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Secretaria de Estado de Planejamento recebe moção de aplausos da Câmara do município
Secretaria de Planejamento é uma das elaboradoras do Projeto de Revisão Territorial, que consiste na readequação do conjunto de leis sobre as divisas territoriais de Mato Grosso
GcomMT
Em sessão solene realizada pela Câmara de Vereadores de São José do Povo, município mato-grossense localizado a 283 km da Capital, a atuação da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), com relação ao trabalho de revisão das divisas intermunicipais, foi aplaudida pelos parlamentares.
Os agradecimentos e a moção de aplausos também se estenderam aos demais integrantes do grupo de trabalho, formado pela Comissão de Revisão Territorial e pelo Núcleo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), assim como pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A atualização das divisas tem como objetivo resolver os conflitos de limites territoriais, as questões administrativas, quando o município vizinho apresenta melhores condições logísticas de administrar determinada área; e as questões técnicas, com origem no texto da lei em vigor que gera sobreposição de áreas, quando estas pertencem a mais de um município, ou a existência de áreas isoladas que não estão sob nenhuma jurisdição municipal.
Segundo a engenheira cartógrafa da Seplan e coordenadora dos trabalhos, Lígia Camargo, representante da secretaria na ocasião, a situação de inconsistência “gera um ambiente de disputas territoriais, prejuízos à população e, ainda, causam dificuldades no acompanhamento de ações governamentais nas esferas federal e estadual”.
As consequências de ordem administrativa, ressalta a coordenadora, têm seus efeitos mais sentidos pela população e gestores dos municípios que prestam os serviços públicos, como o atendimento de saúde e educação.
Para o deputado Ondanir Bortolini, presidente da Comissão de Revisão Territorial da ALMT, apesar de polêmica, a atualização dos limites intermunicipais é um trabalho relevante que procura atender aos anseios da população. “Muitas cidades enfrentam dificuldades administrativas por não terem seus limites claramente definidos, o que gera divergência entre os municípios envolvidos e compromete o atendimento básico para a população”, pontuou o deputado.
São José do Povo e Guiratinga
Moradores do assentamento Salete Strozak, localizado em Guiratinga (a 340 km de Cuiabá), solicitaram por meio de um abaixo-assinado serem pertencentes ao município de São José do Povo. Em entrevista com os moradores – metodologia de atuação diferenciada e reconhecida nacionalmente pelo IBGE –, 94,5% disseram que o município teria melhores condições de atender àquele grupo por ser mais próximo de sua área urbana. Após uma série de outras análises, a Lei 10.500/2017, instituída no início do ano, regularizou a situação.
Da mesma forma, os moradores do assentamento 28 de Dezembro, localizado no município Pedra Preta (245 km de Cuiabá), requereram pertencer a São José do Povo. A maioria dos entrevistados afirmou que, por estar mais próxima de sua sede, a cidade de São José do Povo teria melhores condições de administrar. Houve também outros requerimentos do município de São José do Povo em áreas de Guiratinga e Poxoréo, mas o resultado da pesquisa não indicou alterações.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de São José do Povo, vereador Paulo do Galo, que foi quem teve a iniciativa da homenagem, o trabalho de atualização territorial foi fundamental para o município. “Assim como dezenas de outros municípios, nossa cidade foi beneficiada com o projeto e agora temos condições e potencial para melhorar nossa economia”, afirmou.
Mato Grosso é o quarto estado brasileiro a executar a revisão de suas leis municipais. Até o momento, 43 dos seus 141 municípios tiveram as divisas intermunicipais atualizadas. Em dezembro passado, o IBGE, órgão orientador da atividade para os demais entes federados, indicou durante evento que fez parte das comemorações de 80 anos do Instituto, os procedimentos adotados pelo Estado como exemplo a ser seguido pelas demais regiões brasileiras.
O diferencial do trabalho executado em Mato Grosso, segundo Lígia Camargo, é a participação efetiva dos municípios na construção da proposta de atualização dos limites intermunicipais, garantida pela etapa das oficinas de trabalho, ressaltou a coordenadora. (Com informações da Assessoria de Imprensa da ALMT).
caceres
Após estiagem e calor extremo, chuva renova o Pantanal de Cáceres e devolve o canto das aves
Por João Arruda | Cáceres (MT)
Após um longo período de estiagem severa, com tardes de mormaço que chegaram a beirar os 45 graus Celsius, a tórrida cidade de Cáceres (a 210 km de Cuiabá), foi contemplada, nas primeiras horas da manhã deste sábado (5), com uma chuva mansa e contínua.
A precipitação ajudou a dissipar as nuvens de poeira que, há meses, castigavam o ambiente pantaneiro.
Cáceres é berço e vertente da planície pantaneira. Onde começa a depressão, comprimida entre as duas cordilheiras — Serra das Araras e Serra dos Parecis —, o município está a apenas 115 metros acima do nível do mar. Essa característica dificulta a entrada de ventos e torna a cidade uma das mais quentes do país.
Uma verdadeira “estufa natural” que, nos últimos tempos, nem mesmo os pantaneiros nativos têm suportado, devido às altas temperaturas.
Para quem chega a Cáceres vindo de regiões do Sul ou do Sudeste, ou ainda do litoral brasileiro, a adaptação ao calor sufocante pode ser difícil.
Esse foi um dos casos vivenciados pelo radialista Paulo Rossi. Na década de 1970, ele foi contratado para atuar como locutor da Rádio Difusora de Cáceres, a pioneira do oeste de Mato Grosso. Com muito talento e atuação multidisciplinar, Rossi conquistou centenas de ouvintes. No entanto, ele e a família não suportaram o calor e precisaram deixar Cáceres.
Outro que sofreu com as altas temperaturas foi o mineiro de São João del-Rei, o capitão de corveta Magno Luís Moura, designado para comandar a unidade da Marinha do Brasil em Cáceres.
Acostumado às temperaturas amenas das montanhas de Minas Gerais e às brisas litorâneas, ele sentiu na pele o calor do Pantanal. Certa vez, chegou a declarar à imprensa local:
“Eu achava que o Rio de Janeiro era quente à beça, mas o calor em Cáceres supera. Nem tudo é ruim, pois esta gente pantaneira tem calor e hospitalidade sem par.”
A estação do inverno termina no dia 22 deste mês. Os mato-grossenses costumam chamar essa chuva de “chuva do caju e da manga”, em referência às árvores que povoam os quintais das cidades de Mato Grosso.
Outra manifestação natural provocada pela chegada da chuva é o retorno dos gorjeios das aves. Trinca-ferros, sabiás-laranjeiras, maritacas, bem-te-vis, são-joãozinhos, caga-sebos, sinhôs-concás, chocas-barradas, almas-de-gato, sanhaços-verdes, sanhaços-azuis, fogo-apagou, japuíras, pintassilgos, canários-da-terra e canários-belgas, periquitos, papagaios e araras estão entre as dezenas de espécies que habitam a vasta região oeste de Mato Grosso.
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