BRASIL E MUNDO
Trump é retirado às pressas de jantar em Washington após tiros
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisou ser escoltado às pressas por agentes do Serviço Secreto na noite deste sábado, depois que disparos foram ouvidos no Washington Hilton, onde ocorria o tradicional jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca. O evento, que reunia autoridades do governo e jornalistas que acompanham a rotina presidencial, foi interrompido por uma operação emergencial de segurança.
BREAKING: Trump and several Cabinet members rushed out of the WHCA dinner after a security incident. pic.twitter.com/6X1CxIO80M
— Republicans against Trump (@RpsAgainstTrump) April 26, 2026
A confusão começou poucos minutos após os convidados entrarem no salão principal. Um barulho forte no corredor gerou pânico e levou agentes a anunciarem que tiros haviam sido disparados. Vídeos que circulam nas redes mostram o momento em que o presidente é cercado por seguranças e retirado rapidamente ao lado da primeira-dama, Melania Trump. Equipes armadas da unidade tática contra-ataque foram vistas posicionadas dentro do salão com armas longas em punho.
O FBI informou que um suspeito foi detido. Ele não chegou a atravessar o último ponto de segurança antes da porta do salão, mas conseguiu disparar enquanto era perseguido por agentes. Um policial foi atingido, mas estava com colete à prova de balas e não teve ferimentos graves. Investigadores identificaram o detido como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, segundo fontes da polícia ouvidas pelo jornal New York Times.

Presidente Trump, publicou imagem do homem detido após disparos Washington | Foto: Reprodução/Truth Social
Mais tarde, Trump classificou o suspeito como um lobo solitário. Em coletiva realizada na Casa Branca, afirmou que a ação policial foi eficiente e que a resposta de segurança ocorreu em questão de segundos. O presidente relatou que inicialmente pensou que o barulho fosse de uma bandeja caindo e admitiu que deveria ter se abaixado mais rapidamente. Agradeceu o trabalho dos agentes e disse ter sido conduzido para fora do local de maneira imediata.
As autoridades federais informaram que o caso será tratado como crime violento. O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que espera apresentar acusações formais em breve. Jeanine Pirro, procuradora federal no Distrito de Columbia, adiantou que o suspeito deve responder por porte de arma de fogo durante crime violento e agressão contra agente federal com arma perigosa. Novas acusações não estão descartadas.
Dentro do hotel, testemunhas relataram momentos de tensão. O jornalista Shawn McCreesh, do New York Times, escreveu que estava no banheiro quando ouviu gritos e sons de pratos quebrando. Ao sair, viu agentes com armas apontadas em sua direção ordenando que todos corressem e se abaixassem. Outras autoridades foram retiradas individualmente do local, enquanto agentes armados percorriam os corredores do hotel.
Entre os presentes estavam membros importantes do governo, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent; a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard; o secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr.; e o diretor do FBI, Kash Patel. O incidente reacendeu memórias do atentado contra Ronald Reagan, ocorrido em 1981, também na saída do Washington Hilton.
Trump já havia sido alvo de outros ataques recentes. Durante a campanha de 2024, sofreu um disparo de raspão na orelha em um comício na Pensilvânia. Meses depois, foi retirado rapidamente por agentes quando um homem armado foi baleado por policiais em seu clube de golfe na Flórida.
Ao ser questionado sobre por que se tornou alvo frequente de atentados, Trump citou que figuras que causam impacto histórico, como Abraham Lincoln, acabam sendo visadas. Disse que não gosta de admitir, mas sente certo “peso de importância” por já ter enfrentado vários episódios do tipo.
Após o incidente, Trump deixou o hotel por volta das 21h45 na tradicional limusine presidencial e seguiu para a Casa Branca, que teve a segurança reforçada. Homens armados foram vistos patrulhando os jardins da residência oficial.
Apesar do clima de incerteza, algumas festas paralelas ao jantar mantiveram a programação. A revista Time confirmou seu evento na residência do embaixador suíço, e outro encontro organizado no Dupont Underground também foi mantido pelos organizadores.
