ecossistemas
RPPN Sesc Pantanal reúne ecossistemas indispensáveis para espécies ameaçadas
O Sesc foi pioneiro em Mato Grosso nesta inciativa que surgiu após a Eco-92, momento histórico de ascensão da causa ambiental
Haroldo Palo Jr.
Onça pintada – uma das espécies em extinção
Com 108 mil hectares de extensão, a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Barão de Melgaço, reúne ecossistemas indispensáveis para espécies da fauna ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a anta e o cervo-do-pantanal. Celebrado nesta sexta-feira (31/01), o Dia Nacional das RPPNs marca a atuação dessa unidade de conservação para a produção de conhecimento científico, valorização da cultura pantaneira, geração de empregos diretos e indiretos e a oferta de turismo ecológico que recebe mais de 30 mil pessoas ao ano.
A RPPN Sesc Pantanal representa 2% de toda extensão do Pantanal mato-grossense e sua extensão equivale à área da cidade do Rio de Janeiro, sendo a maior dentre as mais 1.500 existentes no Brasil.
De acordo com a gerente de Pesquisa e Meio Ambiente do Sesc Pantanal, a bióloga Cristina Cuiabália, a RPPN, como parte integrante do polo socioambiental do Sesc, protege uma importante parcela de uma das maiores áreas úmidas continentais do planeta, provedora de serviços ecossistêmicos fundamentais ao bem viver da humanidade, tais como, purificação das águas e do ar, produção de biodiversidade e alimentos de qualidade, além de contribuir para amenizar os efeitos das mudanças climáticas.
Pesquisa científica
No campo da pesquisa científica, cerca de 70 projetos já foram realizados em duas décadas por mais de 170 pesquisadores provenientes de quase 50 instituições de ensino e pesquisa. Também foram produzidos 10 volumes da coleção “Conhecendo o Pantanal”, disponível no site www.sescpantanal.com.br. Todo este trabalho já resultou em mais de 150 publicações científicas, uma das mais representativas fontes de produção de conhecimento acerca do Pantanal.
Assessoria Sesc Pantanal
RPPN Sesc Pantanal – Florada do Cambará
As pesquisas já revelaram que vivem na RPPN 28 espécies de borboletas, 157 de peixes, 23 de anfíbios, 27 de répteis, 350 de aves e 83 de mamíferos. Entre as pesquisas de maior destaque, que demonstram a importância da RPPN em Mato Grosso, está a do monitoramento da Arara-azul. Em 1998 eram 18 indivíduos da espécie e hoje são mais de 450.
Turismo inclusivo
O Pantanal é, historicamente, um dos principais destinos turísticos brasileiros, com aspectos culturais e ambientais únicos, que oferece diversas opções de meios de hospedagem e passeios, grande parte deles visando estrangeiros. O Sesc Pantanal, porém, tem como foco os turistas brasileiros, especialmente o trabalhador do comércio e sua família.
Em 2019, o Hotel Sesc Porto Cercado, unidade do Sesc Pantanal que recebe os turistas que buscam conhecer a região, foi o destino de 31.238 pessoas de todos os estados do país e 15 países. Passeios ecológicos neste período somam 38.253, feitos a cavalo, barco, a pé e também com veículo aberto.
Desenvolvimento econômico
A presença da Reserva no Pantanal também impacta no desenvolvimento econômico da região, impulsionando o comércio local e estimulando o incremento e qualificação profissional dos serviços envolvidos nas operações e projetos. A agricultura familiar está entre as cadeias produtivas beneficiadas, com a produção e venda de alimentos como banana-da-terra frita, doces caseiros e castanha de cumbaru.
De acordo com a superintendente da instituição, Christiane Caetano, esta grandiosidade, de extensão e ações, representa uma contribuição significativa do Sesc à sociedade no presente e para a posteridade.
Jeferson Prado
RPPN Sesc Pantanal
“O Sesc foi pioneiro em Mato Grosso nesta inciativa que surgiu após a Eco-92, momento histórico de ascensão da causa ambiental. Ao decidir construir seu legado natural, a RPPN Sesc Pantanal se consolidou como uma das mais importantes reservas privadas do país. Nosso trabalho, porém, vai além da conservação da fauna e flora e alcança o homem pantaneiro, parte essencial do bioma, para quem destinamos ações sociais e de educação ambiental. Muito já foi feito, mas ainda há muito a se fazer pelas próximas décadas”, ressalta.
ecossistemas
Há quase um mês incêndio destrói o Parque Encontro das Águas sem controle
Um incêndio está destruindo o Parque Encontro das Águas, localizado no Pantanal entre Poconé e Barão de Melgaço, há mais de 20 dias e já consumiu 20,8% da área do parque, o que equivale a 21.825 hectares de vegetação. Nem mesmo a chuva forte da semana passada conseguiu conter as chamas.
De acordo com uma nota emitida no sábado (28.10), cerca de 30 bombeiros estão posicionados ao longo dos rios Canabu, Cuiabá e São Lourenço para combater o incêndio que atinge o Parque. As equipes de bombeiros também contam com a ajuda de aeronaves dos Bombeiros e da Defesa Civil, que lançam água para reduzir a intensidade das chamas e aumentar a umidade na região.
O Parque Estadual Encontro das Águas está situado na confluência dos rios Cuiabá e Piquiri e abrange uma área de 108 mil hectares. A localidade é conhecida por ter a maior concentração de onças-pintadas do mundo, tornando sua preservação uma preocupação importante para as autoridades. A população local está apreensiva com o avanço das chamas na área, temendo impactos na fauna e flora da região.
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