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BRASIL E MUNDO

Mãe ressignifica a perda do filho criando projeto social de futebol para crianças

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É no campinho de terra, do Bairro São Bento, periferia de Sorocaba, que meninos entre 5 e 17 anos se encontram para a prática de um esporte tão democrático quanto apaixonante para os brasileiros: o futebol.

Eles chegam com o sonho de vestir uma camisa de jogador profissional e encontram ali apoio técnico e incentivo, mas também abraços e ternura, validação e escuta por meio da idealizadora do projeto “Monte Leal”: ela é Maria Aparecida Campos de Paula, Cidinha para os íntimos.

Movida pela vontade de fazer desses garotos homens de bem, há quase uma década essa dona de casa, mãe de quatro filhos, se dedica a reunir a turma, que começou pequena e atualmente conta com 60 meninos. “Era brincadeira, meu filho mais velho resolveu dar esse treino para os meninos, né. Vinha uns 4, 5 e a gente treinava em um terreno de terra aqui perto de casa. Na pandemia, tivemos de parar, mas depois que retomamos eles foram chegando e cresceu a turminha”, conta.

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Os treinos acontecem de segunda a quarta-feira e são divididos por idade, para a segurança dos menores. “Eu separo os pequenos dos grandes para eles não se machucarem, né? A gente cuida”.

Para participar da escolinha ninguém paga nada. O filho mais velho de dona Cidinha é professor voluntário e uma moradora do bairro também dá apoio. Para ela, assim como em um coração de mãe, sempre cabe mais um no projeto. Ainda mais quando esse coração já foi tomado pelo vazio mais profundo que alguém pode sentir, a perda de um filho.

Se hoje risadas infantis e propósito ecoam pelo campinho, dona Cidinha já derramou muitas lágrimas por ali em caminhadas solitárias. Há exatos 8 anos ela perdeu o filho caçula, um promissor talento do futebol, que tinha acabado de passar em uma peneira de um grande time. O menino de 14 anos foi atropelado por um motorista bêbado. “Eu não tenho mais meu filho, mas agora eu tenho muitos meninos. Deus me permitiu na minha tristeza ter esse consolo”, revela.

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Os meninos do São Bento não têm campo para treinar e tudo se mantém de pé com muito trabalho, doações e apoio da iniciativa privada, como o Programa Pequenos de Raça do Instituto Adimax, que fornece parte das camisetas usadas nos jogos e campeonatos. “Quando a gente apoia o esporte, está apoiando o futuro deles. O esporte ajuda a desenvolver várias qualidades que, independentemente de serem jogadores, vão precisar na vida adulta”, reflete Edmilson Bueno, gestor do programa.

Propósito e significado os quais Cidinha compartilha, afinal o que são as mães senão culpa e capacidade de sonhar pelo outro? “Eu quero mais é que eles cresçam homens de bem, trabalhadores. Não precisam ser jogadores de futebol, daqui pode sair um médico, um professor”, finaliza.

 

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BRASIL E MUNDO

Brasil celebra Nossa Senhora Aparecida; feriado nacional

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O Brasil celebra nesta segunda-feira (12.10) o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do país. O feriado nacional, que coincide com o Dia das Crianças, encerra o feriado prolongado iniciado na sexta-feira (9.10) e deve movimentar estradas, terminais rodoviários e templos em todo o território nacional.

A devoção à santa tem origem em outubro de 1717, às margens do rio Paraíba, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e José Alves haviam sido acionados para fornecer peixes ao banquete do conde de Assumar, então governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais. Depois de horas de pesca sem resultado, João Alves retirou das águas o corpo de uma pequena imagem de barro e, em novo lançamento da rede, encontrou a cabeça da peça. Recolhida a imagem, a rede dos pescadores encheu de peixes.

A escultura de terracota, com cerca de 36 centímetros e coloração escura, representa Nossa Senhora da Conceição. Ficou conhecida como a santa que “apareceu” no rio — origem do nome Aparecida — e passou a atrair fiéis atraídos pelos relatos de graças e milagres atribuídos à imagem. Em 1904, ela foi coroada oficialmente, com uma coroa ofertada pela princesa Isabel.

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A crescente romaria levou à construção, em 1745, de uma capela no Porto Itaguassú, local do achado. A devoção seguiu se espalhando pelo país e, em 1928, a então vila de Itaguassú passou a se chamar Aparecida. Em 1955 teve início a construção da Basílica Nacional, erguida para acolher o número cada vez maior de romeiros.

O reconhecimento oficial veio em etapas. Em 16 de maio de 1931, o presidente Getúlio Vargas declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida padroeira oficial do Brasil. Décadas depois, a Lei nº 6.802, de 1980, transformou o 12 de outubro em feriado nacional. No mesmo ano, o papa João Paulo II, em visita ao Brasil, consagrou a Basílica Nacional de Aparecida.

Hoje, o Santuário Nacional é o segundo maior templo católico do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro, em Roma, com capacidade para cerca de 45 mil pessoas. O complexo recebe aproximadamente 12 milhões de romeiros por ano, e no dia da padroeira centenas de milhares de fiéis se deslocam até a cidade do Vale do Paraíba paulista para acompanhar as celebrações.

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A programação inclui missas ao longo de todo o dia, além de romarias, caminhadas e motociatas que partem de diversas regiões do país. Paróquias de todos os estados também realizam celebrações próprias em honra à padroeira.

Com o feriado caindo na segunda-feira, o fim de semana prolongado deve intensificar a movimentação nas rodovias e nos terminais de passageiros, tanto de quem segue em peregrinação até o santuário quanto de quem aproveita a data para viajar.

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