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Sua próxima meta cabe na sua empresa?

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Por Rômulo Rampini

2026 entrou na reta final. Antes de definir quanto sua empresa precisa vender em 2027, vale responder uma pergunta: o que você fez neste ano para melhorar o resultado? Os Panoramas de Marketing e Vendas 2026, da RD Station, mostram que 75% das empresas pesquisadas não atingiram suas metas de vendas em 2025. Mesmo assim, 87% esperavam crescer mais em 2026 do que no ano anterior. A expectativa era alta. Agora, cada empresário precisa olhar para o próprio negócio e avaliar o que aconteceu.

Esse dado não mostra como sua empresa terminou o ano. Mas ajuda a fazer uma comparação importante: o crescimento esperado veio acompanhado de mudanças ou apenas de mais cobrança? Aumentar a meta faz parte da gestão. O problema é pedir um resultado maior sem entender o que impediu a empresa de chegar ao resultado anterior. Se o atendimento continua lento, as propostas ficam esquecidas e a equipe trabalha sem orientação, qual é a base para esperar mais vendas?

Essa análise não exige uma estrutura complicada. Comece olhando para os últimos meses. Quantas pessoas procuraram sua empresa? Quantas receberam uma proposta? Quantas compraram? E o que aconteceu com aquelas que demonstraram interesse, mas não fecharam?

Muitos negócios procuram novos clientes todos os dias enquanto deixam de acompanhar quem já pediu um orçamento. O empresário investe para gerar o contato, a equipe responde uma vez e a conversa termina sem uma próxima ação.

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Antes de colocar mais dinheiro nos anúncios, confira como esses contatos estão sendo atendidos. Existe alguém responsável por cada oportunidade? O cliente recebe uma resposta em tempo adequado? Depois de enviar a proposta, alguém retoma a conversa?

Nem todo cliente compra no primeiro contato. Alguns precisam esclarecer dúvidas, comparar opções ou esperar o momento de decidir. A empresa precisa saber quando voltar a falar com ele e o que pode oferecer para ajudar nessa decisão. Organizar isso pode começar com uma rotina simples: registrar o contato, o interesse, o responsável e a data do próximo retorno. Um CRM ajuda a reunir essas informações e acompanhar as negociações, desde que a equipe use a ferramenta no dia a dia.

Marketing e vendas também precisam conversar. Quem faz as campanhas deve saber quais contatos chegam com potencial de compra. Quem atende precisa informar quais dúvidas aparecem e por que as negociações não avançam. Isso ajuda a corrigir a comunicação e aproveitar melhor o investimento.

A inteligência artificial e a automação podem apoiar esse trabalho. Podem agilizar respostas iniciais, organizar informações e lembrar a equipe de fazer um retorno. Para escolher onde usá-las, comece pelo problema que está tomando tempo ou fazendo a empresa perder oportunidades.

Se as vendas cresceram em 2026, procure entender o motivo. Você conquistou mais clientes ou apenas aumentou os preços? Sobrou mais dinheiro depois de pagar os custos? A equipe consegue manter esse ritmo sem comprometer o atendimento?

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Se o resultado ficou abaixo do esperado, descubra onde houve dificuldade. Faltaram interessados? Os contatos chegaram sem o perfil certo? As propostas não convenceram? A empresa perdeu vendas por preço, prazo ou demora na resposta? Cada problema pede uma ação diferente. Ainda há tempo para melhorar o atendimento, revisar propostas abertas e retomar contatos antes de Black Friday e Natal. Escolha os problemas que mais atrapalham as vendas, defina quem vai cuidar deles e acompanhe o que mudou.

Para planejar 2027, use os números da sua empresa. Se você quer vender mais, estime quantos clientes precisa conquistar e quantos pedidos de orçamento serão necessários. Depois, confira se tem equipe, capacidade de entrega e investimento para atender esse volume. O empresário não precisa ter todas as ferramentas disponíveis. Precisa conhecer melhor sua operação e garantir que o básico seja feito com regularidade: responder, registrar, acompanhar, orientar a equipe e corrigir o que não funciona.

O Panorama da RD Station oferece uma referência para essa reflexão. A decisão, porém, depende do que aconteceu no seu negócio. Antes de aumentar a meta de novo, responda: o que você aprendeu com 2026 e o que vai mudar para tornar o próximo resultado possível?

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS.

