade ao acesso a mercados