BRASIL E MUNDO
Trump cancela missão ao Paquistão e impasse com Irã amplia tensão diplomática no Oriente Médio
Negociações envolvendo Estados Unidos, Irã e Paquistão sofreram um revés neste sábado (25), depois que o presidente norte‑americano Donald Trump confirmou ter cancelado a viagem de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner a Islamabad. A comitiva participaria de tratativas indiretas com representantes iranianos, mas a delegação de Teerã deixou o Paquistão antes de qualquer encontro, acentuando o impasse diplomático.
Em entrevistas concedidas aos veículos Axios e Fox News, Trump afirmou que caberá ao governo iraniano decidir quando retomará o diálogo. Ele declarou que não via razão para manter uma viagem tão longa diante da atual paralisia nas conversações. Segundo o presidente, qualquer avanço poderia ser discutido por telefone, sem necessidade de deslocamento internacional.
Trump também negou que o cancelamento represente uma escalada militar ou sinalize um agravamento imediato das tensões. O governo norte‑americano, porém, não detalhou próximos passos ou eventuais condições para retomar as negociações.
Diplomacia iraniana deixa Islamabad sem avanços
A saída inesperada do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, marcou o fracasso momentâneo da tentativa de mediação paquistanesa. Araghchi esteve reunido com o primeiro‑ministro Shehbaz Sharif e com o comandante das Forças Armadas do país, Asim Munir, discutindo caminhos possíveis para negociações de paz intermediadas por Islamabad.
Ainda no início da visita, Teerã reforçou que não havia possibilidade de encontro direto com autoridades dos Estados Unidos. A posição iraniana, segundo comunicados oficiais, seria transmitida exclusivamente por canais paquistaneses. Em declarações à imprensa, porta‑vozes do governo iraniano acusaram Washington de tentar preservar “aparências diplomáticas” enquanto buscaria uma saída para o “atoleiro da guerra”.
Alerta militar no Golfo
Em meio à tensão crescente, o Comando Conjunto das forças armadas iranianas voltou a ameaçar uma possível resposta militar caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio a portos do país. A liderança militar classificou as ações norte‑americanas como “pirataria” e “banditismo”, afirmando que a continuidade dessas medidas colocaria as forças dos EUA em risco de retaliação.
A advertência foi divulgada pela televisão estatal do Irã e reforça o clima de instabilidade em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz.
Apelos internos e retomada parcial da normalidade
Em pronunciamento televisionado, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian pediu à população que reduza o consumo de energia elétrica. Segundo ele, apesar de o Irã não enfrentar falta de energia, pressões externas de Estados Unidos e Israel tentariam gerar inquietação social. O líder iraniano destacou que o país precisa manter estabilidade interna enquanto lida com desgastes diplomáticos.
Paralelamente, as autoridades locais anunciaram a reabertura do Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerã. Após restrições temporárias, voos internacionais voltaram a ser operados, com partidas iniciais para destinos como Medina, Mascate e Istambul.
Conflito no sul do Líbano
A tensão regional também esteve presente no sul do Líbano, onde o Ministério da Saúde informou a morte de quatro pessoas em ataques israelenses. O episódio ocorreu na cidade de Yohmor al‑Shaqeef, no distrito de Nabatieh, atingindo um caminhão e uma motocicleta, apesar do cessar‑fogo ampliado recentemente entre Israel e Hezbollah.
Movimentação militar europeia
Em meio às incertezas no Oriente Médio, o Ministério da Defesa da Alemanha anunciou que enviará um caça‑minas ao Mar Mediterrâneo. A embarcação deve ser posicionada para apoiar uma possível missão de patrulhamento no Estreito de Ormuz, iniciativa discutida após o fim da Guerra do Golfo.
O cenário reflete um tabuleiro de tensões simultâneas, onde diplomacia fragilizada, pressões militares e disputa por influência regional continuam moldando as relações internacionais no Oriente Médio e além.
*Com Agência
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