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Somos muito mais do que as barreiras que enfrentamos

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Por Iracema Paulino de Alencar

Nossa história como mulheres é marcada por resistência, coragem e conquistas. Sabemos que nenhum dos direitos que hoje exercemos surgiu por acaso. Cada espaço que ocupamos, cada oportunidade conquistada e cada avanço em direção à igualdade são resultados da luta de gerações de mulheres que vieram antes de nós e se recusaram a aceitar que nossos destinos fossem determinados por preconceitos, convenções sociais ou limitações impostas pela sociedade.

Essa luta continua e fazemos parte dela. Apesar dos avanços, ainda convivemos com o machismo, o racismo, a homofobia e tantas outras formas de discriminação que restringem oportunidades e ferem a dignidade humana. Reconhecer essas desigualdades, denunciá-las e combatê-las é indispensável. Mas acredito que existe outra dimensão dessa história que merece ser valorizada: somos muito mais do que as barreiras que enfrentamos. Somos mulheres que trabalham, estudam, amam, cuidam, lideram, fazem escolhas e transformam a realidade todos os dias.

O empoderamento feminino, reconhecido internacionalmente como um compromisso para o desenvolvimento das sociedades, não pode permanecer apenas no campo das declarações. Desde os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até a Agenda 2030 das Nações Unidas, a igualdade de gênero ocupa lugar central na construção de um mundo mais justo. E essa igualdade se concretiza quando temos liberdade para fazer nossas escolhas, condições para desenvolver nossas capacidades e oportunidades reais de participar das decisões que afetam nossas vidas.

Falo disso não apenas como uma reflexão sobre a sociedade, mas a partir da minha própria história. Sou mulher negra, enfermeira e há 27 anos compartilho minha vida com outra mulher. Construí minha trajetória pessoal, familiar e profissional sabendo que vivemos em uma sociedade na qual o preconceito ainda está presente. Sei da importância de resistir, de defender direitos e de enfrentar as discriminações. Mas acredito que nossa existência não pode ser definida exclusivamente pelas dificuldades que encontramos pelo caminho.

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Ao longo da vida, compreendi que resistir é necessário e que essa resistência se manifesta de muitas maneiras. Está na coragem de assumir nossas escolhas, na dedicação ao trabalho, na construção de uma família, na busca pelo conhecimento, na disposição de ocupar espaços e na responsabilidade com aquilo que fazemos. Não se trata de provar nosso valor a ninguém. Trata-se de exercer plenamente o direito de sermos quem somos, com dignidade, honestidade e liberdade.

Na enfermagem, profissão à qual dedico minha trajetória, essa reflexão encontra um significado especial. Somos uma categoria formada majoritariamente por mulheres, que historicamente desempenham um papel fundamental no cuidado à saúde da população. Mulheres que conciliam responsabilidades familiares, jornadas exigentes e desafios profissionais, muitas vezes sem o reconhecimento e as condições de trabalho que merecem.

A luta pela valorização da enfermagem é, portanto, parte dessa história mais ampla de busca por direitos e igualdade. Precisamos continuar enfrentando as desigualdades, defendendo condições dignas de trabalho, reconhecimento profissional e oportunidades de participação nos espaços de decisão. Mas precisamos igualmente reconhecer a capacidade técnica, o conhecimento, a liderança e o protagonismo das mulheres que fazem dessa profissão uma atividade essencial à sociedade.

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Não acredito que exista uma única maneira de enfrentar as adversidades. Cada mulher carrega sua história, suas experiências e suas próprias formas de resistência. O que nos aproxima é o direito de sermos respeitadas em nossa diversidade e de encontrarmos oportunidades para construir nossos caminhos sem que nossa identidade seja transformada em obstáculo.

A verdadeira transformação social exige mais do que reconhecer as injustiças. Exige compromisso permanente para combatê-las, atitudes coerentes com os valores que defendemos e disposição para construir uma realidade na qual outras mulheres encontrem menos barreiras do que aquelas enfrentadas pelas gerações anteriores.

Continuarei acreditando na força da resistência, porque ela faz parte de quem somos e da história que nos trouxe até aqui. Mas acredito igualmente na força do trabalho, do conhecimento, do afeto, da solidariedade e da participação coletiva.

Somos muito mais do que as barreiras que enfrentamos. Somos as histórias que construímos, os direitos que defendemos e os caminhos que ajudamos a abrir para outras mulheres.

Iracema Paulino de Alencar é enfermeira e obstetra, mestre e doutoranda em Saúde Coletiva pela UFMT, com trajetória na gestão pública, assistência, docência e formação em saúde.

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