POLÍCIA
Operação Pátio Paralelo mira grupo suspeito de desviar veículos e movimentar R$ 50 milhões
A Polícia Civil deflagra, nesta quarta-feira (26.8), em Sorriso, a Operação “Pátio Paralelo”, destinada a desarticular um grupo criminoso investigado por envolvimento em um esquema de desvio de veículos, fraudes em negociações comerciais, associação criminosa e lavagem de capitais.
A investigação é conduzida pela Delegacia Municipal de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Crime de Estelionato e Lavagem de Dinheiro, e teve início após a identificação de inconsistências financeiras e comerciais relacionadas a operações realizadas no âmbito de uma concessionária, no município.
De acordo com a investigação, o grupo teria se aproveitado da estrutura e da credibilidade da concessionária, marca conhecida mundialmente, para captar clientes, receber veículos usados como parte do pagamento e direcionar valores para contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos investigados.
Paralelamente, veículos entregues pelos consumidores como entrada na aquisição de novos automóveis teriam sido desviados para terceiros e posteriormente direcionados a empresas relacionadas ao grupo, sem o correspondente registro e contabilização regular pela concessionária.
A investigação apontou que o esquema teria sido executado de forma organizada e reiterada, com divisão de tarefas entre os envolvidos. Os investigados teriam utilizado contas bancárias próprias, de terceiros e de pessoas jurídicas para receber e movimentar os valores decorrentes das operações fraudulentas, além de empresas utilizadas, em tese, para conferir aparência de legalidade aos recursos.
A apuração identificou, até o momento, entre 15 e 20 potenciais vítimas, com prejuízo diretamente identificado superior a R$ 2 milhões, valor que poderá aumentar com o avanço das diligências e a identificação de novas vítimas.
A decisão judicial que autorizou as medidas cautelares reconheceu indícios de repetição de um mesmo modus operandi, envolvendo captação da confiança dos consumidores, obtenção de documentos de transferência, desvio de veículos, manipulação das condições de financiamento e direcionamento de pagamentos para contas estranhas à relação comercial.
Além do prejuízo já individualizado, a análise financeira realizada no curso da investigação indica que o grupo movimentou aproximadamente R$ 50 milhões no período de um ano, revelando a expressiva dimensão financeira das operações investigadas.
Medidas judiciais
Para a deflagração da operação, foram expedidas mais de 20 ordens judiciais, sendo um mandado de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove ordens de afastamento de sigilo bancário e cinco ordens de bloqueio de ativos financeiros, além das demais medidas cautelares patrimoniais determinadas judicialmente.
Para a deflagração da operação, foram expedidos mandados judiciais que autorizam a realização de buscas e apreensões, abrangendo imóveis e locais vinculados aos investigados e à empresa apontada como relacionada ao esquema.
As ordens judiciais autorizam a apreensão de celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, documentos, contratos, comprovantes de transferências, registros financeiros, veículos e outros elementos relacionados aos fatos investigados.
Também foi autorizado o acesso, extração e análise dos dados armazenados nos aparelhos eletrônicos eventualmente apreendidos, medida considerada necessária para identificar a divisão de tarefas, a extensão da atuação dos investigados, a movimentação patrimonial e eventual participação de outros envolvidos.
A Justiça autorizou ainda o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático, permitindo a reconstrução do fluxo financeiro, a identificação da origem e destino dos recursos, bem como a obtenção de registros relacionados às comunicações e aos dispositivos utilizados pelos investigados.
Como medidas de natureza patrimonial, foram determinados o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de bens e a indisponibilidade patrimonial até o limite de R$ 2 milhões, além do sequestro de veículos eventualmente localizados durante o cumprimento das buscas quando houver elementos indicando sua vinculação com as infrações investigadas.
A operação também cumpre mandado de prisão preventiva contra uma das investigadas, apontada na decisão judicial como pessoa que teria exercido papel central na operacionalização do esquema, especialmente na captação de clientes, condução das negociações, recebimento de veículos, direcionamento de pagamentos e movimentação dos recursos.
Pátio Paralelo
O nome da operação faz referência ao suposto desvio dos veículos entregues pelos clientes como parte do pagamento, que, em vez de seguirem o fluxo comercial regular da concessionária, seriam direcionados para um circuito paralelo, envolvendo terceiros e empresa relacionada aos investigados.
Segundo a investigação, os veículos recebidos dos consumidores constituíam um dos principais instrumentos utilizados pelo grupo para obtenção de vantagem patrimonial indevida. A decisão judicial registra indícios de que automóveis entregues como parte do pagamento eram posteriormente transferidos para terceiros ligados à empresa investigada.
As investigações continuam para identificar a destinação final dos valores e dos veículos, bem como eventual participação de outras pessoas físicas ou jurídicas no esquema.
POLÍCIA
Operação mira lavagem de dinheiro e bloqueia até R$ 12 milhões ligados a facção criminosa
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (26.8), a Operação Dissolução Forçada, com o cumprimento de 48 ordens judiciais contra integrantes e pessoas jurídicas ligadas a uma facção criminosa. A ação tem como foco o combate à lavagem de dinheiro e busca interromper o fluxo financeiro utilizado pelo grupo para dar aparência lícita a recursos provenientes de atividades criminosas.
Entre as medidas determinadas pela Justiça estão 18 mandados de busca e apreensão, 24 bloqueios de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, no valor de até R$ 12 milhões, e a suspensão das atividades comerciais de seis empresas.
As ordens foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Sinop, com base nas investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop.
O cumprimento das medidas ocorre simultaneamente em quatro estados. Em Mato Grosso, as ações são realizadas nas cidades de Sinop, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Matupá. Também são cumpridas ordens em Loanda, no Paraná; Goiânia, em Goiás; e São Paulo, capital paulista.
As equipes policiais foram coordenadas a partir de pontos de comando instalados em Sinop e Cuiabá, com o apoio de investigadores das delegacias das cidades envolvidas.
De acordo com a investigação, a facção criminosa atuava no tráfico de drogas, na lavagem de capitais e em outros crimes relacionados. Os elementos reunidos pela Draco Sinop apontam que o grupo movimentou mais de R$ 12 milhões entre os anos de 2024 e 2025.
As medidas patrimoniais e a suspensão das atividades empresariais têm o objetivo de impedir que as empresas continuem sendo utilizadas para ocultar a origem dos valores e conferir aparência legal ao dinheiro obtido por meio de atividades ilícitas.
Os procedimentos decorrentes das prisões e apreensões, como boletins de ocorrência, autos circunstanciados e requisições periciais, estão sendo elaborados e encaminhados à Draco Sinop. O material será analisado para subsidiar o avanço das investigações e a identificação de outros possíveis envolvidos.
Nome da operação
O nome Dissolução Forçada faz referência ao principal objetivo da operação: identificar pessoas jurídicas utilizadas de forma exclusiva ou prioritária para a lavagem de dinheiro e determinar a interrupção imediata de suas atividades, desarticulando estruturas empresariais criadas ou utilizadas de maneira fraudulenta.
A operação também tem como foco a descapitalização dos investigados. Segundo a Polícia Civil, o sequestro de patrimônio e o bloqueio da estrutura financeira das facções são medidas tão relevantes quanto as prisões, pois comprometem a capacidade de reorganização do grupo e de reinvestimento dos valores obtidos ilegalmente.
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