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Observação Demográfica dos Povos Indígenas

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Marco Bergamasco

Índio xinguano

Os estudos de demografia dos povos indígenas fazem parte da interface entre demografia e antropologia, campo também conhecido como “demografia antropológica”. Desde os anos 40 e 50, que demógrafos produzem um conhecimento específico que integra as teorias antropológicas às metodologias de captação de informações e às interpretações e análises das informações produzidas. Pesquisas sobre o comportamento demográfico das populações indígenas são ainda pouco freqüentes no Brasil, embora se tenha observado, a partir dos anos oitenta, o aumento de interesse de demógrafos e antropólogos por este campo de estudo.
Os povos indígenas no Brasil, até a década de 80, eram considerados uma categoria social transitória, fadada à integração com a sociedade chamada ‘nacional’, ou ao desaparecimento enquanto grupos sociais distintos. A partir da Constituição de 1988 quando foram reconhecidos aos índios seus direitos originários às terras, e respeito aos seus costumes, línguas e praticas culturais, esses povos passaram a ter maior visibilidade política no país. Porém, até final da década de 90, precisamente 1999, eram poucas as fontes oficiais de informações populacionais sobre estes povos. A partir do início dos anos 2000 tanto IBGE quanto Ministério da Saúde começam a investir mais esforços para aprimorar suas metodologias de coleta de informações.


Populações indígenas podem ser encontradas por todo o território brasileiro, embora mais de metade esteja concentrada na região amazónica do Norte e Centro-Oeste. Consideram-se índios, todos os descendentes dos povos autóctones do Brasil.
Embora milhões de brasileiros sejam descendentes de índios, apenas 0,4 por cento da população considera-se como tal. Isso deve-se à intensa miscigenação e perda dos valores e identidade indígenas ao longo dos séculos. 

Marcos Bergamasco
Kuarup no Xingú

Quando os primeiros portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, a população indígena rondava os cinco milhões indivíduos. Na metade do século XIX não passava de 100 mil pessoas e no final do século XX era cerca de 300 mil. O desaparecimento da população nativa brasileira foi um dos maiores genocídios da História humana, e deve-se a três factores: a dizimação promovida pelos colonizadores, as doenças europeias que se espalharam como epidemias e a miscigenação.
Em 1985, os povos indígenas eram ainda menos numerosos – somavam 220 mil indivíduos, segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio). Hoje estima-se que os índios brasileiros não passem de 325 mil – menos de 0,2% da população brasileira.
Recentes estudos genéticos comprovaram que muitos milhões de brasileiros são descendentes de povos indígenas extintos há séculos, muitos dos quais desconhecem as suas origens indígenas. Nos últimos anos, tem-se visto, pela primeira vez em cinco séculos, um crescimento da população índia brasileira, porém, muitos vivem em condições de extrema pobreza e estão a perder sua cultura.

 Quadro da evolução populacional dos índios no Brasil: 

 

 

Ano

População

1500

5.000.000

1818

600.000

1890

300.000

1957

120.000

1987

230.000

1991

250.000

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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sociedade indigena

Tecnologia e Civilizações antigas

Drone varrerá Amazônia em busca de civilizações antigas

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Cientistas britânicos vão usar um drone para fazer varreduras na Amazônia brasileira e procurar vestígios de civilizações antigas.

O avião não-tripulado que será enviado para a região é equipado com um laser que analisa e procura por áreas onde podem ter existido construções há milhares de anos.

O objetivo do projeto é determinar qual era o tamanho destas comunidades milenares e até que ponto elas alteraram a paisagem local.

Os pesquisadores anunciaram a iniciativa durante a reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), na cidade de San Jose, na Califórnia.

O projeto, uma parceria entre agências e instituições do Brasil e Europa, já conseguiu uma verba de US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) do Conselho Europeu de Pesquisa.

Dependendo dos dados obtidos, eles também podem ser usados para a elaboração de políticas de uso sustentável da floresta.

Mas a questão mais importante é tentar compreender a escala e as atividades das populações que viveram na Amazônia no final do período antes da chegada dos europeus à América, ou seja, os últimos 3 mil anos antes de 1490.

Padrões no solo

 

A equipe internacional vai tentar encontrar na Amazônia os chamados geoglifos, que são desenhos geométricos grandes feitos no chão.

Mais de 450 destes geoglifos, em vários formatos geométricos, foram encontrados em locais onde ocorreu desmatamento.

Mas até hoje ninguém sabe exatamente o que estes círculos, quadrados e linhas representam – há indícios de que fossem centros cerimoniais.

No entanto, o que se sabe é que eles são provas de um comportamento coletivo.

“É um debate acalorado agora na arqueologia do Novo Mundo”, afirmou José Iriarte, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha.

“Enquanto alguns pesquisadores acreditam que a Amazônia foi habitada por pequenos grupos de caçadores-coletores ou então por pequenos grupos de cultivavam apenas para a subsistência, que tiveram um impacto mínimo no meio ambiente, e que a floresta que vemos hoje foi intocada por milhares de anos, há cada vez mais provas mostrando que este pode não ser o caso.”

“Estas provas sugerem que a Amazônia pode ter sido habitada por sociedades grandes, numerosas, complexas e hierárquicas que tiveram um grande impacto no meio ambiente; o que nos chamamos de ‘hipótese do parque cultural'”, disse o cientista à BBC.

Drone e satélite

O projeto de Iriarte prevê o sobrevoo do drone por algumas áreas da floresta que servirão de amostra.

O laser acoplado ao drone vai procurar geoglifos estão escondidos em regiões ainda não desmatadas.

Parte da luz deste laser, chamado de “lidar” (“light-activated radar”, ou radar ativado pela luz, em tradução livre) consegue ultrapassar a barreira das folhas das árvores.

Serão feitas várias inspeções e, se a existência dos geoglifos for confirmada, os cientistas vão tentar determinar mudanças específicas que foram deixadas no solo e na vegetação pelos antigos habitantes.

Estas “impressões digitais” poderão ser buscadas por imagens de satélites, possibilitando uma busca em uma área muito maior da Amazônia, maior do que com o pequeno drone.

E, a partir deste projeto será possível avaliar como a Amazônia pode ser gerenciada de forma sustentável. Segundo Iriarte, não é possível especular quais seriam as mudanças futuras aceitáveis na Amazônia se não existir uma compreensão completa de como a floresta foi alterada no passado.

“Queremos ver qual é a pegada humana na floresta e então formar uma política (de uso), pois pode ser o caso de que a biodiversidade que queremos preservar seja o resultado de uma manipulação no passado desta floresta”, explicou.

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